Aureus

Com este blog pretendo mostrar os últimos acontecimentos científicos, de maneira a ficarmos à par do que pôde ser feito pelos científicos neste momento, e dos últimos descobrimentos, e ao mesmo tempo oferecer curiosidades, engraçadas ou simplesmente esquisitas, do âmbito da ciência. Isto sempre numa linguagem acessível para todos, sem grandes complicações.
Lembrem-se que eu escrevo a estrutura, mas a vida do blog, o movimento, são os vossos comentários. Façam-os. Qualquer coisa que queiram, fico à vossa disposição.

10 de fevereiro de 2009

A criação dos continentes: separação animal

A Pangéia, continente único no inicio do Mesozoico, há 200 milhões de anos, quando surgiram os dinossauros, separou-se a meio, criando o mar de Thetys (posterior Mediterrâneo), formando dois supercontinentes, Laurásia, a norte, e Gondwana, a sul. 

O movimento não parou até ao momento, separándo-se mais e mais até o estado actual da Terra. 
E os continentes continuam a alterar a sua forma, segundo a tectónica de placas, mas não o veremos, o processo é muito lento.

Mas, consegue-se explicar o facto de haver dinossauros na Antártida, por exemplo, uma vez que esta, na altura dos grandes dinossauros, estava colada por baixo do que viria a ser o continente africano e por cima da Austrália.

E há outro facto animal, mais próximo, curioso: na altura do surgimento dos primeiros mamíferos, separaram-se em dois
 grandes grupos evolutivos, um em Laurásia, os placentários, e outro em Gondwana, os marsupiais (deixando de parte o pequeno grupo dos monotremas - equidnas e ornitorrincos -). 

Os placentários foram mais fortes evolutivamente, e quando se encontraram, na India e em África, os marsupiais dessapareceram. Na América do Sul estiveram juntos menos tempo, e unidos por uma faixa de terra mais estreita, pelo que ainda ficaram alguns.  Na Antártida dessapareceram pelo gelo. E ficaram em exclusividade, por tanto, onde estavam isolados: Austrália e Madagáscar.

Encontrei uma animação bem explicativa desta "complicada" teoria de deriva continental no Educational Multimedia Visualization Center (EMVC), da Universidade de Columbia e Santa Bárbara, que podem ver aqui. Se repararem bem, podem perceber como aconteceu a separação destes grupos de animais. 

8 de fevereiro de 2009

Titanoboa - Uma serpente com mais de 13 metros

Reconstrução da Titanoboa no seu meio

Comparação: vértebra de anaconda ou sucuri, no meio, sobre uma vértebra de Titanoboa

Numa mina de carvão em Cerrejón, localidade da Colômbia, foi recentemente descoberto o fóssil da maior cobra do mundo, com 13 metros de comprimento, e mais de uma tonelada de peso. 
Viveu á 60 milhões de anos, quando a zona era uma floresta tropical chuvosa.

Carlos Jaramillo, do Smithsonian Tropical Research Institute, e Jonathan Bloch,  do Museu de História Natural da Universidade da Flórida, organizaram diferentes escavações na Colômbia, que desenterraram os restos fósseis de uma nova espécie, à que chamaram "Titanoboa cerrejonensis" (boa gigante de Cerrejón). Durante meses, o grupo foi encontrando diferentes tipos de fósseis, até chegar à conclusão de que se tratava de uma serpente.

A descoberta da Titanoboa põe à prova nossos conhecimentos sobre os climas no passado e nos ambientes, assim como as limitações biológicas sobre a evolução das cobras gigantes, disse Jason Head, pesquisador associado do Museu Nacional de História Natural dos Estados Unidos, subordinado ao Smithsonian, e principal autor do artigo sobre a descoberta, que a revista Nature publicou recentemente.

Isso mostra toda a informação que se pode conseguir sobre a História da Terra, recorrendo ao registro de um réptil em seu estado fóssil, completou Head.

Para calcular o tamanho e o peso do ofídio, Head e David Polly, professor associado de Ciências Geológias na Universidade de Indiana, basearam seus cálculos no raio entre o tamanho das vértebras e o tamanho das cobras existentes hoje.

Os cientistas também encontraram ossos fossilizados de crocodilos e tartarugas, supostamente presas desse tipo de serpente naquela época.

Até hoje, a maior serpente conhecida tinha cerca de 10 metros, e a mais pesada 183 quilogramas, de acordo com o Smithsonian.

6 de fevereiro de 2009

Chips para "arranjar" Neuronios


A ciência está a desenvolver chips que poderiam ser utilizados para reparar tecidos danificados.

Científicos das universidades de Edimburg, Glasgow e Stirling conseguiram demonstrar que é possível fazer crescer neurónios em chips de silício de computador, seguindo padrões finos e pormenorizados. Acreditam, portanto, que se possa chegar a implantar chips nas pessoas para substituir nervos ou músculos danificados, e eventualmente até para o desenvolvimento de próteses.

A ideia consiste em imprimir padrões sobre o silício durante o seu processo de fabrico, e submergir então os chips numa mistura de proteínas (patenteadas pelos científicos), que permite que os neurónios cresçam segundo os padrões especificados na superfície dos chips.

Esta técnica também poderia ser utilizada com células mãe, dizem, e até supõem que poderia permitir o crescimento de qualquer tipo de tecido numa sequência predeterminada  para poder ser implantado como prótese no ser humano.

O professor Alan Murray, da Escola de Engenharia e Electrónica da Universidade de Edimburgo, disse que este é um pequeno mas importante passo no caminho a percorrer para atingir o objectivo a longo prazo de muitos científicos: o desenvolvimento de implantes cirúrgicos utilizando chips de silício.
Agora, diz Alan Murray, poderemos fazer chips de silício tanto com redes de circuitos como com padrões para o crescimento de células. Uma das áreas onde poderia aplicar-se esta investigação é nas próteses, se conseguir-mos que as células de tecidos danificados cresçam onde queremos que o façam

Ainda, diz que supõe um avanço perto da ficção científica. Mas o descobrimento, explica o investigador, também pode ter aplicações mais imediatas, como um método melhor para o desenvolvimento de medicamentos e para diminuir a necessidade de experimentar em animais estas novas drogas.

As novas medicinas, segundo o científico, poderiam ser experimentadas em chips de silício em vez de o ser em seres vivos.

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