
Uma reacção química que muda a transparência quase instantaneamente
Um grupo de investigadores da Universidade Aoyama Gakuin do Japão desenvolveu um material que muda quase instantaneamente de azul claro a azul escuro quando se expõe à luz ultravioleta (UVA), e vice-versa. Este novo material fotocrómico poderia ser útil tanto no armazenamento óptico de dados, como em óculos de Sol.

O engenheiro químico Jiro Abe e os seus colegas estudaram desde há mais de uma década as propriedades dos materiais fotocrómicos em relação à sua sensibilidade luminosa, especialmente os derivados de um composto denominado hexaarylbi imidazole (HABI). No seu estado natural, HABI é incolor, mas quando a luz ultravioleta parte uma das uniões na molécula, produz-se uma versão azul escura da mesma. O problema até agora é que a transformação demorava bastantes segundos até ser completa, pelo que a única aplicação comercial era a produção de óculos de sol que se escurecem lentamente.
A través de simulações e experiências de laboratório, tentando a adição de diferentes substâncias, acabaram por encontrar uma, o ciclofano, que ao acrescenta-lo ao HABI faz que o processo se desenvolva completamente em perto de 30 milissegundos. E ainda, ao retirar a fonte de luz ultravioleta, reverte à mesma velocidade, ficando quase instantaneamente incolor outra vez. Para além disto, tal como publicaram no Journal of the American Chemical Society, o complexo é tão estável que podem ser repetidas milhares de vezes estas reacções sem que haja mudanças de funcionamento apreciáveis.
Sé é acrescentado a outros materiais, como plexiglas por exemplo, a versão modificada de HABI permitiria fazer óculos de Sol que ficassem escuros instantaneamente com a luz do Sol, e ficassem transparentes novamente com a mesma velocidade ao entrar numa casa.

Outra possibilidade para as propriedades de HABI, mesmo que menos evidente para já, é dar vida a uma nova geração de suportes ópticos (dispositivos de armazenagem de dados), na que a cor acesa / apagada poderia substituir à actual capacidade magnética de activação / desactivação dos interruptores.
Vamos ver o que o futuro nos traz, mas podemos ir pensando na inclusão nele dos óculos de Sol e de não Sol, e inclusive o dos discos de computador ou sticks USB de cores… por dentro.









Uma equipa de científicos do
Ainda assim, existiam pontos fracos nas ligas apresentadas nesse estudo. Como foram criadas para utilizar-se na indústria aeroespacial, entre algumas outras aplicações estruturais, precisavam ter densidades muito baixas, para pesar o menos possível. Idealmente deveriam obter ligas com densidades semelhantes às das ligas cristalinas de titânio, qualquer coisa como entre 4,5 e 5 gramas por centímetro cúbico (g/cc). As ligas originais, elaboradas maioritariamente de zircónio, tinham entre 5,6 e 6,4 g/cc, o que vinha a ser um sério problema para a sua utilização em estruturas aeroespaciais.





