Aureus

Com este blog pretendo mostrar os últimos acontecimentos científicos, de maneira a ficarmos à par do que pôde ser feito pelos científicos neste momento, e dos últimos descobrimentos, e ao mesmo tempo oferecer curiosidades, engraçadas ou simplesmente esquisitas, do âmbito da ciência. Isto sempre numa linguagem acessível para todos, sem grandes complicações.
Lembrem-se que eu escrevo a estrutura, mas a vida do blog, o movimento, são os vossos comentários. Façam-os. Qualquer coisa que queiram, fico à vossa disposição.

26 de fevereiro de 2009

Ornitorrinco: O animal mais esquisito


Algumas das especiais características do ornitorrinco

O ornitorrinco (Ornithorhynchus anatinus) é um mamífero. Também é ovíparo, põe ovos, pequenos e moles como os dos répteis. Tem bico como os patos, e membranas entre os dedos dos pés da frente, 
como as aves aquáticas.  Não tem mamas, mas tem leite, que sai pelos poros da pele da barriga da fêmea e escorre por uns sulcos onde as crias vão lambendo-o. E tem o corpo coberto de pêlo.

Ainda, apresenta outras características incomuns, como ter um dente enquanto bebé, que depois vai perdendo para ficar com um placa córnea que utilizará para mastigar. E o seu bico é mole, sensível e coberto de pêlo, não como os das aves. E a sua cauda é parecida à dos castores, e também lhe ajuda a nadar. E os machos têm nos pés traseiros esporões venenosos, com um veneno bastante semelhante ao das cobras. Aliás, apresenta características claras de mamíferos, de aves e de répteis. Um achado da natureza.

Este animal pertence à ordem dos monotremata, junto com a equidna, a única outra espécie viva deste ordem, e separaram-se dos restantes mamíferos, que não põem ovos (marsupiais e placentários), já há 170 milhões de anos, quando ainda os dinossauros estavam a expandir-se.

Vive na Austrália, Tasmânia e Nova Guiné, e mais algumas ilhas próximas, junto a correntes de água, na que passa a maior parte do tempo, sendo um grande nadador (pode passar até 5 minutos sem vir à superfície).

Mais outra característica especial é que fecha os olhos e os ouvidos quando está na água, e serve-se de receptores electro-sensoriais no bico para detectar os fracos campos eléctricos das presas debaixo da água, um sexto sentido específico dele.

Alimenta-se de todos os animais pequenos que encontra: girinos, pequenos peixes, crustáceos, insectos, vermes e moluscos. Mede quando adulto por volta de 40 centímetros mais a cauda (60 no total), põe dois a três ovos por ninhada, de 2 a 2,5 centímetros, em túneis de até 1,80 metros, que a fêmea cava, e os ovos eclodem após 10 dias. A seguir, os pequenos serão amamentados durante 4 meses até saírem do ninho. Vivem até 15 anos.

E se já era esquisito, há pouco tempo acabaram de sequenciar o seu DNA, e os resultados foram também, como cabia esperar, surpreendentes: O seu genoma é uma mistura inusitada de réptil, ave e mamífero.

Richard Wilson, director do Centro do Genoma da Universidade de Washington, e principal autor do estudo, diz que «A mistura fascinante de traços no genoma do ornitorrinco fornece muitos índices sobre a função e evolução de todos os genomas dos mamíferos».

Encontraram alguns genes tipicamente de aves, e outros de répteis, e até os genes que utiliza para a produção do vitelo dos ovos são muito semelhantes aos de alguns peixes. Mas a maior parte, por volta de 82%, corresponde a genes típicos de mamíferos.

Também desenvolvem uns péptidos extremamente eficazes como antibióticos, sendo imunes a muitos dos microrganismos 
patogénicos, estando a ser estudados agora os genes que codificam estas proteínas, com fins farmacêuticos. Assim como o seu especial veneno, que produz inchaços enormes e uma dor que os analgésicos normais não resolve. 

Portanto, ainda vamos encontrar nas farmacias medicinas provenientes do nosso amigo. Um molho de surpresas, este ornitorrinco.

23 de fevereiro de 2009

Descobertos 700 fósseis, incluindo um mamute, em Los Angeles


Pelvis do mamute Zed

O Museu de La Brea Tar Pits, dependente do Museu de Historia Natural de Los Angeles (California) anunciou recentemente o descobrimento de más de 700 restos fósseis da última era glacial, há perto de 40.000 anos.

Destaca-se nestes fósseis o esqueleto quase completo de um enorme mamute, ao que chamaram Zed, que morreu com quase 50 anos de idade, cerca de 40 mil anos atrás.

Este animal é um mamute columbiano, uma espécie extinta quase ao final da última era glacial.

Embora La Brea Tar Pits, zona a 10 quilómetros do centro da cidade, contenha os mais ricos depósitos da era do gelo em todo o mundo, muitos fósseis retirados da brea (lama asfáltica, ou piche) vêm misturados com outros ossos e não formam esqueletos completos. Os mamutes são uma descoberta rara.

Neste caso, estima-se que o esqueleto esteja 80% completo, faltando apenas uma perna traseira e uma vértebra. As presas estão inteiras e têm 3 metros de comprimento.

Como todos os animais descobertos no local, Zed ficou preso em um poço de lama junto ao leito do rio, e acabou morrendo de fome e cansaço.

Os investigadores acreditam que este esqueleto ficou mais inteiro porque, logo após a sua morte, foi arrastado por uma inundação e depois coberto por sedimentos suficientes para manter os predadores afastados da sua carcaça.

Esta descoberta é parte de uma área repleta de fósseis, descoberta por operários que escavavam o terreno de um futuro estacionamento subterrâneo.

O que o torna tão especial e excitante para nós é que Zed é um espécime quase completo, disse a supervisora de laboratório Sheley Cox, mostrando aos jornalistas um osso pélvico com o tamanho de uma boa mesa.

E ele é realmente grande em comparação com os mamutes que recuperamos em La Brea antes, disse Cox. As presas são consideravelmente maiores do que qualquer coisa que tivéssemos esperado.

Nessa mesma jazida de fósseis havia cerca de 700 espécimes, inclusive um grande crânio de leão americano, ossos de leões, lobos, dentes-de-sabre e outros.

Esta descoberta pode chegar a duplicar o tamanho da colecção do museu.

Ver mais em Los Angeles Times



22 de fevereiro de 2009

Agricultura no deserto: areia hidrofóbica

Areia hidrofóbica, o milagre das culturas no deserto

Após sete anos de investigação, o engenheiro dos Emiratos Árabes Unidos Fahd Mohammad Saeed Hareb, em colaboração com o científico alemão Helmut F. Schulze, e com a colaboração comercial de Marco Russ, da empresa Flexon Trading Middle East, conseguiram obter uma areia hidrofóbica que poderia transformar os Emiratos Árabes Unidos num oásis.

As culturas no deserto, por causa da extrema aridez do clima, precisam de ser regados meia dúzia de vezes por dia, e ainda a extrema salinidade da areia pode matar as raízes das plantas. 

Esta areia desenvolvida por Materiais Hidrofóbicos DIME, a empresa familiar de Saeed, não só
 impede que a água se filtre ao subsolo, mas também impede o passo ao sal, fazendo com que as culturas sejam mais viáveis, precisando 75% menos de água (uma rega por dia).
 
O procedimento de instalação é muito simples: deve pôr-se uma camada de 10 centímetros de largura desta areia hidrofóbica por baixo do solo cultivável, onde se encontram as raízes das plantas.

Neste momento, a fábrica pode produzir 3.000 toneladas desta areia por dia. A fabricação da areia é na prática o revestimento de cada um dos grãos da areia original (areia normal obtida do deserto) com uma substância que denominaram SP-HFS-1609, desenvolvida com processos nanotecnológicos, e cuja exacta fórmula guardam como secreto comercial.

Já foram realizadas provas com palmeiras e ervas estrangeiras, e mediu-se um aumento de 25% nas raízes das plantas cultivadas sobre esta areia em relação às cultivadas sobre a areia normal.

O governo de Dubai mostra-se interessado, e já disse que pretende passar do 3,7% de solo cultivado actual até um 8% no ano 2015, sempre que todas as provas continuem a obter resposta positiva.

Entre as instituições que estão a experimentar com esta areia, encontra-se a Universidade Al Ain dos EAU, que está a tentar cultivar arroz (planta de solos encharcados) em condiciones desérticas.

Ver mais em Nano Werk