Aureus

Com este blog pretendo mostrar os últimos acontecimentos científicos, de maneira a ficarmos à par do que pôde ser feito pelos científicos neste momento, e dos últimos descobrimentos, e ao mesmo tempo oferecer curiosidades, engraçadas ou simplesmente esquisitas, do âmbito da ciência. Isto sempre numa linguagem acessível para todos, sem grandes complicações.
Lembrem-se que eu escrevo a estrutura, mas a vida do blog, o movimento, são os vossos comentários. Façam-os. Qualquer coisa que queiram, fico à vossa disposição.

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21 de maio de 2009

Nova tecnología 5D: O DVD de 1,6 Terabytes


O novo disco com gravação 5D deveria ser semelhante a este DVD actual

Um grupo de investigadores da Swinburne University of Technology, da Austrália, publicou recentemente na revista Nature um novo método de gravação óptica com o que conseguem guardar até 1,6 terabytes (1 terabyte são 1024 gigabytes) num disco com o mesmo tamanho que os actuais DVD. Os investigadores que desenvolveram o sistema chamam-lhe gravação óptica em 5 dimensões, e utilizam para a gravação partículas nanométricas de ouro, aproveitando as especiais propriedades luminosas deste metal.

A ideia é utilizar, para além das 2 dimensões do espaço dos DVD actuais, também outras 3 dimensões: A espectral, ou das cores, a polarização, e a terceira dimensão do espaço, utilizando 10 camadas de nano-partículas para gravar nelas.

Assim, utilizam diferentes comprimentos de onda (que correspondem a diferentes cores) para gravar diferente informação na mesma localização (ou seja, no mesmo ponto, poderia haver uma informação em azul e outra em verde, por exemplo). Ainda, como a quantidade de luz laser absorvida por uma nano-partícula depende da polarização, poderiam guardar também diferentes informações no mesmo ponto dependendo do ângulo de incidência do raio laser nesse ponto.


Imagem da Nature esquematizando o processo

O que se faz agora, com os actuais DVD, é guardar num ponto a informação de uma só cor (um comprimento de onda).

Segundo estes investigadores, já se tinham feito avanços tanto em luz polarizada como em diferentes cores (comprimentos de onda), mas esta é a primeira vez que se integra tudo numa única solução, conseguindo assim uma densidade de dados muito superior.

Neste momento estão a utilizar um disco composto por 10 finas camadas de material gravável, obtendo assim a capacidade indicada (que corresponde a mais de 300 DVD). Mas pensam que poderia reduzir-se a espessura das camadas (e portanto utilizar mais camadas no disco), e também utilizar mais ângulos de polarização diferentes (neste momento utilizam 2 ângulos), fazendo assim que a capacidade dos discos alcançasse os 10 terabytes ou mais.

Ainda, como indica James Chon, um dos autores, O sistema óptico para gravar e ler os discos 5-D é muito semelhante ao actual sistema de DVD, e acrescenta que isto simplifica a sua produção e comercialização a escala industrial, ao contrário do que acontece com outro tipo de aproximações, como os que utilizam métodos holográficos.

Superfície de um DVD actual: Os dados gravam-se em "2D"

Neste momento, encontram-se já a trabalhar com a Samsung no desenvolvimento de uma unidade que grave e leia num disco do tamanho de um DVD. Segundo Chon, o custe de um disco seria inferior a 4 cêntimos de euro, mas existe a possibilidade de fazer as placas de partículas de prata, o que implicaria uma redução do preço a um centésimo do assinalado.

Isso sim, por enquanto, o equipamento necessário para a gravação seria caro. Mas isso já aconteceu com outros sistemas, como recentemente com o blu-ray, no que alguns pensavam que seria demasiado caro, mas acabou por ser desenvolvido.

Ver mais no site da BBC.

18 de maio de 2009

Cultivo anti-furacões e anti-seca: Quesungual


Típica cultura utilizando o método quesungual

Este é um método, patrocinado pela FAO, baseado na agricultura ancestral da zona (Honduras), que inclusive leva o nome da primeira comunidade que estudaram os agrónomos na que não cortavam as árvores nas zonas de cultivo, o que lhes deu a ideia original.

Os princípios básicos são simples: não se queima a cobertura vegetal, não se lavra a terra, semeia-se directamente, deve praticar-se a cobertura do solo e a rotação de culturas.

O processo consiste em, ao decidir utilizar uma nova zona para cultivar, não cortar as árvores, mas semear entre árvores dispersas, que são podadas para que passe a luz. A vegetação que se obtém da poda, do mato rasteiro e dos resíduos das colheitas anteriores não se queima como se fazia tradicionalmente, parte-se em bocadinhos e é utilizada para cobrir o solo.

Não se lavra a terra, semeia-se com o chuzo, uma ferramenta que serve para introduzir directamente a semente (milho ou feijão, geralmente) no chão.

A cobertura vegetal da terra serve como fertilização, ao mesmo tempo que evita a evaporação, mantendo a humidade. As árvores fixam o terreno, evitando a erosão: Em algumas zonas de Honduras nas que é utilizado o método quesungual, a FAO mediu a redução da erosão por causa da água das chuvas e furacões, que passou de 200 toneladas por hectare a 24 toneladas.

Existem problemas para implementar este método, especialmente em zonas muito pobres, porque apresenta algumas desvantagens de início: A queima produzia cinzas ricas em minerais que aumentavam a produção o primeiro ano, e com este método não obtêm essa ajuda e são necessários mais fertilizantes para a primeira colheita, até que a decomposição da cobertura vegetal faça mais fértil o terreno; ainda, a presença das árvores faz com que haja mais pássaros, que comem as sementes.

De todas as maneiras, as cinzas já não aumentavam o rendimento nos anos seguintes, e a terra nua era facilmente degradada pela erosão das chuvas perdendo a sua camada fértil, o que fazia com que os agricultores tivessem que realizar uma agricultura nómada, procurando novas superfícies cultiváveis cada ano.

Com este método, zonas muito pobres estão a melhorar o seu nível de vida ano após ano, não perdendo as colheitas por causa das secas nem por causa dos furacões, pelo que se vai estendendo em Honduras: o quesungual é utilizado já em 10.000 km quadrados aproximadamente, a décima parte do território. A FAO já levou também o método à Nicarágua e à Guatemala e inclusive membros seus já deram conferências sobre este sistema nos Camarões.

Ver mais em espanhol no site da BBC ou descarregar o documento PDF da FAO

16 de maio de 2009

Novo computador ecológico: é reciclável e utiliza energía solar


iUnika Gyy, o novo ultraleve ecológico

A empresa espanhola iUnika apresentou o 13 de Maio no encontro Libremeeting 2009, organizado pela Free Knowledge Foundation (FKF) em Madrid, o Gyy, um computador portátil, ecológico e barato até onde é possível.

Entre as características do computador podemos destacar as suas 700 gramas, 4 horas de autonomia ou as 25 cores diferentes em que se apresenta. É um computador ultraleve, como outros que estão a ficar na moda, com 22 x 16 cm. de tamanho e ecrã de 8 polegadas.

Mas o que é verdadeiramente especial neste é que tem, nalgumas das suas versões, placas solares para recarregar a bateria enquanto se está a trabalhar, aumentando muito a sua autonomia, e que a sua estrutura foi construída com materiais totalmente biodegradáveis: amido, farinha de milho e celulose, formando um bioplástico que suporta até 85 graus de temperatura.

Ainda, fazem finca-pé no facto de ser livre, ou seja, de que não utiliza software comercial, só utiliza software livre com licença GNU, desenvolvido no seu laboratório de Madrid.

A empresa, dirigida por Ángel Blanco e Pablo Machón, desenvolve em Madrid o software, fabrica na China os computadores, e tem a sua sede e o departamento comercial em Hong Kong.

E, finalmente, o que tal vez seja o mais atractivo deste novo computador, que vai ser posto à venda em Junho se tudo correr bem, por um preço de 130 euros.

Segundo Ángel e Pablo, a margem de lucro é mínima, mas neste momento é mais importante para eles potenciar a marca, faze-la conhecida no mercado.

15 de maio de 2009

Curam macacos diabéticos com pâncreas de porco


Macaco comedor de caranguejos (Macaca fascicularis), espécie na que se fez a investigação

Um grupo de científicos do Instituto Científico Weizmann de Israel transplantou com êxito pâncreas de embriões de porcos em macacos diabéticos, e quatro meses depois os macacos estavam curados.

O grande feito foi evitar a rejeição aguda típica dos xenotransplantes (transplantes de órgãos doutra espécie), e a maneira na que o conseguiram foi precisamente a utilização de pâncreas embrionários.

Segundo Yair Reisner, imunologista que chefiava a equipa, A possibilidade de uma rejeição é muito menor com embriões.

A ideia surgiu a partir da observação evidente de que o feto não é rejeitado geralmente no útero materno. A partir desse dado desenvolveram a investigação.

Segundo publicaram recentemente na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), o processo foi o que segue: Obtiveram embriões de porco com 42 dias, dos que extraíram tecido pancreático, que implantaram em dois macacos comedores de caranguejos (primatas da espécie Macaca fascicularis), uns 60 fragmentos de perto de um milímetro de tamanho no abdómen de cada um. A estes primatas previamente tinha-lhes sido induzida diabetes.

Desenvolvimento de vasos sanguíneos à volta dos implantes (foto de PNAS)

Os investigadores assinalam que, como se trata de tecido embrionário, o organismo dos macacos desenvolveu vasos sanguíneos próprios para regar estes órgãos, o que diminuiu muito a habitual reacção de rejeição.

Mesmo assim, a possibilidade de rejeição existia, pelo que foram-lhes administradas grandes quantidades de imunossupresores. Este foi, segundo os investigadores, o motivo da morte dos dois macacos aos três meses do início do experimento, pelo que o repetiram com outros dois, mas reduzindo a dose, e funcionou: Os macacos continuaram a viver perfeitamente até um ano depois do transplante, e a partir do quarto mês deixaram de precisar que lhes administrassem insulina, uma vez que já a conseguiam produzir eles.

O pâncreas, o produtor da insulina. A sua falta provoca diabetes.

Evidentemente são técnicas novas que precisam de aperfeiçoamento, mas há muitas esperanças de que este tipo de intervenção possa chegar a ser aplicada em humanos, solucionando ou atenuando algumas doenças ou transplantes que não se chegam a efectuar por falta de doadores.


8 de maio de 2009

Pode-se guardar um raio numa garrafa


Guardar raios em garrafas: o sonho de muitos

Resulta. Pode-se guardar um raio numa garrafa. Ou, mais exactamente, guardar, armazenar, electricidade no vidro da mesma. 

É cada vez maior a demanda de novos dispositivos capazes de armazenar mais energia, e portanto as investigações não param. Uns investigadores de materiais da Universidade Estatal de Pensilvânia, University Park, investigando o vidro industrial (mais resistente e duradouro do que o das janelas ou espelhos), descobriram que uma substância já conhecida, o boroaluminiosilicato de bário, utilizado nos ecrãs das televisões planas, pode guardar como condensador mais do dobro da electricidade que consegue guardar o polipropileno, que é o material mais habitual actualmente para os condensadores de grande capacidade.

Existem duas maneiras habituais de guardar a electricidade, baterias e condensadores. Na electrónica utilizam-se geralmente condensadores, por causa da sua capacidade para libertar a energia acumulada muito rapidamente. Por esse motivo utilizam-se também para os flashes de câmaras fotográficas, ou para o arranque dos motores a gasóleo. E ainda têm uma durabilidade de milhões de ciclos de carga e descarga, frente aos milhares de ciclos que suportam as baterias recarregáveis.

Segundo um dos autores do estudo, Nicholas Smith, a capacidade do vidro para guardar tanta carga eléctrica é de interesse primordial para os fabricantes de condensadores e outros dispositivos de armazenamento de energia, e acrescenta ainda que se trata de um material de baixo custe, quando a maior parte das investigações sobre este tema realizaram-se com materiais como polímeros especiais e nanocompostos, normalmente muito mais caros.

Ver mais em Science 

6 de maio de 2009

Novo creme para ter a pele de um recém nascido


Bebé recém nascido

Os bebés têm a pele lisa e suave. Mas passaram 9 meses no útero, num meio líquido. Os adultos, depois de pouco tempo dentro de água (no banho, na piscina...) apresentam a pele enrugada e com mau aspecto.

Os bebés, ainda, durante esses nove meses estão a desenvolver a pele, criando um sistema equipado para os defender de um mundo frio e seco, povoado por incontáveis bactérias. Qual é o secreto?

É o vérnix caseoso, um género de creme que cobre a sua pele antes e ainda depois do nascimento, composta por uma mistura de secreções das glândulas sebáceas do feto e de células epiteliais (células da pele do próprio feto) mortas. Esta substancia não só protege a pele da humidade do líquido amniótico antes do parto, mas ainda continua depois a proteger a pele do bebé, inclusive curando-a ou regenerando-a quando é necessário.

A professora Joke Bouwstra, da Universidade de Leiden na Holanda, e o seu colega Robert Rissmann produziram recentemente una versão sintética deste creme, com a mesma estrutura e propriedades únicas do vérnix caseoso.

Este novo creme não só se pretende que ajude a que os bebés prematuros desenvolvam a protecção essencial contra as mudanças de temperatura, a desidratação e as infecções, mas também que possa beneficiar pessoas que sofrem de determinadas doenças cutâneas.

Para obter o creme sintético, observaram ao pormenor o vérnix caseoso, principalmente a partir de medições de difracção de raios X realizadas no ESRF (European Synchrotron Radiation Facility), com as que conseguiram determinar os diferentes tipos de lípidos e as proporções nas que devem apresentar-se, assim como o tamanho, formato e grau de humidade apropriado para as células epiteliais mortas.

Descobriram também que os lípidos, que formam as típicas esferas em meio aquoso, com a parte hidrófila (solúvel na água) virada para fora e a hidrófoba para dentro, ao ter diferentes comprimentos de molécula (porque há vários tipos de moléculas lipídicas), reorganizam-se em função das mudanças de temperatura, tendo portanto várias configurações possíveis, o que explica também as diferentes funções que cumpre dentro e fora do útero.

Já se realizaram as primeiras provas com o vérnix caseoso sintético, e segundo os científicos tem um grande potencial para tratamentos de pele danificada e pouco desenvolvida (bebés prematuros). O seguinte passo será comprovar os benefícios deste creme no tratamento de pele adulta doente ou danificada, ou simplesmente no cuidado de pele saudável.

Ver mais no ESRF

1 de maio de 2009

STEAM: 6.000.000 de fotografias por segundo


Funcionamento do STEAM: raio laser separando-se nas suas cores

Uma equipa de investigadores da Universidade de Califórnia em Los Angeles, dirigidos pelo catedrático Bahram Jalali, desenvolveu um sistema de fotografia por emissão de pulsos de raios laser dispersos no espaço, que obtêm uns resultados absolutamente surpreendentes, publicados em Nature.

Consegue um tempo de disparo de 0,44 nanossegundos (0,00000000044 segundos!), o que lhe permite registrar até 6 milhões de fotogramas por segundo, de maneira contínua. A máquina trabalha com um só sensor, e não aquece (pelo que não precisa dum sistema de arrefecimento adicional), nem faz barulho, nem precisa de muita luz.

De todas as maneiras, a equipa de investigadores pensa que o sistema ainda pode ser desenvolvido até alcançar os 10.000.000 de imagens por segundo (200.000 vezes mais do que una câmara de vídeo normal das actuais).

A STEAM (Serial Time-Encoded Amplified Microscopy) poderá ser utilizada em medicina e em biologia, uma vez que a sua grande velocidade e o disparo contínuo permitem-lhe observar em directo sucessos com baixa probabilidade de acontecer, e por tanto muito dificilmente fotografáveis em condições normais, como processos de comunicação entre neurónios, ou observação de células tumorais no fluxo sanguíneo.

Neste último caso, nos momentos iniciais da doença, as células precursoras da metástase podem ser umas poucas em milhões de células sadias, e a observação possível até agora, sem o STEAM, supõe obter uma pequena amostra de sangue e analisa-la com o microscópio. Obviamente, a possibilidade de que na pequena amostra não haja nenhuma tumoral é elevada. Com o STEAM, no entanto, podem-se fotografar individualmente as células directamente em circulação, evitando assim este problema.

Actualmente, estão a tentar melhorar a resolução até 100.000 pixeis por imagem, e adaptar esta técnica para obter imagens tridimensionais. Se conseguem melhorar a resolução o suficiente como para obter fotografias nítidas da estrutura interna das células, as possíveis aplicações na biologia e na medicina serão, segundo todos os pontos de vista, incontáveis.

Para obter pormenores técnicos do funcionamento do STEAM, explicado no vídeo a continuação, recomendo ler o artículo publicado sobre isto na BBC.






22 de abril de 2009

LCLS - Laser de raios X


"Onduladores", conjunto de ímans que conformam o coração do LCLS

Falar de um laser de raios X parece ficção científica, ou uma arma tipo 007, mas houve uns científicos que conseguiram desenvolve-lo: Um grupo de físicos do SLAC National Accelerator Laboratory em Melo Park, Califórnia, anunciou que conseguiram emitir um feixe de raios X coaxial desde o seu LCLS (Fonte de luz coerente Linac, Linac Coherent Light Source em inglês), o primeiro laser que trabalha com raios X de comprimentos de onda duros (os de mais energia, com entre 1 e 20 Angstroms de comprimento de onda).

Os raios X são utilizados para determinar a estrutura dos materiais na escala atómica. Nos últimos decénios, os físicos conseguiram obter fontes muito intensas de raios X, o que permitiu desenvolver a física da matéria condensada, a ciência dos materiais, e a biologia estrutural. Estes raios X obtêm-se em aceleradores de partículas circulares chamados síncrotrões, onde as partículas, ao circular neles a grande velocidade, irradiam fotões de raios X que giram à volta. O LCLS poderia ser uns mil milhões de vezes mais brilhante do que essas fontes.

Até agora, para conseguir determinar a estrutura duma molécula, a partir dos raios X obtidos num síncrotron, era necessário pôr muitas destas moléculas congeladas numa estrutura cristalina. O que se espera conseguir com este laser é que possa determinar a estrutura de uma proteína, por exemplo, emitindo um feixe deste raio sobre somente uma molécula.  

Ainda, espera-se também que o LCLS seja capaz de condensar a matéria até obter temperaturas e pressões suficientemente altas como para simular as condições existentes nos núcleos dos planetas.

No entanto, até agora só se realizaram as primeiras provas, mesmo que com muito bons resultados, e Alfonso Mondragón, biólogo estrutural da Northwestern University em Evanston, Illinois, diz que ainda falta saber se o laser de raios X se encontra à altura do esperado, nomeadamente no que diz respeito à realização de estudos sobre uma só molécula. A primeira coisa que precisam é que alguém demonstre que funciona tal como se explicou, diz, E isso não vai acontecer para a semana.

O SLAC planeia executar as suas primeiras experiências reais com o laser no próximo mês de Setembro. No entretanto, outros investigadores estão a construir fontes semelhantes de raios X na Alemanha e no Japão.

Obtido a partir de Science 

14 de abril de 2009

Primeiro camelo clonado


Injaz e a sua progenitora única, a camela da que foi clonada

O primeiro camelo clonado do mundo, uma fêmea de nome Injaz, nasceu no passado dia 8 no Centro de Reprodução de Camelos do Dubai, nos EAU, segundo informou hoje o jornal local Gulf News.

A equipa do Centro, chefiada pelos investigadores Lulu Skidmore e Ali Redha, explicou que a camela foi produzida a partir de células extraídas do ovário de uma fêmea adulta, que cresceram numa cultura antes de serem congeladas em azoto líquido.

O ADN das células de Injaz (Façanha em árabe) e o das células do ovário da fêmea adulta (a das fotografias com a bebé) são idênticos, o que demonstra que a camela é um autêntico clone da camela original.

Este grande avanço oferece um maneira de preservar para o futuro a valiosa genética dos nossos camelos de corridas e produtores de leite, disse Lulu Skidmore, directora científica do Centro.

O camelo está arraigado profundamente na cultura e na tradição árabe desde a antes do Islão, e as corridas de camelos nessa zona do mundo superam inclusive em importância às de cavalos no ocidente. Também, o leite de camela é muito importante na alimentação diária, o que converte a estes dois tipos de camelos (os de corridas e os produtores de leite) nos objectivos desta investigação.

A clonação é a obtenção de um individuo a partir dos genes dum outro individuo só, sendo por tanto geneticamente idênticos.

Já há perto de 20 espécies clonadas no mundo, e neste caso indica-se expressamente o objectivo concreto: obter boas camelas leiteiras, e obter bons camelos de corridas, clonando os melhores de um e o outro grupos.

Será bom relembrar que, mesmo que clonações esporádicas não teriam implicações evolutivas, se a clonação chegara a generalizar-se para algumas espécies, perdendo o cruzamento genético da reprodução sexual, poderemos acabar obtendo uns resultados diferentes dos esperados: a diminuição da variabilidade genética das espécies é uma coisa muito perigosa, que pode conduzir rapidamente à sua extinção. Sem entrar, obviamente, na possibilidade de clonar humanos. Essa é uma discussão diferente.

Mesmo tendo em conta que o aumento da produção leiteira, neste caso, poderia ser muito benéfico para muitas pessoas. E, também, que sem dúvida seria interessante ver uma corrida de camelos na que participassem vários clones, geneticamente iguais. Quem ganhará?

A noticia foi obtida inicialmente da BBC


4 de abril de 2009

O primeiro robô científico


Adam, o robô que investiga sozinho

Uma equipa de científicos da Universidade de Aberystwyth, em Gales, criou o Adam,  o primeiro robô capaz de desenvolver uma hipótese e chegar a conclusões científicas frente a um objecto de estudo definido.

Este robô é a primeira máquina que consegue descobrir de maneira independente nova informação científica. Já conseguiu identificar a função de vários genes em células de levedura e é capaz de projectar mais experiências para comprovar as suas próprias hipóteses, segundo dizem os seus criadores na revista Science.

Os investigadores esperam que com a ajuda de robôs como Adam os científicos humanos possam ter mais tempo no futuro para levar a cabo experiências mais avançadas: Os nossos colegas robóticos poderiam realizar as tarefas mais mundanas, segundo o professor Ross King, chefe da equipa científica que criou o Adam.

Adam foi desenvolvido especificamente para investigar a função dos genes nas células de levedura e esteve a esclarecer a função de 12 destes genes. Pode fazer até 1000 experiências por dia, e, mercê è sua inteligência artificial, é capaz de estabelecer hipóteses, fazer experiências para as comprovar, utilizar o equipamento do laboratório, interpretar os resultados e repetir todo o ciclo uma e outra vez.

De todas as maneiras, o professor King especifica que o desenvolvimento do robô ainda se encontra nas suas primeiras etapas, e neste momento não é rentável economicamente: Se gastássemos todo o dinheiro que gastamos em Adam empregando biólogos humanos, provavelmente o robô não resultaria ser uma opção rentável. Mas o mesmo aconteceu quando se fabricou o primeiro carro. Inicialmente o investimento na tecnologia não era tão rentável como as carruagens de cavalos, afirma o científico.

Será este o princípio de uma nova época, na que os robôs trabalham para que os humanos vivam gozando, tal como anuncia há tanto a ficção científica? E, será isso tão mau como o descrevem nos livros e filmes?

2 de abril de 2009

Amortecedores que produzem electricidade


Amortecedor com reaproveitamento energético

Uma equipa de estudantes do MIT inventou um amortecedor que aproveita a energia dos solavancos e protuberâncias das estradas, gerando electricidade ao mesmo tempo que desempenha, com maior eficácia do que os amortecedores convencionais, a sua função de suavizar as sacudidelas do percurso.

O projecto surgiu a partir de uma investigação sobre as perdas energéticas dos veículos.

Começaram por alugar automóveis de vários modelos, equipando com sensores diversas partes dos veículos, para calcular o potencial de energia aproveitável, e andaram com os mesmos levando com eles um computador portátil para registrar os dados dos sensores. As provas realizadas demonstraram-lhes que é desperdiçada uma quantidade significativa de energia na travagem, e também nos sistemas convencionais de suspensão, particularmente nos veículos pesados. Como alguns automóveis híbridos recuperam já parte da energia da travagem, a equipa decidiu concentrar-se na suspensão.

Quando compreenderam as possibilidades, dedicaram-se a construir um protótipo do sistema para redireccionar a energia desperdiçada. O seu protótipo de amortecedor utiliza um sistema hidráulico que conduz um fluido através duma turbina ligada a um gerador. O mecanismo é controlado por um sistema electrónico activo que optimiza o amortecimento, proporcionando assim um andamento mais suave que o que se obtém com os amortecedores convencionais, e ainda gerando ao mesmo tempo electricidade para recarregar as baterias ou para fazer funcionar o equipamento eléctrico.

Até ao momento, nas suas provas, a equipa do projecto já descobriu que num camião pesado com 6 amortecedores, poderia gerar numa estrada normal energia suficiente para, em alguns casos, alimentar acessórios tais como as unidades de refrigeração de camiões de transportes refrigerados.

Shakeel Avadhany e os sus colaboradores, que apresentaram o ano passado um pedido de patente para este sistema, dizem que podem conseguir uma melhora de até um 10 por cento no consumo de combustível dos veículos, com a utilização dos seus amortecedores regeneradores, no modelo definitivo, que deverá estar pronto durante este verão.

Esperam encontrar os primeiros clientes entre as empresas que operam com grandes parques de veículos pesados, e de facto encontram-se agora realizando provas com veículos Humvee (os grandes todoterrenos do exército dos Estados Unidos), uma vez que a empresa que os faz mostrou-se muito interessada.

Só falta dizer que, se a estimativa para uma estrada normal na circulam estes investigadores é de 10% de poupança de combustível, nas nossas estradas, com os buracos e o mau estado geral que padecemos, quanto íamos poupar?

Aqui podem ver ou descarregar em formato PDF a revista do MIT que publicou este artigo, em inglês.



24 de março de 2009

Sexto sentido: Vestir um computador


Pattie Maes, professora do MIT, apresenta o "Sexto sentido"

Novo conceito de computação, nunca visto até agora. A professora Pattie Maes, do MIT,  apresentou recentemente o "Sexto Sentido", um computador que se pode levar vestido, e um sistema de computação fora de tudo o visto até agora. Podem apreciar no vídeo a seguir:



Noticia lida em TechBuzz

23 de março de 2009

Células solares imprimíveis, flexíveis e baratas


Impressão de células solares em polímeros

Estão-se a desenvolver novas células solares, plásticas, imprimíveis, flexíveis e baratas, fabricadas em rolos. Pretende-se que estas células se possam imprimir sobre polímeros, de maneira semelhante à impressão de notas.

Neste momento há uma empresa, Securency International, especializada na impressão de dinheiro, que está a desenvolver provas de impressão com estas células solares.

A ideia é produzi-las em massa, fazendo-as mais baratas, e depois instala-las em telhados de edifícios e outras superfícies amplas.

Ainda se está a desenvolver esta tecnologia (o projecto encontra-se agora a meio do caminho, aproximadamente), mas as perspectivas são muito boas, e espera-se que se possam instalar painéis impressos em telhados, experimentalmente, num curto espaço de tempo. De facto, as provas de impressão já começaram, 6 meses antes da previsão.

Este projecto está a ser desenvolvido por um consórcio, VICOSC, no que se juntam universidades e industria, havendo investigadores da Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation (CSIRO), da universidade de Melbourne, da universidade de Monash, e das empresas Securency, BP Solar, Bluescope Steel e Merck.

Este tipo de união, sempre desejável, vem a reforçar a indicação de que a indústria o considera viável, e não uma hipótese remota.

Se o desenvolvimento for o previsto, esta investigação poderia levar à industria Australiana a liderar nos componentes electrónicos imprimíveis, uma tecnologia à que se prevê um brilhante futuro.

Ver mais em Scitech News