Aureus

Com este blog pretendo mostrar os últimos acontecimentos científicos, de maneira a ficarmos à par do que pôde ser feito pelos científicos neste momento, e dos últimos descobrimentos, e ao mesmo tempo oferecer curiosidades, engraçadas ou simplesmente esquisitas, do âmbito da ciência. Isto sempre numa linguagem acessível para todos, sem grandes complicações.
Lembrem-se que eu escrevo a estrutura, mas a vida do blog, o movimento, são os vossos comentários. Façam-os. Qualquer coisa que queiram, fico à vossa disposição.

18 de março de 2009

Existe vida fora da Terra


Encontraram-se 3 novas espécies na troposfera

Uma experiência realizada por científicos da prestigiosa Indian Space Research Organisation (ISRO), teve um surpreendente resultado: encontrou-se vida fora da crosta terrestre.

O objectivo pretendido era pôr em órbita um balão de 784 milhões de litros, que continha 459 kg. de carga útil (16 sondas de aço inoxidável esterilizadas para obtenção e crio-conservação de amostras) e 38 kg. de néon líquido (para manter congeladas as amostras).

Este balão devia recolher amostras em diferentes altitudes, entre 20 e 41 Km., introduzi-las consecutivamente nas sondas esterilizadas e congeladas, e lançar as amostras de paraquedas.
Estas foram analisadas posteriormente no Centre for Cellular and Molecular Biology (CCMB) em Hyderabad, e no National Centre for Cell Sciences (NCCS), em Pune.

E o extraordinário resultado foi descobrir 12 espécies de bactérias e 6 de fungos, sendo que 3 das espécies de bactérias são totalmente desconhecidas, novas espécies, e apresentam a característica de ser extremamente resistentes à radiação ultravioleta, o que poderia indicar uma adaptação ao meio, fazendo pensar que a estratosfera é o seu meio natural.

Assim, não se poderia falar exactamente de vida extraterrestre, mas sim de vida na estratosfera, donde se pensava que já não devia existir, ou que, se houvesse, seria muito residual.

Baptizaram-nas Janibacter hoylei, como homenagem ao astrofísico Fred Hoyle, Bacillus isronensis, como forma de reconhecimento ao trabalho do ISRO, e Bacillus aryabhata, como homenagem ao astrónomo indiano Aryabhata e também ao homónimo primeiro satélite do ISRO.

Apesar da euforia inicial, os científicos não proclamam o descobrimento de vida extraterrestre, mas mais modestamente preferem dizer que este descobrimento é um estímulo para continuar este tipo de investigações.

Mais informação em Ojo Científico.


17 de março de 2009

A Robô Fashion


HRP-4C - A robô mais fashion, vai desfilar próximamente no Japão

Os avanços da tecnologia não deixam de nos surpreender. E, na robótica, os japoneses são já há muito tempo os que vão à frente.

Vai ser apresentada no Tokio Fashion Show uma robô, que deve desfilar sozinha. Mas, para além de andar, esta boneca cibernética pode mudar as suas expressões faciais, o que é provavelmente o maior avanço conseguido com ela.

Os investigadores do Instituto Nacional Japonês de Ciência e Tecnologia Industrial Avançada decidiram apresentar o protótipo, ao que chamaram HRP-4C, como se fosse uma modelo, e para isso fizeram-no com formato de mulher, que parece vestida com uma espécie de fato espacial, em preto e prata, y com a forma e o peso aproximado de uma mulher japonesa média (1,5 metros e 43 quilogramas, aproximadamente).

Escolheram para a cara seguir os modelos dos clássicos desenhos manga, porque achavam que se a fizessem com feições mais humanas poderia até ser rejeitada de alguma maneira pelo público, por ficar parecida demais com as pessoas.

No entanto, esta robô não pode realizar outras funções, foi concebida para ter aspecto humano, fazer movimentos, andar e mudar as expressões faciais. E para isso precisa de 42 motores repartidos pelo corpo.

Representa mais uma fase no desenvolvimento robótico, a de aperfeiçoar o humanismo destes aparelhos. O que pode acabar, se a apple entra neste negócio, com uma espécie de barbie de 1,80 metros, loira e de lábios sensuais. Mas por enquanto é assim como se vê.

O que se propõem estes investigadores é chegar a conseguir robôs domésticos, que ajudem nas tarefas domésticas ou em tarefas simples (existem vários modelos que estão a ser testados como recepcionistas), como já se viu com os apresentadores virtuais, de alguma maneira. 

O que é mais discutível é a humanização ou não do aspecto: Por um lado, deixa nervosas às pessoas, mas por outro, é mais fácil tratar com algo que parece humano do que falar, perguntar coisas ou dar ordens a uma caixa quadrada com luzes, não é?

Veremos onde acaba a robótica, e se Asimov tinha razão. Entretanto, apreciem esta bonequinha no vídeo a seguir:

O tubarão branco não descende do Megalodonte






O grande tubarão branco parece que descende do Mako e não do Megalodonte



Investigadores da Universidade da Florida (Estados Unidos) confirmam no último número do Journal of Vertebrate Paleontology que os tubarões brancos actuais (Carcharodon carcharias) evolucionaram do tubarão mako de dentes largos e não do Megalodonte (Carcharodon megalodon), o peixe carnívoro maior que se conheceu, como alguns paleontólogos achavam. Os resultados baseiam-se no fóssil de uma espécie primitiva de tubarão branco de entre 4 e 5 milhões de anos de antiguidade.



Este fóssil foi encontrado numa zona desértica do Peru, e apresenta novos dados sobre os antepassados dos temidos tubarões brancos.


Encontrar fósseis de tubarões é pouco habitual uma vez que os esqualos têm a maior parte do seu esqueleto formado por cartilagem. Do novo espécimen, no entanto, conservaram-se grande parte da coluna vertebral, 45 vértebras, a cabeça e uma boca com 222 dentes.


O achado poderia por fim a um antigo debate sobre a árvore evolutiva destes animais. Desde há mais de 150 anos os paleontólogos debatem se o tubarão branco (Carcharodon carcharias) é um parente mais pequeno da linha de espécies à que pertence o enorme Carcharodon megalodon, ou se procedia do mako de dentes largos .



De acordo com o grupo que defendia a linha do tubarão mako, deveria ter-se mudado o nome do género do Megalodonte , que mediu até 18 metros de cumprimento, para diferenciar entre os ancestrais. A investigação publicada no Journal of Vertebrate Paleontology confirma que o Megalodonte e os modernos tubarões brancos estão muito menos relacionados do que alguns paleontólogos achavam.


Baseando-se no tamanho dos dentes e na análise dos anéis de crescimento intervertebrais, os investigadores chegaram à conclusão de que o tubarão fóssil devia ter uns 20 anos e medir de 5 a 5,5 metros de cumprimento. Os resultados apontam a que se trata de uma espécie de tubarão branco estreitamente ligado ao Isurus hastalis, um tubarão mako de dentes largos que chegou a alcançar um tamanho de 8 metros de cumprimento e que viveu há 9 milhões de anos.


O Megalodonte deve ter sido contemporâneo deste outro tubarão, mas tinha um tamanho de até 18 metros ou mais, o que evidencia as grandes diferenças entre uma e outra espécie, enquanto que o fóssil encontrado e o tubarão branco têm tamanhos muito semelhantes.



Os grossos dentes com formato de serrote do fóssil de tubarão são a prova de uma transição entre os tubarões mako de dentes largos, que comem fundamentalmente peixes, e os modernos tubarões brancos. Aqui temos um tubarão que está a adquirir dentes com forma de serrote e que se está a converter num tubarão branco, mas que ainda o não é, explicou Dana Ehret, da Universidade da Florida, principal autor do estudo.


O exemplar fóssil de tubarão provinha de uma zona conhecida como a Formação Pisco que há 4 milhões de anos era um resguardado entorno marinho pouco profundo, ideal para a conservação dos esqueletos, e onde para além do esqualo encontraram-se outros fósseis de animais marinhos.