Aureus

Com este blog pretendo mostrar os últimos acontecimentos científicos, de maneira a ficarmos à par do que pôde ser feito pelos científicos neste momento, e dos últimos descobrimentos, e ao mesmo tempo oferecer curiosidades, engraçadas ou simplesmente esquisitas, do âmbito da ciência. Isto sempre numa linguagem acessível para todos, sem grandes complicações.
Lembrem-se que eu escrevo a estrutura, mas a vida do blog, o movimento, são os vossos comentários. Façam-os. Qualquer coisa que queiram, fico à vossa disposição.

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19 de junho de 2009

Riversimple Hydrogen: Carro eléctrico a hidrogénio e open source


Riversimple Hydrogen: Eléctrico, a hidrogénio, e open source

A empresa britânica Riversimple Default.aspx apresentou recentemente em Londres um novo veículo eléctrico com propulsão a hidrogénio, o Riversimple Hydrogen, ligando-o a um outro conceito ainda mais inovador: será "de código aberto". Ou seja, todos os pormenores do projecto serão doados à organização sem ânimo de lucro 40 Fires Foundation, e serão publicados na Internet, de maneira a que qualquer pequena empresa possa fabricar a sua própria versão introduzindo as melhoras ou alterações que julgue convenientes.

A ideia é que compartindo estas alterações que possam ir aparecendo pelos vários lugares, se consiga melhorar bastante o carro em pouco tempo, para além de que localmente poderão ser adaptadas versões específicas, com peças ou materiais locais. Seria como o Linux dos carros, qualquer fabricante poderá descarregar o projecto da Internet e produzi-lo, sem pagar nada por isso.

O modelo agora apresentado atinge os 80 Km/hora, e tem uma autonomia de 322 quilómetros para um depósito de uma quilograma, que contem uns 3 litros de hidrogénio (ou seja, apresenta um consumo aproximado de 106 quilómetros por litro). Está construído com materiais leves, apresentando um peso de somente 350 quilogramas.

A aceleração é de 0 a 50 quilómetros / hora em 5,5 segundos, graças a um sistema de células de combustível de 6 KW, da Horizon Fuel Cell Technologies, que utiliza ultra-condensadores e que recupera o 60% da energia dispendida na travagem, alimentando motores eléctricos em cada uma das 4 rodas. Os ultra-condensadores armazenam uma grande quantidade de energia eléctrica, que conseguem libertar quase instantaneamente, para produzir a aceleração necessária.

A previsão é de que o carro seja comercializado a partir de 2013, mesmo que o que ainda está em falta (e pretendem conseguir cidade a cidade, em cada uma das que fabriquem e comercializem o carro) é conseguir uma infra-estrutura suficiente para o fornecimento de combustível.

A empresa Riversimple foi fundada em 1999 pelo ex-piloto de corridas Hugo Spowers, e é apoiada pela Porsche.

Podem ver uma apresentação no vídeo a continuação:



Ver mais em The guardian ou na BBC.

8 de maio de 2009

Pode-se guardar um raio numa garrafa


Guardar raios em garrafas: o sonho de muitos

Resulta. Pode-se guardar um raio numa garrafa. Ou, mais exactamente, guardar, armazenar, electricidade no vidro da mesma. 

É cada vez maior a demanda de novos dispositivos capazes de armazenar mais energia, e portanto as investigações não param. Uns investigadores de materiais da Universidade Estatal de Pensilvânia, University Park, investigando o vidro industrial (mais resistente e duradouro do que o das janelas ou espelhos), descobriram que uma substância já conhecida, o boroaluminiosilicato de bário, utilizado nos ecrãs das televisões planas, pode guardar como condensador mais do dobro da electricidade que consegue guardar o polipropileno, que é o material mais habitual actualmente para os condensadores de grande capacidade.

Existem duas maneiras habituais de guardar a electricidade, baterias e condensadores. Na electrónica utilizam-se geralmente condensadores, por causa da sua capacidade para libertar a energia acumulada muito rapidamente. Por esse motivo utilizam-se também para os flashes de câmaras fotográficas, ou para o arranque dos motores a gasóleo. E ainda têm uma durabilidade de milhões de ciclos de carga e descarga, frente aos milhares de ciclos que suportam as baterias recarregáveis.

Segundo um dos autores do estudo, Nicholas Smith, a capacidade do vidro para guardar tanta carga eléctrica é de interesse primordial para os fabricantes de condensadores e outros dispositivos de armazenamento de energia, e acrescenta ainda que se trata de um material de baixo custe, quando a maior parte das investigações sobre este tema realizaram-se com materiais como polímeros especiais e nanocompostos, normalmente muito mais caros.

Ver mais em Science 

22 de abril de 2009

Quintas solares no espaço


Este poderia ser o futuro: energia solar captada no espaço e enviada à Terra por ondas

A NASA e o Pentágono estiveram a estudar a possibilidade de ter quintas solares orbitais desde os anos 60, e também desde essa altura muitos investigadores privados procuraram maneiras de viabilizar projectos de obtenção de energia solar desde o espaço, mas nenhuma se demonstrou viável até agora.

As vantagens deste tipo de empreendimento são evidentes: No espaço não há nuvens, nem ciclo de luz com dias e noites como na Terra, obtendo-se um fluxo de energia solar praticamente constante, pelo que os painéis espaciais poderiam fornecer energia continuamente.

As desvantagens seriam fundamentalmente enviar os painéis ao espaço e enviar a energia à Terra, tudo de maneira rentável.

Agora, una empresa recente, Solaren Corp, diz ter encontrado a solução, e vai pôr em órbita painéis solares com o intuito de comercializar a energia na Terra.

Pretendem transmitir à Terra a energia do Sol em ondas de radiofrequência, e depois converter na Terra a energia dessas ondas em electricidade. 

A perda energética na transmissão com estas ondas é menor do que a que existe nos fios terrestres que se usam agora. E, se juntarmos a isso a ausência de atmosfera, a estimativa é que a quantidade de energia obtida por um painel solar nestas circunstâncias seja 10 vezes maior do que a que obteria na Terra.

Neste momento, Solaren Corp. assinou já um acordo com a empresa Pacific Gas & Electric, abastecedora do norte da Califórnia, incluindo São Francisco, que contratou a compra de 200 MW. a partir do 2.016, que é quando pretendem ter começado a enviar a electricidade. 

De todas as maneiras, mesmo parecendo que entre a comunidade científica não há dúvida de que o projecto é factível, no entanto persistem bastantes dúvidas em relação à sua viabilidade económica, fundamentalmente por causa do investimento inicial necessário, para pagar os lançamentos dos foguetões que devem instalar os painéis solares no espaço, e que é qualquer coisa como alguns milhares de milhões de dólares.

Ver mais em The Guardian.

13 de abril de 2009

Micróbios para armazenar energia


Archeobacterias Methanospirillum, um dos tipos que mais metano produz

As energias renováveis, produtoras de electricidade, enfrentam um problema que tende a agravar-se com a sua expansão: nos períodos de menor demanda, se não se consome toda a electricidade produzida, a mesma não pode ser armazenada.

Uma equipa de engenheiros da Universidade do Estado de Pensilvânia (Penn State), nos Estados Unidos, descobriu uns micróbios do reino Archaea que a partir de dióxido de carbono e água podem produzir metano, através da adição de electricidade, e sem emissão de hidrogeno, obtendo assim uma fonte de hidrocarbonetos portátil, e teoricamente neutra em relação à fixação ou emissão de carbono.

Os microrganismos metanogénicos produzem metano em lixeiras e zonas pantanosas, mas os científicos pensavam que estes organismos convertiam materiais orgânicos, como o acetato, em metano, emitindo também hidrogeno. No entanto, estes investigadores, ao tentar produzir hidrogeno nas células por electrólise microbiana, encontraram uma produção de metano muito superior ao esperado.

Toda a geração de metano que ocorre na natureza, e que assumimos que se produz em conjunto com emissão de hidrogeno, pode ser que não seja processada assim, disse Bruce E. Logan, professor de engenharia ambiental da Penn State. Realmente encontramos muito pouco hidrogeno em fase gasosa na natureza. Talvez assumimos que o hidrogeno estava a ser sintetizado, quando não era assim.

Logan, em colaboração com Shaoan Cheng, investigador associado, Defeng Xing, investigador de posdoutoramento, e Douglas F. Call, estudante de posgraduação de engenharia ambiental, confirmaram que os organismos microscópicos produziram o metano. Os investigadores criaram uma célula de duas câmaras com um ânodo submerso na água num lado da câmara e um cátodo na água, e nutrientes inorgânicos e dióxido de carbono no outro lado da câmara. Aplicaram uma tensão, mas só durante um minuto. Depois recobriram o cátodo com um filme biológico de Archaea, os microrganismos objecto de estudo, e não só houve fluxo de corrente no circuito, mas também as células produziram metano.

A única maneira de chegar a ter corrente com a voltagem utilizada é que os micróbios estejam directamente a aceitar electrões, disse Logan. E assinala também que a reacção electroquímica se desenvolve sem nenhum tipo de catalizadores e com um nível de energia menor do que o necessário para a conversão de dióxido de carbono em metano utilizando métodos convencionais, não biológicos.

Estas células obtêm uma eficiência do 80 por cento na passagem de electricidade a metano, e como utilizam dióxido de carbono como matéria prima, o processo viria a ser neutro em relação ao carbono se a electricidade provêm de uma fonte diferente dos hidrocarbonetos, como a solar ou a eólica.

O processo não sequestra carbono, mas transforma o dióxido de carbono em combustível, disse Logan. Se o metano se queima e o dióxido de carbono é capturado, então o processo pode ser neutro em relação à fixação ou emissão de carbono.

Logan sugere para os casos de excesso de electricidade pontual (nos momentos de menor demanda) o método de captura em um combustível transportável. E considera que o metano é preferível ao hidrogeno, porque uma grande parte das infra-estruturas actuais de gestão de hidrocarbonetos poderiam facilmente transporta-lo.