Aureus

Com este blog pretendo mostrar os últimos acontecimentos científicos, de maneira a ficarmos à par do que pôde ser feito pelos científicos neste momento, e dos últimos descobrimentos, e ao mesmo tempo oferecer curiosidades, engraçadas ou simplesmente esquisitas, do âmbito da ciência. Isto sempre numa linguagem acessível para todos, sem grandes complicações.
Lembrem-se que eu escrevo a estrutura, mas a vida do blog, o movimento, são os vossos comentários. Façam-os. Qualquer coisa que queiram, fico à vossa disposição.

23 de março de 2009

Células solares imprimíveis, flexíveis e baratas


Impressão de células solares em polímeros

Estão-se a desenvolver novas células solares, plásticas, imprimíveis, flexíveis e baratas, fabricadas em rolos. Pretende-se que estas células se possam imprimir sobre polímeros, de maneira semelhante à impressão de notas.

Neste momento há uma empresa, Securency International, especializada na impressão de dinheiro, que está a desenvolver provas de impressão com estas células solares.

A ideia é produzi-las em massa, fazendo-as mais baratas, e depois instala-las em telhados de edifícios e outras superfícies amplas.

Ainda se está a desenvolver esta tecnologia (o projecto encontra-se agora a meio do caminho, aproximadamente), mas as perspectivas são muito boas, e espera-se que se possam instalar painéis impressos em telhados, experimentalmente, num curto espaço de tempo. De facto, as provas de impressão já começaram, 6 meses antes da previsão.

Este projecto está a ser desenvolvido por um consórcio, VICOSC, no que se juntam universidades e industria, havendo investigadores da Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation (CSIRO), da universidade de Melbourne, da universidade de Monash, e das empresas Securency, BP Solar, Bluescope Steel e Merck.

Este tipo de união, sempre desejável, vem a reforçar a indicação de que a indústria o considera viável, e não uma hipótese remota.

Se o desenvolvimento for o previsto, esta investigação poderia levar à industria Australiana a liderar nos componentes electrónicos imprimíveis, uma tecnologia à que se prevê um brilhante futuro.

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21 de março de 2009

Evolução das plantas: Revêem mil milhões de anos


Calliarthron cheilosporioides, uma alga vermelha com lignina

As plantas erguem-se, na terra firme, graças (entre outras substâncias) à lignina. As algas não precisam dela, nem a têm (ou isso se julgava), porque se apoiam na água para se suster. A lignina é um componente principal da madeira, é como uma cola que ajuda a fortificar as paredes celulares, e é essencial para o transporte da água em muitas plantas terrestres.

Por tanto, o aparecimento da lignina deveria ser um dos factores cruciais para a colonização da terra firme pelas plantas. Mas agora descobriu-se uma alga marinha com lignina: a Calliarthron cheilosporioides, uma alga vermelha, possui esta substância nas suas paredes celulares.

Todas as plantas terrestres evoluíram a partir das algas verdes, e os científicos sempre acreditaram que a lignina tinha aparecido quando as plantas começaram a colonizar a terra, como um mecanismo de adaptação para estabilizar o crescimento vertical e para assegurar o transporte de água desde as raízes.

Como provavelmente as algas verdes e vermelhas divergiram há mais de mil milhões de anos, o descobrimento de lignina numa alga vermelha sugere que a maquinaria básica para produzir lignina pôde ter existido muito antes de que as algas colonizassem a terra, pelo que investigam agora quais outras funções poderá desenvolver esta substancia nas algas.

A hipótese de que se tivesse desenvolvido a lignina por separado em diferentes momentos nas algas verdes e nas vermelhas foi rejeitada pelos investigadores, devido à complexidade das rotas metabólicas, os genes e os enzimas implicados na elaboração desta substância.

Este estudo foi efectuado por especialistas da Universidade da Columbia Britânica, no Canadá, e da Universidade de Stanford, Estados Unidos, entre outros, sendo o seu autor principal Patrick Martone, e foi publicado na revista Current Biology.

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19 de março de 2009

Golfinhos: Navegação por sonar em estéreo


Golfinhos, belugas e cachalotes têm sonar. E em duplicado.

Os biólogos há já muito tempo que sabem que os odontoceti, ou baleias com dentes, um grupo que inclui os cachalotes, belugas ou baleias brancas e golfinhos, navegam e caçam utilizando um sonar.

Até há pouco, os biólogos achavam que o sonar que utilizavam era como um par de faróis: trabalharia na direcção à que estivesse dirigida a cabeça. Mas em 2008, Patrick Moore, do Space and Naval Warfare Systems Command, um centro de investigação da marinha dos Estados Unidos em San Diego, Califórnia, junto com alguns colegas, descobriram que os golfinhos-comuns (Tursiops truncatus , o Flipper da serie de TV) podem varrer por ecolocalização uns 20º para qualquer um dos lados sem mexer a cabeça, mesmo que não pudessem determinar como conseguiam faze-lo.

A teoria agora desenvolvida postula que estes animais produzem dois sons, separados por um pequeno intervalo de tempo, o que lhes devolveria frequências diferentes para diferentes localizações espaciais, por causa das interferências nas ondas de som.

Assim, segundo o biólogo marinho Marc Lammers, do Hawaii Institute of Marine Biology da universidade do Hawaii, Kaneohe, os golfinhos e os seus parentes próximos poderiam utilizar o som para navegar direccionando o seu sonar mediante a fusão de dois pulsos conjuntos. É o equivalente acústico de mexer os olhos sem mexer a cabeça, indica o biólogo. 

Reforçando esta teoria, vai ser publicado um estudo neste verão, em Biology Letters. Este estudo, de Lammers e Manuel Castellote, do L'Oceanogràfic aquarium de Valencia, España, demonstra, colocando vários hidrófonos numa piscina com uma beluga, que ela emite dois pulsos de sonar, em intervalos de menos de um segundo de separação.

Os estudos anatómicos já tinham revelado que os odontoceti têm dois geradores de som ou lábios fónicos, como os baptizaram, mas não se sabia se os usavam alternativamente ou em simultâneo. Agora chegou a resposta: usam-nos consecutivamente, o que lhes permite ampliar a zona explorada.

Lammers especula também que os golfinhos desenvolveram esta capacidade de dirigir os seus pulsos sónicos como uma forma de ampliar o seu campo de visão acústico: Muitos dos golfinhos não podem mexer o pescoço, diz, e este sentido poderia lhes permitir “olhar” sem ter que reorientar os seus corpos inteiros

Lee Miller, um grande conhecedor dos biosonares da University of Southern Denmark, diz também que a orientação do feixe pode ser exclusiva das baleias dentadas. Os morcegos, que também utilizam o sonar para se orientarem, não deveriam estar em condições de faze-lo, diz, porque só têm um gerador de som: as suas cordas vocais.

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