Aureus

Com este blog pretendo mostrar os últimos acontecimentos científicos, de maneira a ficarmos à par do que pôde ser feito pelos científicos neste momento, e dos últimos descobrimentos, e ao mesmo tempo oferecer curiosidades, engraçadas ou simplesmente esquisitas, do âmbito da ciência. Isto sempre numa linguagem acessível para todos, sem grandes complicações.
Lembrem-se que eu escrevo a estrutura, mas a vida do blog, o movimento, são os vossos comentários. Façam-os. Qualquer coisa que queiram, fico à vossa disposição.

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13 de abril de 2009

Micróbios para armazenar energia


Archeobacterias Methanospirillum, um dos tipos que mais metano produz

As energias renováveis, produtoras de electricidade, enfrentam um problema que tende a agravar-se com a sua expansão: nos períodos de menor demanda, se não se consome toda a electricidade produzida, a mesma não pode ser armazenada.

Uma equipa de engenheiros da Universidade do Estado de Pensilvânia (Penn State), nos Estados Unidos, descobriu uns micróbios do reino Archaea que a partir de dióxido de carbono e água podem produzir metano, através da adição de electricidade, e sem emissão de hidrogeno, obtendo assim uma fonte de hidrocarbonetos portátil, e teoricamente neutra em relação à fixação ou emissão de carbono.

Os microrganismos metanogénicos produzem metano em lixeiras e zonas pantanosas, mas os científicos pensavam que estes organismos convertiam materiais orgânicos, como o acetato, em metano, emitindo também hidrogeno. No entanto, estes investigadores, ao tentar produzir hidrogeno nas células por electrólise microbiana, encontraram uma produção de metano muito superior ao esperado.

Toda a geração de metano que ocorre na natureza, e que assumimos que se produz em conjunto com emissão de hidrogeno, pode ser que não seja processada assim, disse Bruce E. Logan, professor de engenharia ambiental da Penn State. Realmente encontramos muito pouco hidrogeno em fase gasosa na natureza. Talvez assumimos que o hidrogeno estava a ser sintetizado, quando não era assim.

Logan, em colaboração com Shaoan Cheng, investigador associado, Defeng Xing, investigador de posdoutoramento, e Douglas F. Call, estudante de posgraduação de engenharia ambiental, confirmaram que os organismos microscópicos produziram o metano. Os investigadores criaram uma célula de duas câmaras com um ânodo submerso na água num lado da câmara e um cátodo na água, e nutrientes inorgânicos e dióxido de carbono no outro lado da câmara. Aplicaram uma tensão, mas só durante um minuto. Depois recobriram o cátodo com um filme biológico de Archaea, os microrganismos objecto de estudo, e não só houve fluxo de corrente no circuito, mas também as células produziram metano.

A única maneira de chegar a ter corrente com a voltagem utilizada é que os micróbios estejam directamente a aceitar electrões, disse Logan. E assinala também que a reacção electroquímica se desenvolve sem nenhum tipo de catalizadores e com um nível de energia menor do que o necessário para a conversão de dióxido de carbono em metano utilizando métodos convencionais, não biológicos.

Estas células obtêm uma eficiência do 80 por cento na passagem de electricidade a metano, e como utilizam dióxido de carbono como matéria prima, o processo viria a ser neutro em relação ao carbono se a electricidade provêm de uma fonte diferente dos hidrocarbonetos, como a solar ou a eólica.

O processo não sequestra carbono, mas transforma o dióxido de carbono em combustível, disse Logan. Se o metano se queima e o dióxido de carbono é capturado, então o processo pode ser neutro em relação à fixação ou emissão de carbono.

Logan sugere para os casos de excesso de electricidade pontual (nos momentos de menor demanda) o método de captura em um combustível transportável. E considera que o metano é preferível ao hidrogeno, porque uma grande parte das infra-estruturas actuais de gestão de hidrocarbonetos poderiam facilmente transporta-lo.

10 de fevereiro de 2009

Autocarros na Noruega: Combustível fecal




Em Oslo, na Noruega, trabalha-se a sério nos novos combustíveis e na reciclagem. Até Setembro deste ano, devem entrar em funcionamento 80 autocarros, em fase experimental, movidos por um novo combustível: biometano proveniente de material fecal humano.

Os autocarros terão incorporadas máquinas que transformam o material fecal em gás metano. O metano funcionaria como combustível, fazendo andar o autocarro.

Duas estações de tratamento de esgotos serão modificadas para servirem de posto de abastecimento aos veículos. Em relação aos mesmos, não serão necessárias grandes alterações, para além da incorporação da máquina de obtenção do metano. 

A estimativa é que este biometano custaria 0,40 euros menos por litro do que o combustível utilizado actualmente (estimam 0,27 euros/litro do biometano contra 0,67 do diesel utilizado actualmente). 

Ainda, a emissão neta de CO2 pela queima do metano é nula (uma vez que o carbono utilizado no combustível provinha da atmosfera e não de combustíveis fósseis). Mas, tendo em conta a electricidade gasta no fabrico do metano a partir do material original, ainda assim a estimativa é de uma "poupança" de 44 toneladas de CO2 por autocarro por ano.

Se tudo correr bem nos testes, os 80 passarão a 400, toda a frota de Oslo, mesmo que para isso tenham que utilizar uma mistura de biometano com biogás proveniente de incineração de restos de cozinhas de restaurantes e de casas particulares (não sabemos se por falta de matéria prima para produzir suficiente biometano).

Ainda, as autoridades pensam que, se tudo correr bem, poderiam modificar também automóveis privados para que utilizassem biometano e biogás (das suas próprias cozinhas e casas de banho?). 

Isto é que é poupança ecológica. Mas ninguém falou dos cheiros nos autocarros...

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