Aureus

Com este blog pretendo mostrar os últimos acontecimentos científicos, de maneira a ficarmos à par do que pôde ser feito pelos científicos neste momento, e dos últimos descobrimentos, e ao mesmo tempo oferecer curiosidades, engraçadas ou simplesmente esquisitas, do âmbito da ciência. Isto sempre numa linguagem acessível para todos, sem grandes complicações.
Lembrem-se que eu escrevo a estrutura, mas a vida do blog, o movimento, são os vossos comentários. Façam-os. Qualquer coisa que queiram, fico à vossa disposição.

12 de março de 2009

Drácula existe. E vive nos rios da Birmânia


Fotografia dos dentes de osso de Danionella dracula

Encontrou-se aquele que poderia ser o único drácula real: um peixe de 17 milímetros de comprimento.

Sim, o peixe é muito pequeno, mas para os crustáceos e diminutos insectos dos que supostamente se alimenta deve ter um aspecto assustador.

Esta dieta é a habitual nas outras espécies da mesma família. Mas elas não possuem estes espectaculares apêndices dentários exclusivos, pelo que está a ser investigada agora qual poderá ser a sua fonte de alimento habitual.

Até porque das outras 3700 espécies da ordem dos cypriniformes (à que pertencem as carpas) nenhuma possui dentes, perderam-nos evolutivamente há uns 50 milhões de anos.

Este peixe foi descoberto num rio da Birmânia, em Abril do 2007, e enviado como peixe de aquário ao Museu de Historia Natural de Londres.

Após um ano, quando começaram a morrer, seguindo o processo normal de trabalho conservaram-nos e analisaram-nos, e então surgiu a surpresa.

E após a mesma novos análises, até que hoje, finalmente, um grupo de científicos deste museu confirmou numa publicação na prestigiosa revista Proceedings of the Royal Society B que se trata de uma nova espécie, à que baptizaram, como não podia ser de outra maneira, como Danionella dracula

Segundo Ralph Britz, zoólogo do Museu de Historia Natural de Londres, o peixe é um dos vertebrados mais extraordinários descobertos nas últimas décadas, uma vez que este peixe desenvolveu as suas próprias estruturas com dentes como os de Drácula, que cresceram a partir dos ossos da mandíbula.

Ver mais em El Mundo e BBC

10 de março de 2009

Mudança climática: 600 milhões de danificados


O degelo dos pólos poderá ser mais rápido do que se previa

Começou hoje uma conferência de três dias sobre a mudança climática, em Copenhaga, na que participam aproximadamente 2000 científicos de todo o mundo.

A sua intenção é aportar dados para preparar as negociações políticas que deverão acontecer no final deste ano, para estabelecer um novo tratado sobre o aquecimento global.

Já o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática da ONU, siglas em inglês) disse na sua última conferencia, no 2007, que o nível das águas deveria aumentar neste século entre 20 e 59 cm., pelo que foi duramente criticado como alarmista por alguns sectores.

Na conferencia actual, os novos dados aportados apontam a um aumento do nível das águas de aproximadamente 1 metro durante este século, o que poria em perigo à décima parte da população mundial, 600 milhões de pessoas, que vivem em ilhas, costas e outras zonas baixas.

Ainda, indicam que este aumento poderá ver-se agravado: se continuar o aquecimento global, estes números deverão ser ampliados.

E não só se fala do aumento do nível das águas, mas também de todas as alterações climatéricas que isto provoca (e que já estão a acontecer).

No entanto, os cépticos da mudança climática continuam a insistir em que isto tudo são exageros, que seja como for o aquecimento não se deve aos combustíveis fósseis, e que seguir o caminho das energias renováveis só nos vai enfiar numa recessão ainda maior.

É sempre bom que haja todo o género de opiniões, mas acho que alguns se esqueceram de quando se deve parar.

Ver mais na BBC aqui.

As células tronco são o futuro?

Células tronco obtidas da pele

Parece improvável, pelo menos num futuro próximo, que consigamos reconstruir-nos com células tronco. Mas sim está previsto que se consiga, em breve prazo, curar doenças até agora incuráveis, como o cancro, a diabetes ou o parkinson.

O tipo de acção que as células tronco podem realizar é, como é conhecido, especializar-se (converter-se) em qualquer um dos tipos celulares normais, podendo assim substituir células danificadas no organismo, como acontece nos casos das doenças antes referidas e de muitas outras. 

O maior problema no desenvolvimento dos estudos com células tronco assenta no conflito ético que supõe a utilização fundamentalmente de embriões humanos para a obtenção de células tronco, sendo depois estes necessariamente desdenhados.

Isto supôs que George Bush, em 2001, proibisse nos Estados Unidos que se financiassem com fundos públicos federais as investigações com células tronco, o que contribuiu a travar o desenvolvimento destes estudos.

Surgia há uns dias uma alternativa que trazia a esperança a muitas pessoas que dependem de uma evolução nestas investigações para poder-se curar: Científicos da Escócia e do Canadá publicaram um estudo (ver no Washington Post), na revista Nature, no que expõem que descobriram um processo para converter de maneira segura outros tipos de células normais em células tronco.

Já antes se tinham obtido progressos em investigações deste género, mas para a transformação em células tronco utilizavam-se vírus, para introduzir os genes necessários nas células, e isto trazia alguns riscos acrescentados como a introdução de potenciais agentes cancerígenos, ou danificar o próprio ADN celular.

O estudo agora publicado indica que só será necessário introduzir quatro genes, e que os mesmos são retirados uma vez finalizado o processo.

Este novo método ainda se encontra numa fase inicial, e deve demorar 4 ou 5 anos até que se possam começar a realizar ensaios clínicos.

No entanto, esta tecnologia acaba de receber um empurrão mais, da mão de Barak Obama, que não só derrogou a anterior lei mas ainda disse também que as leis sobre a ciência devem fazer-se baseando-se em critérios científicos.

Por tanto, têm agora caminho livre para avançar as diferentes investigações sobre este novo e apaixonante campo das células tronco. Esperemos que para bem de todos.

Ver mais na Wikipedia.