Aureus

Com este blog pretendo mostrar os últimos acontecimentos científicos, de maneira a ficarmos à par do que pôde ser feito pelos científicos neste momento, e dos últimos descobrimentos, e ao mesmo tempo oferecer curiosidades, engraçadas ou simplesmente esquisitas, do âmbito da ciência. Isto sempre numa linguagem acessível para todos, sem grandes complicações.
Lembrem-se que eu escrevo a estrutura, mas a vida do blog, o movimento, são os vossos comentários. Façam-os. Qualquer coisa que queiram, fico à vossa disposição.

16 de fevereiro de 2009

Moscas que duplicam a sua vida

Drosophila melanogaster, mosca da fruta

O ser humano  pode passar a dever parte da sua idade à mosca da fruta.

Investigadores da Universidade Brown identificaram na mosca da fruta (Drosophila melanogaster) um processo celular que poderia atrasar o processo de envelhecimento.

Stephen Helfand , um dos investigadores deste estudo, e professor de biologia molecular, biologia celular e bioquímica, já tinha descoberto no ano 2000 uma mutação de um gene, que denominou Indy (I’m Not dead Yet), e que poderia duplicar o tempo de vida da mosca da fruta.

Estudos feitos em moscas Indy (que portavam esta mutação) levaram ao descobrimento de que existe um processo metabólico nelas que aparentemente reduz significativamente a produção de radicais livres, sendo que a acumulação celular destes radicais é considerada como um dos factores determinantes no processo de envelhecimento. E as moscas não parecem apresentar nenhum tipo de efeito secundário, para além deste.

Agora a investigação está na fase de tentar determinar como é que, exactamente, esta mutação produz essa alteração metabólica, de maneira a tentar produzir fármacos anti-envelhecimento para seres humanos, que produzam um efeito semelhante sem ter de chegar à manipulação genética.

Desenvolvendo estas investigações, os científicos chegaram a alguns resultados surpreendentes, como o facto de que as moscas Indy sintetizavam as proteinas resultantes da expressão de alguns dos genes encarregues da produção de energia para a célula em menor proporção do que as moscas normais. Isto fez com que houvesse menos radicais livres, mas, surpreendentemente, não diminuiu a quantidade de energia total na célula.

Assim, ficou demonstrado que é possível introduzir alterações metabólicas que reduzam os radicais livres, alongando assim o período vital, e sem que se produzam em simultâneo efeitos secundários gravosos.

Mais informação em The Brown Daily Herald

12 de fevereiro de 2009

Descobriram novos materiais de vidro metálico

Uma equipa de científicos do Instituto Tecnológico da Califórnia (Caltech) criou um novo género materiais compostos estruturais de vidro metálico, baseados no titânio, mais ligeiros e baratos do que os que eles próprios tinham criado previamente, e que no entanto mantêm a sua dureza e maleabilidade, o que faz com que possam deformar-se sem quebrar-se.
No início de 2008, o mesmo grupo de
Caltech deu a conhecer novas estratégias para criar ligas que tivessem uma dureza e resistência superiores às de qualquer outro material viável conhecido.
Ainda assim, existiam pontos fracos nas ligas apresentadas nesse estudo. Como foram criadas para utilizar-se na indústria aeroespacial, entre algumas outras aplicações estruturais, precisavam ter densidades muito baixas, para pesar o menos possível. Idealmente deveriam obter ligas com densidades semelhantes às das ligas cristalinas de titânio, qualquer coisa como entre 4,5 e 5 gramas por centímetro cúbico (g/cc). As ligas originais, elaboradas maioritariamente de zircónio, tinham entre 5,6 e 6,4 g/cc, o que vinha a ser um sério problema para a sua utilização em estruturas aeroespaciais.
Então Douglas Hofmann, William Johnson e os seus colegas começaram a experimentar com pequenas mudanças nos componentes dos seus materiais compostos, conseguindo finalmente um grupo de ligas com uma alta percentagem de titânio, mas que mantinham as propriedades das ligas de zircónio antes criadas.
Mesmo baseando-se no titânio, estas ligas exibem as mesmas propriedades impressionantes do que as ligas originais de zircónio. Continuam a ser duras (ou seja, não gretam com facilidade) e continuam a ser maleáveis. Na realidade, são inclusive mais maleáveis do que as ligas que a equipa criou previamente.

Esta nova composição também deu como resultado uma redução no custo, porque o zircónio é um metal mais caro do que o titânio.

Ver mais em scitech-news.

10 de fevereiro de 2009

Autocarros na Noruega: Combustível fecal




Em Oslo, na Noruega, trabalha-se a sério nos novos combustíveis e na reciclagem. Até Setembro deste ano, devem entrar em funcionamento 80 autocarros, em fase experimental, movidos por um novo combustível: biometano proveniente de material fecal humano.

Os autocarros terão incorporadas máquinas que transformam o material fecal em gás metano. O metano funcionaria como combustível, fazendo andar o autocarro.

Duas estações de tratamento de esgotos serão modificadas para servirem de posto de abastecimento aos veículos. Em relação aos mesmos, não serão necessárias grandes alterações, para além da incorporação da máquina de obtenção do metano. 

A estimativa é que este biometano custaria 0,40 euros menos por litro do que o combustível utilizado actualmente (estimam 0,27 euros/litro do biometano contra 0,67 do diesel utilizado actualmente). 

Ainda, a emissão neta de CO2 pela queima do metano é nula (uma vez que o carbono utilizado no combustível provinha da atmosfera e não de combustíveis fósseis). Mas, tendo em conta a electricidade gasta no fabrico do metano a partir do material original, ainda assim a estimativa é de uma "poupança" de 44 toneladas de CO2 por autocarro por ano.

Se tudo correr bem nos testes, os 80 passarão a 400, toda a frota de Oslo, mesmo que para isso tenham que utilizar uma mistura de biometano com biogás proveniente de incineração de restos de cozinhas de restaurantes e de casas particulares (não sabemos se por falta de matéria prima para produzir suficiente biometano).

Ainda, as autoridades pensam que, se tudo correr bem, poderiam modificar também automóveis privados para que utilizassem biometano e biogás (das suas próprias cozinhas e casas de banho?). 

Isto é que é poupança ecológica. Mas ninguém falou dos cheiros nos autocarros...

Ver mais no Guardian