Aureus

Com este blog pretendo mostrar os últimos acontecimentos científicos, de maneira a ficarmos à par do que pôde ser feito pelos científicos neste momento, e dos últimos descobrimentos, e ao mesmo tempo oferecer curiosidades, engraçadas ou simplesmente esquisitas, do âmbito da ciência. Isto sempre numa linguagem acessível para todos, sem grandes complicações.
Lembrem-se que eu escrevo a estrutura, mas a vida do blog, o movimento, são os vossos comentários. Façam-os. Qualquer coisa que queiram, fico à vossa disposição.

14 de março de 2009

Criam um material que se repara sozinho


Entre estas duas fotografías a única diferença é meia hora de luz ultravioleta: O material repara-se sozinho
Realmente, a ciência não deixa de nos surpreender: No futuro pode acontecer que para reparar a tinta do seu carro a única coisa precisa seja um raio de sol.

Publicou-se recentemente na revista Science um estudo que explica a fabricação de um novo material que, através de reacções químicas provocadas pela luz ultravioleta, pode regenerar-se, ou seja, se o material gretado ou rasgado fica exposto à luz solar, arranja-se sozinho, ficando como novo. 

O segredo do material, afirmam os investigadores na revista Science, está em que utiliza moléculas feitas de chitosan, uma substância natural que se deriva de conchas e cascas de crustáceos como os camarões, e utilizado comercialmente em muitas dietas de emagrecimento.

Quando acontece uma rasgadura ou ruptura no material, que é um poliuretano, a luz ultravioleta pode produzir uma reacção química que repara o dano.

Os poliuretanos utilizam-se habitualmente em produtos muito variados, desde móveis até fatos de banho, mas até agora não se tinha conseguido melhorar a sua susceptibilidade ao dano mecânico.

Estes investigadores, pertencentes à Universidade do Sul de Mississippi, conseguiram desenhar moléculas capazes de unir oxetano (moléculas com forma de anel) com chitosan, acrescentando estas moléculas depois a uma mistura normal de poliuretano.

As gretas e os riscos na camada de poliuretano desta mistura podem partir os anéis de oxetano, deixando radicais da molécula livres para reagir quimicamente.

Com a luz ultravioleta que proporciona o Sol, as moléculas de chitosan dividem-se em duas, unindo os radicais reactivos do oxetano.

Estes materiais são capazes de reparar-se a si próprios em menos de uma hora, afirmou o professor Marek Urban, director da escola de polímeros e materiais de elevado rendimento da universidade, um dos autores do estudo. E podem ser utilizados em muitas aplicações de revestimento, por exemplo nas indústrias de transporte, embalagens, moda e biomedicina, acrescentou.

Entre os produtos que poderiam beneficiar-se com isto, dizem os peritos, estão por exemplo a tinta dos carros, telas adesivas para uso médico e fatos especiais para desporto.

Um verniz para cobrir os carros poderia reparar-se a si próprio enquanto o veículo é conduzido sob o Sol, dizem os autores, solucionando os riscos e arranhões enquanto damos uma voltinha.

13 de março de 2009

Confirmado: As baleias pariam em terra


Recriação a partir do esqueleto do macho de Maiacetus inuus

Já se pensava que era assim, mas descobriram uns fósseis que confirmam a teoria.

Encontraram dois fósseis, um de fêmea prenha no ano 2000, e outro de um macho no ano 2004, na mesma jazida, no Paquistão, que após um longo e meticuloso estudo dirigido pelo paleontólogo Philip Gingerich da Universidade de Michigan, confirmaram que as baleias pariam na terra firme, para além de acrescentar muitos outros dados sobre a transição entre a terra e o mar dos cetáceos.

Este é o primeiro fóssil conhecido de um feto de una baleia extinguida do grupo Archaeoceti, e os três exemplares determinam uma nova espécie, à que chamaram Maiacetus inuus, e que viveu há uns 47 milhões e meio de anos.

O feto apresenta características que vêm a confirmar que pariam em terra, como o facto de que está pronto para nascer de cabeça, como os mamíferos terrestres e ao contrário do que as modernas baleias.

O feto, ainda, apresenta um conjunto de dentes bem desenvolvidos, o que indicaria que desde recém nascidos poderiam sustentar-se por si próprios muito melhor do que os actuais durante as primeiras etapas da sua vida. 

Os grandes dentes que apresentam as baleias, ideais para capturar peixes, sugerem por sua vez que estes animais deviam viver fundamentalmente no mar, vindo à terra para acasalar e parir, e eventualmente para descansar, mas mais nada.

Tal como outras espécies do grupo Archaeoceti, a espécie Maiacetus inuus tinha quatro pés modificados para nadar, e ainda que estas baleias pudessem resistir o seu peso sobre as suas extremidades com formato de barbatanas, provavelmente não podiam percorrer grandes distâncias por terra.

O macho encontrado é semelhante anatomicamente à fêmea, mas um 12% maior e com dentes caninos um 20% maiores.

Estas não são características estranhas entre os cetáceos, onde há desde espécies em que as fêmeas são maiores até outras em que são maiores, por vezes muito consideravelmente, até, os machos.

Uma vez que o que se encontrou nesta espécie é uma diferença moderada, supõe-se que os machos não deviam controlar territórios nem dirigir haréns de fêmeas.


12 de março de 2009

Drácula existe. E vive nos rios da Birmânia


Fotografia dos dentes de osso de Danionella dracula

Encontrou-se aquele que poderia ser o único drácula real: um peixe de 17 milímetros de comprimento.

Sim, o peixe é muito pequeno, mas para os crustáceos e diminutos insectos dos que supostamente se alimenta deve ter um aspecto assustador.

Esta dieta é a habitual nas outras espécies da mesma família. Mas elas não possuem estes espectaculares apêndices dentários exclusivos, pelo que está a ser investigada agora qual poderá ser a sua fonte de alimento habitual.

Até porque das outras 3700 espécies da ordem dos cypriniformes (à que pertencem as carpas) nenhuma possui dentes, perderam-nos evolutivamente há uns 50 milhões de anos.

Este peixe foi descoberto num rio da Birmânia, em Abril do 2007, e enviado como peixe de aquário ao Museu de Historia Natural de Londres.

Após um ano, quando começaram a morrer, seguindo o processo normal de trabalho conservaram-nos e analisaram-nos, e então surgiu a surpresa.

E após a mesma novos análises, até que hoje, finalmente, um grupo de científicos deste museu confirmou numa publicação na prestigiosa revista Proceedings of the Royal Society B que se trata de uma nova espécie, à que baptizaram, como não podia ser de outra maneira, como Danionella dracula

Segundo Ralph Britz, zoólogo do Museu de Historia Natural de Londres, o peixe é um dos vertebrados mais extraordinários descobertos nas últimas décadas, uma vez que este peixe desenvolveu as suas próprias estruturas com dentes como os de Drácula, que cresceram a partir dos ossos da mandíbula.

Ver mais em El Mundo e BBC