Aureus

Com este blog pretendo mostrar os últimos acontecimentos científicos, de maneira a ficarmos à par do que pôde ser feito pelos científicos neste momento, e dos últimos descobrimentos, e ao mesmo tempo oferecer curiosidades, engraçadas ou simplesmente esquisitas, do âmbito da ciência. Isto sempre numa linguagem acessível para todos, sem grandes complicações.
Lembrem-se que eu escrevo a estrutura, mas a vida do blog, o movimento, são os vossos comentários. Façam-os. Qualquer coisa que queiram, fico à vossa disposição.

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16 de setembro de 2009

A estrada eléctrica

Aspecto das estradas de paineis solares


Ouve-se falar neste assunto há já algum tempo. Há uns meses um amigo, o Alberto, falou-me de uma ideia que tinha tido em relação a estradas com painéis solares, aproveitando a superfície, bastante grande e (quase) sempre perfeitamente descoberta e recebendo raios solares, e como tinha ele pensado que se poderiam fazer viáveis, e inclusive um pequeno diagrama incluindo conceitos de magnetismo para recarregar carros eléctricos em andamento. Tudo isto obviamente em conversa informal, discutindo alguns dos aspectos e passando um bom bocado.


Alguns meses depois, vejo esta noticia da que agora falo, e acho engraçada a semelhança. Isso sim, neste caso é um projecto sério e em andamento. Claramente, o que faz falta para evoluir é, fundamentalmente, ideias.


E a noticia, lida na BBC, y reproduzida também no iOnLine e outros lugares, é a seguinte: Há uma empresa nos Estados Unidos, Solar Roadways, que apresentou um projecto para construir estradas com painéis solares de 4 x 4 metros. Estes painéis, para além de obter a energia solar, teriam ainda integrados LEDs para visualizar sinalização horizontal na estrada, ou os riscos separadores, assim como um sistema de aquecimento que faria com que a própria estrada derretesse a neve e o gelo no inverno. Ainda, evidentemente, não se utilizaria o betume para as estradas, sendo este um derivado do petróleo muito contaminante.


Cada painel teria a capacidade de produzir 7,6 quilovátios / dia, o que vem a supor que se fossem implementados em todo o país, a electricidade gerada seria 3 vezes superior ao consumo total dos Estados Unidos (e bastante próxima ao consumo mundial total). O problema, como sempre, é o custo: cada painel actualmente vai custar uns 10.000 dólares, e para cobrir as estradas dos Estados Unidos iam fazer falta uns 5.000 milhões de painéis, logo, façam a conta.


Mas o director do projecto acha que, apesar do elevadíssimo custo inicial, a rentabilidade está assegurada a longo prazo, pelo que o considera viável. E 
o Departamento de Transporte dos Estados Unidos realizou um contrato com esta empresa atribuindo-lhe  100.000 dólares para que continue a desenvolver o protótipo do painel solar, que deve ser resistente à circulação de veículos, pelo que parece que a empresa demonstra credibilidade suficiente. Segundo a empresa responsável, a primeira fábrica produtora destes painéis entrará em funcionamento de aqui a 2 anos, e produzirá painéis que serão instalados em estacionamentos, numa primeira fase, de forma experimental.

22 de julho de 2009

Desertec: A electricidade vinda do Sara



Projecto Desertec: Amplie a imagem (clique) para ler as legendas


O Desertec é um projecto enorme de obtenção de energia solar no Sara para a União Europeia, o Médio Oriente e o Norte de África (EUMENA, das siglas em inglês).


Este é um projecto já aprovado, que conta com empresas como a Siemens ou o Deutsche Bank, e com um orçamento de 400 mil milhões de euros, o que faz com que muitos o acusem de megalómano e não realista.


O Desertec possui um site bastante explicativo do projecto, que recomendo, onde indicam, entre muitos outros dados, que os desertos do mundo recebem cada 6 horas mais energia solar do que a que a humanidade toda consome cada ano. Aliás, podem verificar na imagem inicial, obtida do site da Desertec, qual a superfície estimada de deserto necessária para obter a energia total utilizada pela humanidade, ou pelos Estados Unidos, ou pela EUMENA, entre outros.


Obviamente não podem ser feitas plantas tão grandes, nem estrategicamente seria aconselhável, mas dá uma ideia audaz do reservatório de energia que é o deserto.


A intenção é fazer muitas plantas solares distribuídas por várias zonas de vários países do deserto. O financiamento e a direcção seriam fundamentalmente europeias (alemãs principalmente), mas a distribuição de energia seria para todos os países do projecto, e a intenção é obter 15% da energia da EUMENA a partir do projecto Desertec em 2050.


Podem obter aqui o Livro Vermelho do projecto Desertec, em PDF em inglês. 

29 de maio de 2009

O cemitério solar: aproveitamento de novos espaços


Cemitério de Santa Coloma, com os painéis solares

Não se trata de uma notícia recente, mas por acaso li-a recentemente na BBC, e achei o conceito muito interessante.

A energia solar é uma energia limpa, que já se produz de maneira rentável, mas que tem o inconveniente de encontrar um espaço adequado onde colocar os painéis. Numa zona tão urbanizada como Santa Coloma del Gramenet, perto de Barcelona, Espanha, não é fácil encontrar este espaço. E segundo Esteban Serret, responsável de Live Energy, empresa que gere o projecto, lembraram-se duma ideia: O cemitério.

A câmara gostou da ideia, por causa da falta de espaços abertos na cidade, e puseram-na em prática.

É evidente que todo o processo foi desenvolvido com grandes cuidados, tentado não incomodar os visitantes, e procurando o mínimo impacto visual, uma vez que estamos a falar de um local sumamente sensível.

Segundo Begoña Bellete, encarregada do Meio Ambiente da Câmara de Santa Coloma, como há que levar em conta a situação na que se encontram as pessoas que visitam o lugar, houve que sacrificar uma orientação mais ideal das placas por uma que não incomodara os seus utilizadores.

Desenharam-se ainda painéis solares especificamente para que se integrassem em harmonia com a arquitectura do recinto, de maneira que quase não se notam no cemitério, e nem sequer são visíveis desde fora.

Segundo a empresa instaladora, que demorou 3 anos a finalizar o projecto (esta a funcionar desde Novembro do 2008), poderiam ter chegado a obter até 600 Kw, mas devido à disposição dos nichos, e para não levantar mais (e fazer mais visíveis) os painéis solares, o máximo que prevêem obter é 400 Kw. As 462 placas que entraram em funcionamento no último Novembro produzem uns 100 Kw.

A empresa estima que devem amortizar o investimento inicial de 740.000 euros em 10 anos aproximadamente, e Serret indica que a produção actual supõe ainda a poupança de umas 65 toneladas de CO2 por ano (umas 4.600 árvores), ou, visto de outra maneira, o consumo energético de umas 60 famílias de nível médio.


16 de maio de 2009

Novo computador ecológico: é reciclável e utiliza energía solar


iUnika Gyy, o novo ultraleve ecológico

A empresa espanhola iUnika apresentou o 13 de Maio no encontro Libremeeting 2009, organizado pela Free Knowledge Foundation (FKF) em Madrid, o Gyy, um computador portátil, ecológico e barato até onde é possível.

Entre as características do computador podemos destacar as suas 700 gramas, 4 horas de autonomia ou as 25 cores diferentes em que se apresenta. É um computador ultraleve, como outros que estão a ficar na moda, com 22 x 16 cm. de tamanho e ecrã de 8 polegadas.

Mas o que é verdadeiramente especial neste é que tem, nalgumas das suas versões, placas solares para recarregar a bateria enquanto se está a trabalhar, aumentando muito a sua autonomia, e que a sua estrutura foi construída com materiais totalmente biodegradáveis: amido, farinha de milho e celulose, formando um bioplástico que suporta até 85 graus de temperatura.

Ainda, fazem finca-pé no facto de ser livre, ou seja, de que não utiliza software comercial, só utiliza software livre com licença GNU, desenvolvido no seu laboratório de Madrid.

A empresa, dirigida por Ángel Blanco e Pablo Machón, desenvolve em Madrid o software, fabrica na China os computadores, e tem a sua sede e o departamento comercial em Hong Kong.

E, finalmente, o que tal vez seja o mais atractivo deste novo computador, que vai ser posto à venda em Junho se tudo correr bem, por um preço de 130 euros.

Segundo Ángel e Pablo, a margem de lucro é mínima, mas neste momento é mais importante para eles potenciar a marca, faze-la conhecida no mercado.

22 de abril de 2009

Quintas solares no espaço


Este poderia ser o futuro: energia solar captada no espaço e enviada à Terra por ondas

A NASA e o Pentágono estiveram a estudar a possibilidade de ter quintas solares orbitais desde os anos 60, e também desde essa altura muitos investigadores privados procuraram maneiras de viabilizar projectos de obtenção de energia solar desde o espaço, mas nenhuma se demonstrou viável até agora.

As vantagens deste tipo de empreendimento são evidentes: No espaço não há nuvens, nem ciclo de luz com dias e noites como na Terra, obtendo-se um fluxo de energia solar praticamente constante, pelo que os painéis espaciais poderiam fornecer energia continuamente.

As desvantagens seriam fundamentalmente enviar os painéis ao espaço e enviar a energia à Terra, tudo de maneira rentável.

Agora, una empresa recente, Solaren Corp, diz ter encontrado a solução, e vai pôr em órbita painéis solares com o intuito de comercializar a energia na Terra.

Pretendem transmitir à Terra a energia do Sol em ondas de radiofrequência, e depois converter na Terra a energia dessas ondas em electricidade. 

A perda energética na transmissão com estas ondas é menor do que a que existe nos fios terrestres que se usam agora. E, se juntarmos a isso a ausência de atmosfera, a estimativa é que a quantidade de energia obtida por um painel solar nestas circunstâncias seja 10 vezes maior do que a que obteria na Terra.

Neste momento, Solaren Corp. assinou já um acordo com a empresa Pacific Gas & Electric, abastecedora do norte da Califórnia, incluindo São Francisco, que contratou a compra de 200 MW. a partir do 2.016, que é quando pretendem ter começado a enviar a electricidade. 

De todas as maneiras, mesmo parecendo que entre a comunidade científica não há dúvida de que o projecto é factível, no entanto persistem bastantes dúvidas em relação à sua viabilidade económica, fundamentalmente por causa do investimento inicial necessário, para pagar os lançamentos dos foguetões que devem instalar os painéis solares no espaço, e que é qualquer coisa como alguns milhares de milhões de dólares.

Ver mais em The Guardian.

23 de março de 2009

Células solares imprimíveis, flexíveis e baratas


Impressão de células solares em polímeros

Estão-se a desenvolver novas células solares, plásticas, imprimíveis, flexíveis e baratas, fabricadas em rolos. Pretende-se que estas células se possam imprimir sobre polímeros, de maneira semelhante à impressão de notas.

Neste momento há uma empresa, Securency International, especializada na impressão de dinheiro, que está a desenvolver provas de impressão com estas células solares.

A ideia é produzi-las em massa, fazendo-as mais baratas, e depois instala-las em telhados de edifícios e outras superfícies amplas.

Ainda se está a desenvolver esta tecnologia (o projecto encontra-se agora a meio do caminho, aproximadamente), mas as perspectivas são muito boas, e espera-se que se possam instalar painéis impressos em telhados, experimentalmente, num curto espaço de tempo. De facto, as provas de impressão já começaram, 6 meses antes da previsão.

Este projecto está a ser desenvolvido por um consórcio, VICOSC, no que se juntam universidades e industria, havendo investigadores da Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation (CSIRO), da universidade de Melbourne, da universidade de Monash, e das empresas Securency, BP Solar, Bluescope Steel e Merck.

Este tipo de união, sempre desejável, vem a reforçar a indicação de que a indústria o considera viável, e não uma hipótese remota.

Se o desenvolvimento for o previsto, esta investigação poderia levar à industria Australiana a liderar nos componentes electrónicos imprimíveis, uma tecnologia à que se prevê um brilhante futuro.

Ver mais em Scitech News