Aureus

Com este blog pretendo mostrar os últimos acontecimentos científicos, de maneira a ficarmos à par do que pôde ser feito pelos científicos neste momento, e dos últimos descobrimentos, e ao mesmo tempo oferecer curiosidades, engraçadas ou simplesmente esquisitas, do âmbito da ciência. Isto sempre numa linguagem acessível para todos, sem grandes complicações.
Lembrem-se que eu escrevo a estrutura, mas a vida do blog, o movimento, são os vossos comentários. Façam-os. Qualquer coisa que queiram, fico à vossa disposição.

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5 de maio de 2009

As catacumbas romanas em 3D


Uma das gravuras que se podem ver na catacumba de Santa Domitila, em Roma

As catacumbas romanas, onde cristãos, judeus e pagãos enterravam os seus mortos no século segundo antes de Cristo, para fugir dos romanos que proibiam estes ritos, nunca foram expostas às multidões na sua totalidade. Só uma pequena parte, uns 500 metros, podem ser visitados, por questões de segurança.

No total, há mais de 40 catacumbas, com um cumprimento total de 170 quilómetros, das que até agora só se dispunha de mapas feitos à mão.

Agora, num projecto que já leva 3 anos, uma equipa de 10 arqueólogos, arquitectos e engenheiros informáticos italianos e austríacos, conseguiram imagens tridimensionais a partir de scanners laser.

Mesmo assim, por enquanto só conseguiram gravar a catacumba de Santa Domitila, nos arredores de Roma. Esta é a maior de todas, com 15 quilómetros de comprimento, repartidos em vários andares.

Isso sim, conseguiram um resultado espectacular: Juntando os dados obtidos pelo scanner com fotografias tomadas também ali (para obter as cores reais), o resultado é poder navegar no computador, passar de umas salas a outras, fazer zoom em qualquer ponto, para ampliar ou para diminuir... é quase como estar ali.

Por enquanto não têm planos para registar as outras catacumbas, mas tencionam disponibilizar boa parte do seu material actual ao público com brevidade.

Para já, podem apreciar o trabalho neste vídeo obtido do site da BBC, ou aceder ao mesmo para completar a notícia.





24 de abril de 2009

Encontraram o avô do T. rex


T. rex, o grande predador do Cretáceo

Em relação ao Tyrannosaurus rex, o gigantesco tiranossauro que foi o vértice da pirâmide alimentar, o depredador supremo, durante milhões de anos, sabemos bastante. Ou pelo menos temos muitos fósseis dessa época, há uns 65 milhões de anos, pouco (relativamente) antes do extermínio total dos grandes sáurios junto com o 60% das espécies de animais que existiam. De facto, eles foram os últimos animais dominantes antes dessa grande hecatombe.

Mas, em relação à sua procedência evolutiva, havia uma grande falta de fósseis nos 50 milhões de anos anteriores, e os únicos antecessores conhecidos do T. rex, muito mais pequenos, viveram no Barremiano, um período do Cretáceo inferior, há entre 130 e 125 milhões de anos.

Mas uma descoberta recente de fósseis na China poderia mudar isto: Perto da cidade de Jiayuguan, encontraram restos que pertencem a outra espécie de tiranossauro, baptizada como Xiongguanlong baimoensis, e que tem uns 105 milhões de anos de antiguidade.

Estes fósseis, tal como publicaram em Proceedings B, poderiam corresponder ao elo perdido na evolução do T. rex, o parente que o une aos seus antepassados muito mais pequenos.

Segundo os científicos, os fósseis mostram os primeiros sinais das características que se fizeram muito acentuadas nos tiranossauros posteriores: o crânio com formato de caixa, ossos reforçados nos parietais que podiam suportar grandes músculos mandibulares, dentes frontais modificados e uma coluna vertebral muito mais forte para suportar a cabeça.

Mas também mostra características que estão ausentes em outros tiranossauros mais antigos, como um focinho comprido e estreito.

Este avô do T. rex era bastante mais pequeno, mas não tanto como os fósseis do Barremiano: Um indivíduo adulto devia medir uns 1,5 metros de altura até ao quadril (é a maneira normal de medir a estes animais), e devia pesar perto de 250 quilos.

De todas as maneiras, o neto foi bastante mais crescido, chegando o T. rex aos 4 metros de altura até ao quadril e a mais de 5 toneladas.

Mais informação na BBC.

20 de abril de 2009

Os homens aprenderam dos hobbits


Afinal, Tolkien devia ter alguma razão...

Na ilha de Flores, na Indonésia, habitavam os hobbits. Ou o Homo floresiensis, um hominídeo de aproximadamente um metro de altura, e com o cérebro do tamanho de uma toranja, aproximadamente, ao que muitos antropólogos chamam o hobbit.

Recentemente, Mark Moore, arqueólogo da Universidade de Nova Inglaterra em Armidale, Austrália, e os seus colegas estudaram 11.667 ferramentas de pedra recuperadas da cova Liang Bua em Flores. As escavações descobriram na cova ossos de hobbit em camadas de há entre 17.000 e 95.000 anos. Estes encontram-se todos por baixo de um sedimento de resíduos vulcânicos com 12.000 anos. E, por cima deste sedimento, a 11.000 anos e menos, os investigadores encontraram sepulturas do Holoceno do Homo sapiens junto com mais ferramentas.

A equipa de Moore analisou as formas e posições das lascas nas ferramentas, e as zonas dos golpes, tentando determinar como foram fabricadas as mesmas. E, tal como publicaram em Journal of Human Evolution, chegaram à surpreendente conclusão de que foi utilizada a mesma maneira simples e primitiva de produção de ferramentas durante os 100.000 anos representados nas escavações da cova.

Moore concluiu que provavelmente o hobbit, H. floresiensis, fez as ferramentas mais antigas, uma vez que se supõe que o homem moderno alcançou as ilhas da Indonésia há uns 45.000 anos ou pouco antes, e algumas das ferramentas têm até 100.000 anos. E sugere também, visto que são absolutamente semelhantes desde as mais antigas até as mais modernas, que deve ter havido contacto entre as duas espécies de hominídeos, e o Homo sapiens deve ter copiado o processo de fabrico das ferramentas ao hobbit.

Há outros antropólogos que discutem este ponto, especulando sobre a convergência fortuita entre o processo de fabrico de ferramentas duma e da outra espécies, mas Moore, depois do análise detalhado do processo de fabrico das ferramentas, diz que seria ainda mais surpreendente que, se não são processos copiados um do outro, fossem tão absolutamente idênticos.

Ver mais em Science.