Aureus

Com este blog pretendo mostrar os últimos acontecimentos científicos, de maneira a ficarmos à par do que pôde ser feito pelos científicos neste momento, e dos últimos descobrimentos, e ao mesmo tempo oferecer curiosidades, engraçadas ou simplesmente esquisitas, do âmbito da ciência. Isto sempre numa linguagem acessível para todos, sem grandes complicações.
Lembrem-se que eu escrevo a estrutura, mas a vida do blog, o movimento, são os vossos comentários. Façam-os. Qualquer coisa que queiram, fico à vossa disposição.

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24 de abril de 2009

Encontraram o avô do T. rex


T. rex, o grande predador do Cretáceo

Em relação ao Tyrannosaurus rex, o gigantesco tiranossauro que foi o vértice da pirâmide alimentar, o depredador supremo, durante milhões de anos, sabemos bastante. Ou pelo menos temos muitos fósseis dessa época, há uns 65 milhões de anos, pouco (relativamente) antes do extermínio total dos grandes sáurios junto com o 60% das espécies de animais que existiam. De facto, eles foram os últimos animais dominantes antes dessa grande hecatombe.

Mas, em relação à sua procedência evolutiva, havia uma grande falta de fósseis nos 50 milhões de anos anteriores, e os únicos antecessores conhecidos do T. rex, muito mais pequenos, viveram no Barremiano, um período do Cretáceo inferior, há entre 130 e 125 milhões de anos.

Mas uma descoberta recente de fósseis na China poderia mudar isto: Perto da cidade de Jiayuguan, encontraram restos que pertencem a outra espécie de tiranossauro, baptizada como Xiongguanlong baimoensis, e que tem uns 105 milhões de anos de antiguidade.

Estes fósseis, tal como publicaram em Proceedings B, poderiam corresponder ao elo perdido na evolução do T. rex, o parente que o une aos seus antepassados muito mais pequenos.

Segundo os científicos, os fósseis mostram os primeiros sinais das características que se fizeram muito acentuadas nos tiranossauros posteriores: o crânio com formato de caixa, ossos reforçados nos parietais que podiam suportar grandes músculos mandibulares, dentes frontais modificados e uma coluna vertebral muito mais forte para suportar a cabeça.

Mas também mostra características que estão ausentes em outros tiranossauros mais antigos, como um focinho comprido e estreito.

Este avô do T. rex era bastante mais pequeno, mas não tanto como os fósseis do Barremiano: Um indivíduo adulto devia medir uns 1,5 metros de altura até ao quadril (é a maneira normal de medir a estes animais), e devia pesar perto de 250 quilos.

De todas as maneiras, o neto foi bastante mais crescido, chegando o T. rex aos 4 metros de altura até ao quadril e a mais de 5 toneladas.

Mais informação na BBC.

20 de abril de 2009

Os homens aprenderam dos hobbits


Afinal, Tolkien devia ter alguma razão...

Na ilha de Flores, na Indonésia, habitavam os hobbits. Ou o Homo floresiensis, um hominídeo de aproximadamente um metro de altura, e com o cérebro do tamanho de uma toranja, aproximadamente, ao que muitos antropólogos chamam o hobbit.

Recentemente, Mark Moore, arqueólogo da Universidade de Nova Inglaterra em Armidale, Austrália, e os seus colegas estudaram 11.667 ferramentas de pedra recuperadas da cova Liang Bua em Flores. As escavações descobriram na cova ossos de hobbit em camadas de há entre 17.000 e 95.000 anos. Estes encontram-se todos por baixo de um sedimento de resíduos vulcânicos com 12.000 anos. E, por cima deste sedimento, a 11.000 anos e menos, os investigadores encontraram sepulturas do Holoceno do Homo sapiens junto com mais ferramentas.

A equipa de Moore analisou as formas e posições das lascas nas ferramentas, e as zonas dos golpes, tentando determinar como foram fabricadas as mesmas. E, tal como publicaram em Journal of Human Evolution, chegaram à surpreendente conclusão de que foi utilizada a mesma maneira simples e primitiva de produção de ferramentas durante os 100.000 anos representados nas escavações da cova.

Moore concluiu que provavelmente o hobbit, H. floresiensis, fez as ferramentas mais antigas, uma vez que se supõe que o homem moderno alcançou as ilhas da Indonésia há uns 45.000 anos ou pouco antes, e algumas das ferramentas têm até 100.000 anos. E sugere também, visto que são absolutamente semelhantes desde as mais antigas até as mais modernas, que deve ter havido contacto entre as duas espécies de hominídeos, e o Homo sapiens deve ter copiado o processo de fabrico das ferramentas ao hobbit.

Há outros antropólogos que discutem este ponto, especulando sobre a convergência fortuita entre o processo de fabrico de ferramentas duma e da outra espécies, mas Moore, depois do análise detalhado do processo de fabrico das ferramentas, diz que seria ainda mais surpreendente que, se não são processos copiados um do outro, fossem tão absolutamente idênticos.

Ver mais em Science.

19 de abril de 2009

Os cavalos foram domesticados há mais de 5.000 anos



Cavalo semi-salvagem nos Pirinéus



Um grupo de investigadores do Museu Carnegie de Historia Natural de Pittsburgh, Estados Unidos, e das universidades de Exeter e Bristol no Reino Unido, descobriram a evidência de que os cavalos foram domesticados no Cazaquistão, já há uns 5.500 anos, 2.000 antes do que na Europa e 1.000 antes do que se julgava até agora.




Estes cavalos deviam servir como médio de transporte, método de obtenção de leite (ordenhavam-nos) e de carne. No seu conjunto, o impacto social deve ter sido de grande importância, porque lhes dava grandes vantagens sobre os outros grupos sociais.



Cazaquistão, na Ásia Central, é o nono maior país do mundo, e o maior sem mar, com extensas e quase áridas estepes muito ricas em cavalos na zona norte do país. Os dados recolhidos pelos arqueólogos apoiam a hipótese de que a domesticação dos cavalos contribuiu em boa medida para o desenvolvimento das culturas Botai na região norte e central do Cazaquistão, e Tersek na oeste.


A equipa de investigação empregou varias técnicas para descobrir que os cavalos proporcionavam carne e leite, para demonstrar que os cavalos domésticos diferiam dos selvagens da mesma região, e para provar que os cavalos já eram montados no quarto milénio antes de Cristo nesta zona.


Entre outras técnicas, os investigadores utilizaram um novo método de análise de resíduos de gordura solúvel em lipídeos encontrados em antiga cerâmica Botai para encontrar rastos de gorduras do leite de cavalo, o que conduz à conclusão de que as pessoas consumiam o leite de cavalo já nos inícios da Idade de Cobre, há uns 5.500 anos.



O leite de égua continua a ser um alimento básico de consumo no Cazaquistão, onde geralmente é ligeiramente fermentado para fazer uma bebida alcoólica tradicional chamada «kumis»


Também estudaram os ossos para demonstrar que o formato dos cavalos domésticos da idade do bronze é igual ao dos actuais, mas diferente doutros selvagens, mais antigos.



E ainda investigaram nos ossos as possíveis marcas e pequenas lesões dos adereços nos cavalos, o que vêm a demonstrar que os montavam.


É obvio que a domesticação dos cavalos deve ter tido importantes repercussões sociais e económicas, introduzindo avances nas comunicações, no transporte, na produção de alimentos e na potência militar. Por isto, estes novos achados são especialmente importantes porque mudam a perspectiva que os arqueólogos tinham sobre como se desenvolveram estas sociedades.




11 de abril de 2009

Os escorpiões realmente preferem as zonas áridas


Os escorpiões preferem sempre os climas áridos

Sabemos que a resistência às altas temperaturas e a capacidade de conservar a água durante longos períodos de tempo, confere aos escorpiões a possibilidade de prosperar nas zonas mais quentes e áridas do mundo. Mas, esta distribuição global pode ser observada também a nível local? E ainda, podendo estar num clima mais suave, irão preferi-lo?

O estudante de mestrado Shmuel Raz e os seus colegas da Universidade de Haifa, em Israel, apresentaram um relatório no número de Abril da revista de livre acesso PLoS ONE no que demonstram que é esse o caso, inclusive quando temos um habitat tipo europeu e outro tipo africano separados por não mais do que 100 metros.

Faço aqui um aparte para recomendar esta revista, PLoS ONE, assim como a iniciativa que a sustenta, em relação à sua intenção de distribuir e fomentar gratuitamente a ciência entre os seres humanos.

Shmuel Raz e os seus colegas estudaram as comunidades de escorpiões num vale perto do Monte Carmelo, em Israel, que foi denominado Evolution Canyon. Este vale tem fortes inclinações e a sua disposição é aproximadamente de leste a oeste, o que significa que a encosta virada a sul pode receber até oito vezes mais radiação solar do que a orientada ao norte. Portanto, apesar de idênticas em relação à geologia e clima, uma encosta apresenta habitat africano, tipo savana árida, enquanto a outra apresenta um viçoso mato rasteiro, mais europeu, estando separadas ambas encostas por uma estreita faixa que facilmente pode ser atravessada pela maior parte dos animais, incluindo os escorpiões.

Os investigadores recolheram cerca de 200 indivíduos de seis espécies diferentes de escorpiões neste vale. Quatro das espécies foram encontradas em ambas encostas do vale, mas as outras duas só foram encontradas no lado “africano” do mesmo.

Ainda, no total, o lado “europeu” apresentava um 30% menos de escorpiões que o “africano”. Portanto, apesar da facilidade de movimento entre as duas encostas do vale, as adaptações dos escorpiões às condições áridas e as suas preferências determinaram que houvesse uma maior abundância na zona virada a sul, a encosta “africana”.

As diferenças na diversidade de espécies entre as encostas viradas a norte e a sul foram observadas também em outros grupos animais, e em bactérias, fungos e plantas, o que indica que as pressões ambientais provocadas por factores tais como a quantidade de sol, a temperatura e a pluviosidade, tanto individualmente como combinados, podem actuar muito localmente introduzindo mudanças na biodiversidade global.



8 de abril de 2009

Coral negro: O mais antigo organismo marinho vivo


Coral negro, um organismo vivo com mais de 4.000 anos

Investigadores do Laboratório Nacional Lawrence Livermore (LLNL) dos Estados Unidos, da Universidade de Stanford e da Universidade da Califórnia em Santa Cruz encontraram dois grupos de corais de alto mar no Hawaii muito mais velhos do que todos os anteriormente registados.

Coral Dourado
Aliás, estes corais, encontrados a cerca de 400 metros da costa das ilhas havaianas, podem ser os mais antigos organismos vivos marinhos conhecidos.

Os investigadores Tom Guilderson e Stewart Fallon utilizaram a datação com carbono 14, para determinar as idades de Geradia sp. (coral dourado), assim como espécimes de coral negro de águas profundas, Leiopathes sp. A maior idade determinada foi de, respectivamente, 2.740 anos e 4.270 anos.

Com mais de 4000 anos, os corais negros de águas profundas são o mais antigo organismo marinho conhecido. E, para bem do nosso conhecimento, o mais velho organismo colonial encontrado até agora, disse Guilderson. Com base no carbono 14, os pólipos vivos têm apenas alguns anos, ou pelo menos o seu carbono como matéria viva, mas eles têm sido constantemente substituídos ao longo de séculos ou milénios, enquanto iam crescendo os seus esqueletos por baixo.

A técnica do carbono 14 é a ferramenta geocronológica mais utilizada para os últimos 50.000 anos, e os estudos com esta técnica em corais dourados do Atlântico e do Pacífico tinham determinado para estes corais idades entre 1.800 e 2.740 anos, mas alguns biólogos duvidavam de que não pudesse haver corais novos sobre outros sedimentos mais velhos.

Para responder a estas questões, o grupo analisou não só pólipos (os animais vivos que compõem os corais), mas ramos de alguns especímenes. Os animais vivos tiveram a mesma concentração de carbono 14 do que a água superficial, o que demonstra que o carbono foi fotossintetizado recentemente na superfície antes de ser “comido” pelos pólipos. O esqueleto (ramo do coral) mostra uma concentração de carbono 14 que se assemelha à que tinha a superfície da água desde o final dos anos 1950, quando os testes de armas nucleares aumentaram a abundância natural do carbono 14 na atmosfera.

A taxa de crescimento radial, durante os últimos 50 anos, é semelhante à taxa de crescimento nos 300 anos anteriores dos ramos, e é consistente também com as verificadas em muitas amostras fósseis. Aliás, é semelhante para todas as amostras analisadas. No coral dourado, determinou-se que um ramo de 11 milímetros de rádio tem uns 900 anos, enquanto um com 38 mm. de rádio atinge aproximadamente 2.700 anos.

Estas idades indicam uma longevidade muito superior à de estimativas anteriores, disse Guilderson. E só analisaram alguns ramos, pelo que não pode ser determinada a idade do indivíduo completo.

Os corais de alto mar do Hawaii enfrentam ameaças directas e imediatas, como a recolha de corais para jóias e a pesca com arrastões de fundo, para além de que a estreita relação dos corais com a superfície do mar faz com que estes se vejam rapidamente afectados por mudanças nesta, tanto naturais como as provocadas pelo homem, como a acidificação dos oceanos, o aumento da temperatura ou outros, pelo que se encontram em grave perigo.

A antiguidade do coral é mais um motivo para reforçar a protecção dos habitats do alto mar, que tanto se desrespeita muitas vezes, especialmente em águas internacionais.

Ver mais em Sci-Tech



2 de abril de 2009

O animal mais venenoso: Rã dardo venenoso dourada


Rã dardo venenoso dourada, Phyllobates terribilis, o animal mais venenoso do mundo

Se falamos de animais venenosos, lembrámo-nos rapidamente de
serpentes, aranhas e escorpiões.

Temos exemplos claros disso mesmo, como a serpente taipan, da Austrália, a mais venenosa do mundo: uma mordidela sua tem suficiente veneno para matar até 100 pessoas.

Outro exemplo é a aranha armadeira ou aranha da banana, que mata em
poucas horas, ou o escorpião perseguidor da morte, africano, que causa a morte com bastante probabilidade.

No entanto, outros animais não tão relacionados por nos com o veneno podem concorrer com estes, como o
um bonito animal com neurotoxinas mortais, cuja mordedura quase não se nota, até sentirmos os músculos relaxados, e deixarmos de respirar...

Ou a vespa-do-mar, uma alforreca ou medusa, do Pacífico, mais fácilmente encontrada perto da Australia, com tentáculos de até 3 metros, e que mata a uma pessoa em... 2 minutos!

Ou o peixe pedra, sempre escondido, mal se vê, na costa australiana onde mora, entre os corais, mas com 13 espinhas
que, por contacto, matam qualquer animal que se aproxime o suficiente. Incluídos os humanos. Parece que de facto Australia é um bom lugar para animais venenosos. Este peixinho é o segundo mais venenoso dos apresentados até agora, só superado pela taipan.


Mas, em primeiro lugar, mais venenosa que os outros todos, temos uma rãzinha, a dardo venenoso dourada, da América central e do Sul, com um venenozinho na pele que é obra: duas microgramas, que cabem na cabeça de um alfinete, matam por contacto (por contacto, não é necessário ingerir) um mamífero médio o grande. Ou seja, uma vaca, ou uma pessoa.

Fala-se de casos de cães e galinhas que morreram por ter passado por cima de folhas pelas que tinha passado a nossa rã. Com 2 centímetros e meio de tamanho, calcula-se que tem veneno suficiente para matar 1.500 pessoas. Sabem de onde vem o seu nome? Os indígenas passam as pontas das suas setas ou dardos por cima dela, pela sua pele, para depois caçar com estas setas envenenadas.

É pequena e bonita, mas, quem namora com ela?



30 de março de 2009

Um vírus incorporado no genoma, é um vírus?


A vespa parasita Cotesia preparando-se para depositar os seus ovos na lagarta Manduca caterpillar

O que é um vírus? Alguns científicos repensam a pergunta agora, devido a um trabalho apresentado por Donald Stoltz, professor de microbiologia e imunologia na Universidade Dalhousie em Halifax, Nova Escócia, Canadá, e James Whitfield, professor de entomologia na Universidade de Illinois, no que falam das diferentes maneiras nas que os vírus operam dentro e entre os organismos com os que interactuam, demonstrando novos tipos de relações.

A interacção entre uma vespa parasita, uma lagarta parasitada, e um vírus que passa de uma à outra, criou uma nova série de questões sobre a definição de vírus.

Este análise baseia-se nos resultados também recentes de um estudo dirigido desde a Universidade François Rabelais, em Tours, França, no que se comprovou que os genes que codificam o vírus que ajuda à vespa a parasitar de maneira eficaz às lagartas, existem também nos cromossomas das vespas. Estes genes, relacionados com os de outros vírus conhecidos, são uma parte indivisível da herança genética das vespas, sendo por isso transmitidos de uma geração de vespas à seguinte.

O mais assombroso sobre estes vírus é que o organismo no que se encontram incorporados no seu ADN os seus genes não é o mesmo organismo sobre o que tais genes actuarão. Desta maneira, é como se o vírus tivesse dois organismos receptores, mesmo sem que o vírus siga em nenhum deles um ciclo de vida completo: O vírus beneficia à vespa e depende dela para a sua própria sobrevivência, sugerindo com isso um género de mutualismo obrigatório que é pouco comum nos vírus. Ainda, nenhum deles poderia viver sem a lagarta.

Há mais de 40 anos que a comunidade científica sabe que algumas espécies de vespas parasitas injectam vírus deste género nas cavidades corporais das lagartas ao mesmo tempo que depositam os seus ovos nestas.

Como estes vírus se converteram numa parte essencial do genoma das vespas, alguns investigadores sugeriram que não devem seguir sendo considerados como tais. Os estudos futuros que se realizem na linha de investigação seguida por este recente análise poderiam ajudar a responder de maneira concludente a questão sobre se é correcta a maneira de definir os vírus.

A relação estreita entre varias espécies, mais conhecida com bactérias, não era até agora aplicada aos vírus. Mas não podemos esquecer a importante função que muitos destes minúsculos seres realizam, como a degradação da celulosa pelos ruminantes (são bactérias, fungos e protozoos, não os herbívoros, quem a realiza), ou, no caso extremo (e de fusão absoluta), os produtores de energia por excelência dos seres vivos eucariotas: as mitocondrias, antigas bactérias segundo as actuais teorias.

Por tanto, não devemos desprezar os seres microscópicos, nem esquecer que os prejudiciais para nos são uma parte ínfima das espécies existentes, e que são, geralmente, muito mais antigos, e eficientes, do que nos.



28 de março de 2009

O fóssil impossível: Polvo do Cretácico, com tinta e ventosas


Keuppia levante, uma das novas especies descobertas

Novos descobrimentos de fósseis com 95 milhões de anos, demonstram que a origem dos modernos polvos é muito anterior ao que se pensava. Estes fósseis são muito pouco frequentes, uma vez que as possibilidades de que o corpo do polvo, uma vez morto, dure o suficiente como para que fossilize são muito remotas, devido às características naturais do corpo.

Os polvos, animal bem conhecido, não possuem esqueleto interno bem desenvolvido, o que lhes permite deslizar-se por espaços que um vertebrado não poderia. Mas é isto mesmo o que praticamente impede a fossilização do seu corpo, e o que faz muito mais difíceis as investigações evolutivas sobre os mesmos.

O seu corpo está composto praticamente na sua totalidade pela pele e os músculos, pelo que quando morre se degrada rapidamente, convertendo-se numa massa gelatinosa da que em poucos dias não ficará absolutamente nada, mesmo sem contar com os animais que comem os corpos mortos. De facto, nenhuma de entre as 200 e 300 espécies de polvos que se conhecem foi encontrada fossilizada. Até agora.

Um grupo de paleontólogos identificou recentemente três novas espécies de polvo fósseis, descobertas em rochas do Cretácico no Líbano. As cinco amostras, que se descrevem no último número da revista Palaeontology, têm 95 milhões de anos, mas, surpreendentemente, preservam os seus oito tentáculos, com pegadas dos músculos e as características filas de ventosas. Inclusive algumas amostras apresentam os rastos da tinta e das brânquias internas. Estes são fósseis sensacionais, extraordinariamente bem conservados, afirma Dirk Fuchs da Universidade Freie de Berlim, autor principal do relatório. Mas o que mais surpreendeu aos científicos é as semelhanças que há entre estes fósseis e os exemplares modernos: Estas coisas têm 95 milhões de anos, e no entanto um dos fósseis é quase indistinguível de espécies vivas.

Isto proporciona importante informação evolutiva. Os parentes mais primitivos dos polvos tinham barbatanas carnudas ao longo dos seus corpos. Os novos fósseis estão tão bem conservados que se verifica que, tal como os actuais polvos, não tinham essas estruturas. Isto empurra as origens do polvo moderno umas dezenas de milhões de anos para trás, e mesmo isto sendo cientificamente importante, tal vez o mais notável em relação a estes fósseis é que, simplesmente, existem.

Ver mais em sci-tech.

21 de março de 2009

Evolução das plantas: Revêem mil milhões de anos


Calliarthron cheilosporioides, uma alga vermelha com lignina

As plantas erguem-se, na terra firme, graças (entre outras substâncias) à lignina. As algas não precisam dela, nem a têm (ou isso se julgava), porque se apoiam na água para se suster. A lignina é um componente principal da madeira, é como uma cola que ajuda a fortificar as paredes celulares, e é essencial para o transporte da água em muitas plantas terrestres.

Por tanto, o aparecimento da lignina deveria ser um dos factores cruciais para a colonização da terra firme pelas plantas. Mas agora descobriu-se uma alga marinha com lignina: a Calliarthron cheilosporioides, uma alga vermelha, possui esta substância nas suas paredes celulares.

Todas as plantas terrestres evoluíram a partir das algas verdes, e os científicos sempre acreditaram que a lignina tinha aparecido quando as plantas começaram a colonizar a terra, como um mecanismo de adaptação para estabilizar o crescimento vertical e para assegurar o transporte de água desde as raízes.

Como provavelmente as algas verdes e vermelhas divergiram há mais de mil milhões de anos, o descobrimento de lignina numa alga vermelha sugere que a maquinaria básica para produzir lignina pôde ter existido muito antes de que as algas colonizassem a terra, pelo que investigam agora quais outras funções poderá desenvolver esta substancia nas algas.

A hipótese de que se tivesse desenvolvido a lignina por separado em diferentes momentos nas algas verdes e nas vermelhas foi rejeitada pelos investigadores, devido à complexidade das rotas metabólicas, os genes e os enzimas implicados na elaboração desta substância.

Este estudo foi efectuado por especialistas da Universidade da Columbia Britânica, no Canadá, e da Universidade de Stanford, Estados Unidos, entre outros, sendo o seu autor principal Patrick Martone, e foi publicado na revista Current Biology.

Ver mais em Scitech News

19 de março de 2009

Golfinhos: Navegação por sonar em estéreo


Golfinhos, belugas e cachalotes têm sonar. E em duplicado.

Os biólogos há já muito tempo que sabem que os odontoceti, ou baleias com dentes, um grupo que inclui os cachalotes, belugas ou baleias brancas e golfinhos, navegam e caçam utilizando um sonar.

Até há pouco, os biólogos achavam que o sonar que utilizavam era como um par de faróis: trabalharia na direcção à que estivesse dirigida a cabeça. Mas em 2008, Patrick Moore, do Space and Naval Warfare Systems Command, um centro de investigação da marinha dos Estados Unidos em San Diego, Califórnia, junto com alguns colegas, descobriram que os golfinhos-comuns (Tursiops truncatus , o Flipper da serie de TV) podem varrer por ecolocalização uns 20º para qualquer um dos lados sem mexer a cabeça, mesmo que não pudessem determinar como conseguiam faze-lo.

A teoria agora desenvolvida postula que estes animais produzem dois sons, separados por um pequeno intervalo de tempo, o que lhes devolveria frequências diferentes para diferentes localizações espaciais, por causa das interferências nas ondas de som.

Assim, segundo o biólogo marinho Marc Lammers, do Hawaii Institute of Marine Biology da universidade do Hawaii, Kaneohe, os golfinhos e os seus parentes próximos poderiam utilizar o som para navegar direccionando o seu sonar mediante a fusão de dois pulsos conjuntos. É o equivalente acústico de mexer os olhos sem mexer a cabeça, indica o biólogo. 

Reforçando esta teoria, vai ser publicado um estudo neste verão, em Biology Letters. Este estudo, de Lammers e Manuel Castellote, do L'Oceanogràfic aquarium de Valencia, España, demonstra, colocando vários hidrófonos numa piscina com uma beluga, que ela emite dois pulsos de sonar, em intervalos de menos de um segundo de separação.

Os estudos anatómicos já tinham revelado que os odontoceti têm dois geradores de som ou lábios fónicos, como os baptizaram, mas não se sabia se os usavam alternativamente ou em simultâneo. Agora chegou a resposta: usam-nos consecutivamente, o que lhes permite ampliar a zona explorada.

Lammers especula também que os golfinhos desenvolveram esta capacidade de dirigir os seus pulsos sónicos como uma forma de ampliar o seu campo de visão acústico: Muitos dos golfinhos não podem mexer o pescoço, diz, e este sentido poderia lhes permitir “olhar” sem ter que reorientar os seus corpos inteiros

Lee Miller, um grande conhecedor dos biosonares da University of Southern Denmark, diz também que a orientação do feixe pode ser exclusiva das baleias dentadas. Os morcegos, que também utilizam o sonar para se orientarem, não deveriam estar em condições de faze-lo, diz, porque só têm um gerador de som: as suas cordas vocais.

Ver mais em Science.

13 de março de 2009

Confirmado: As baleias pariam em terra


Recriação a partir do esqueleto do macho de Maiacetus inuus

Já se pensava que era assim, mas descobriram uns fósseis que confirmam a teoria.

Encontraram dois fósseis, um de fêmea prenha no ano 2000, e outro de um macho no ano 2004, na mesma jazida, no Paquistão, que após um longo e meticuloso estudo dirigido pelo paleontólogo Philip Gingerich da Universidade de Michigan, confirmaram que as baleias pariam na terra firme, para além de acrescentar muitos outros dados sobre a transição entre a terra e o mar dos cetáceos.

Este é o primeiro fóssil conhecido de um feto de una baleia extinguida do grupo Archaeoceti, e os três exemplares determinam uma nova espécie, à que chamaram Maiacetus inuus, e que viveu há uns 47 milhões e meio de anos.

O feto apresenta características que vêm a confirmar que pariam em terra, como o facto de que está pronto para nascer de cabeça, como os mamíferos terrestres e ao contrário do que as modernas baleias.

O feto, ainda, apresenta um conjunto de dentes bem desenvolvidos, o que indicaria que desde recém nascidos poderiam sustentar-se por si próprios muito melhor do que os actuais durante as primeiras etapas da sua vida. 

Os grandes dentes que apresentam as baleias, ideais para capturar peixes, sugerem por sua vez que estes animais deviam viver fundamentalmente no mar, vindo à terra para acasalar e parir, e eventualmente para descansar, mas mais nada.

Tal como outras espécies do grupo Archaeoceti, a espécie Maiacetus inuus tinha quatro pés modificados para nadar, e ainda que estas baleias pudessem resistir o seu peso sobre as suas extremidades com formato de barbatanas, provavelmente não podiam percorrer grandes distâncias por terra.

O macho encontrado é semelhante anatomicamente à fêmea, mas um 12% maior e com dentes caninos um 20% maiores.

Estas não são características estranhas entre os cetáceos, onde há desde espécies em que as fêmeas são maiores até outras em que são maiores, por vezes muito consideravelmente, até, os machos.

Uma vez que o que se encontrou nesta espécie é uma diferença moderada, supõe-se que os machos não deviam controlar territórios nem dirigir haréns de fêmeas.


12 de março de 2009

Drácula existe. E vive nos rios da Birmânia


Fotografia dos dentes de osso de Danionella dracula

Encontrou-se aquele que poderia ser o único drácula real: um peixe de 17 milímetros de comprimento.

Sim, o peixe é muito pequeno, mas para os crustáceos e diminutos insectos dos que supostamente se alimenta deve ter um aspecto assustador.

Esta dieta é a habitual nas outras espécies da mesma família. Mas elas não possuem estes espectaculares apêndices dentários exclusivos, pelo que está a ser investigada agora qual poderá ser a sua fonte de alimento habitual.

Até porque das outras 3700 espécies da ordem dos cypriniformes (à que pertencem as carpas) nenhuma possui dentes, perderam-nos evolutivamente há uns 50 milhões de anos.

Este peixe foi descoberto num rio da Birmânia, em Abril do 2007, e enviado como peixe de aquário ao Museu de Historia Natural de Londres.

Após um ano, quando começaram a morrer, seguindo o processo normal de trabalho conservaram-nos e analisaram-nos, e então surgiu a surpresa.

E após a mesma novos análises, até que hoje, finalmente, um grupo de científicos deste museu confirmou numa publicação na prestigiosa revista Proceedings of the Royal Society B que se trata de uma nova espécie, à que baptizaram, como não podia ser de outra maneira, como Danionella dracula

Segundo Ralph Britz, zoólogo do Museu de Historia Natural de Londres, o peixe é um dos vertebrados mais extraordinários descobertos nas últimas décadas, uma vez que este peixe desenvolveu as suas próprias estruturas com dentes como os de Drácula, que cresceram a partir dos ossos da mandíbula.

Ver mais em El Mundo e BBC