Aureus

Com este blog pretendo mostrar os últimos acontecimentos científicos, de maneira a ficarmos à par do que pôde ser feito pelos científicos neste momento, e dos últimos descobrimentos, e ao mesmo tempo oferecer curiosidades, engraçadas ou simplesmente esquisitas, do âmbito da ciência. Isto sempre numa linguagem acessível para todos, sem grandes complicações.
Lembrem-se que eu escrevo a estrutura, mas a vida do blog, o movimento, são os vossos comentários. Façam-os. Qualquer coisa que queiram, fico à vossa disposição.

2 de abril de 2009

Amortecedores que produzem electricidade


Amortecedor com reaproveitamento energético

Uma equipa de estudantes do MIT inventou um amortecedor que aproveita a energia dos solavancos e protuberâncias das estradas, gerando electricidade ao mesmo tempo que desempenha, com maior eficácia do que os amortecedores convencionais, a sua função de suavizar as sacudidelas do percurso.

O projecto surgiu a partir de uma investigação sobre as perdas energéticas dos veículos.

Começaram por alugar automóveis de vários modelos, equipando com sensores diversas partes dos veículos, para calcular o potencial de energia aproveitável, e andaram com os mesmos levando com eles um computador portátil para registrar os dados dos sensores. As provas realizadas demonstraram-lhes que é desperdiçada uma quantidade significativa de energia na travagem, e também nos sistemas convencionais de suspensão, particularmente nos veículos pesados. Como alguns automóveis híbridos recuperam já parte da energia da travagem, a equipa decidiu concentrar-se na suspensão.

Quando compreenderam as possibilidades, dedicaram-se a construir um protótipo do sistema para redireccionar a energia desperdiçada. O seu protótipo de amortecedor utiliza um sistema hidráulico que conduz um fluido através duma turbina ligada a um gerador. O mecanismo é controlado por um sistema electrónico activo que optimiza o amortecimento, proporcionando assim um andamento mais suave que o que se obtém com os amortecedores convencionais, e ainda gerando ao mesmo tempo electricidade para recarregar as baterias ou para fazer funcionar o equipamento eléctrico.

Até ao momento, nas suas provas, a equipa do projecto já descobriu que num camião pesado com 6 amortecedores, poderia gerar numa estrada normal energia suficiente para, em alguns casos, alimentar acessórios tais como as unidades de refrigeração de camiões de transportes refrigerados.

Shakeel Avadhany e os sus colaboradores, que apresentaram o ano passado um pedido de patente para este sistema, dizem que podem conseguir uma melhora de até um 10 por cento no consumo de combustível dos veículos, com a utilização dos seus amortecedores regeneradores, no modelo definitivo, que deverá estar pronto durante este verão.

Esperam encontrar os primeiros clientes entre as empresas que operam com grandes parques de veículos pesados, e de facto encontram-se agora realizando provas com veículos Humvee (os grandes todoterrenos do exército dos Estados Unidos), uma vez que a empresa que os faz mostrou-se muito interessada.

Só falta dizer que, se a estimativa para uma estrada normal na circulam estes investigadores é de 10% de poupança de combustível, nas nossas estradas, com os buracos e o mau estado geral que padecemos, quanto íamos poupar?

Aqui podem ver ou descarregar em formato PDF a revista do MIT que publicou este artigo, em inglês.



30 de março de 2009

Um vírus incorporado no genoma, é um vírus?


A vespa parasita Cotesia preparando-se para depositar os seus ovos na lagarta Manduca caterpillar

O que é um vírus? Alguns científicos repensam a pergunta agora, devido a um trabalho apresentado por Donald Stoltz, professor de microbiologia e imunologia na Universidade Dalhousie em Halifax, Nova Escócia, Canadá, e James Whitfield, professor de entomologia na Universidade de Illinois, no que falam das diferentes maneiras nas que os vírus operam dentro e entre os organismos com os que interactuam, demonstrando novos tipos de relações.

A interacção entre uma vespa parasita, uma lagarta parasitada, e um vírus que passa de uma à outra, criou uma nova série de questões sobre a definição de vírus.

Este análise baseia-se nos resultados também recentes de um estudo dirigido desde a Universidade François Rabelais, em Tours, França, no que se comprovou que os genes que codificam o vírus que ajuda à vespa a parasitar de maneira eficaz às lagartas, existem também nos cromossomas das vespas. Estes genes, relacionados com os de outros vírus conhecidos, são uma parte indivisível da herança genética das vespas, sendo por isso transmitidos de uma geração de vespas à seguinte.

O mais assombroso sobre estes vírus é que o organismo no que se encontram incorporados no seu ADN os seus genes não é o mesmo organismo sobre o que tais genes actuarão. Desta maneira, é como se o vírus tivesse dois organismos receptores, mesmo sem que o vírus siga em nenhum deles um ciclo de vida completo: O vírus beneficia à vespa e depende dela para a sua própria sobrevivência, sugerindo com isso um género de mutualismo obrigatório que é pouco comum nos vírus. Ainda, nenhum deles poderia viver sem a lagarta.

Há mais de 40 anos que a comunidade científica sabe que algumas espécies de vespas parasitas injectam vírus deste género nas cavidades corporais das lagartas ao mesmo tempo que depositam os seus ovos nestas.

Como estes vírus se converteram numa parte essencial do genoma das vespas, alguns investigadores sugeriram que não devem seguir sendo considerados como tais. Os estudos futuros que se realizem na linha de investigação seguida por este recente análise poderiam ajudar a responder de maneira concludente a questão sobre se é correcta a maneira de definir os vírus.

A relação estreita entre varias espécies, mais conhecida com bactérias, não era até agora aplicada aos vírus. Mas não podemos esquecer a importante função que muitos destes minúsculos seres realizam, como a degradação da celulosa pelos ruminantes (são bactérias, fungos e protozoos, não os herbívoros, quem a realiza), ou, no caso extremo (e de fusão absoluta), os produtores de energia por excelência dos seres vivos eucariotas: as mitocondrias, antigas bactérias segundo as actuais teorias.

Por tanto, não devemos desprezar os seres microscópicos, nem esquecer que os prejudiciais para nos são uma parte ínfima das espécies existentes, e que são, geralmente, muito mais antigos, e eficientes, do que nos.



28 de março de 2009

O fóssil impossível: Polvo do Cretácico, com tinta e ventosas


Keuppia levante, uma das novas especies descobertas

Novos descobrimentos de fósseis com 95 milhões de anos, demonstram que a origem dos modernos polvos é muito anterior ao que se pensava. Estes fósseis são muito pouco frequentes, uma vez que as possibilidades de que o corpo do polvo, uma vez morto, dure o suficiente como para que fossilize são muito remotas, devido às características naturais do corpo.

Os polvos, animal bem conhecido, não possuem esqueleto interno bem desenvolvido, o que lhes permite deslizar-se por espaços que um vertebrado não poderia. Mas é isto mesmo o que praticamente impede a fossilização do seu corpo, e o que faz muito mais difíceis as investigações evolutivas sobre os mesmos.

O seu corpo está composto praticamente na sua totalidade pela pele e os músculos, pelo que quando morre se degrada rapidamente, convertendo-se numa massa gelatinosa da que em poucos dias não ficará absolutamente nada, mesmo sem contar com os animais que comem os corpos mortos. De facto, nenhuma de entre as 200 e 300 espécies de polvos que se conhecem foi encontrada fossilizada. Até agora.

Um grupo de paleontólogos identificou recentemente três novas espécies de polvo fósseis, descobertas em rochas do Cretácico no Líbano. As cinco amostras, que se descrevem no último número da revista Palaeontology, têm 95 milhões de anos, mas, surpreendentemente, preservam os seus oito tentáculos, com pegadas dos músculos e as características filas de ventosas. Inclusive algumas amostras apresentam os rastos da tinta e das brânquias internas. Estes são fósseis sensacionais, extraordinariamente bem conservados, afirma Dirk Fuchs da Universidade Freie de Berlim, autor principal do relatório. Mas o que mais surpreendeu aos científicos é as semelhanças que há entre estes fósseis e os exemplares modernos: Estas coisas têm 95 milhões de anos, e no entanto um dos fósseis é quase indistinguível de espécies vivas.

Isto proporciona importante informação evolutiva. Os parentes mais primitivos dos polvos tinham barbatanas carnudas ao longo dos seus corpos. Os novos fósseis estão tão bem conservados que se verifica que, tal como os actuais polvos, não tinham essas estruturas. Isto empurra as origens do polvo moderno umas dezenas de milhões de anos para trás, e mesmo isto sendo cientificamente importante, tal vez o mais notável em relação a estes fósseis é que, simplesmente, existem.

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