Aureus

Com este blog pretendo mostrar os últimos acontecimentos científicos, de maneira a ficarmos à par do que pôde ser feito pelos científicos neste momento, e dos últimos descobrimentos, e ao mesmo tempo oferecer curiosidades, engraçadas ou simplesmente esquisitas, do âmbito da ciência. Isto sempre numa linguagem acessível para todos, sem grandes complicações.
Lembrem-se que eu escrevo a estrutura, mas a vida do blog, o movimento, são os vossos comentários. Façam-os. Qualquer coisa que queiram, fico à vossa disposição.

4 de abril de 2009

O primeiro robô científico


Adam, o robô que investiga sozinho

Uma equipa de científicos da Universidade de Aberystwyth, em Gales, criou o Adam,  o primeiro robô capaz de desenvolver uma hipótese e chegar a conclusões científicas frente a um objecto de estudo definido.

Este robô é a primeira máquina que consegue descobrir de maneira independente nova informação científica. Já conseguiu identificar a função de vários genes em células de levedura e é capaz de projectar mais experiências para comprovar as suas próprias hipóteses, segundo dizem os seus criadores na revista Science.

Os investigadores esperam que com a ajuda de robôs como Adam os científicos humanos possam ter mais tempo no futuro para levar a cabo experiências mais avançadas: Os nossos colegas robóticos poderiam realizar as tarefas mais mundanas, segundo o professor Ross King, chefe da equipa científica que criou o Adam.

Adam foi desenvolvido especificamente para investigar a função dos genes nas células de levedura e esteve a esclarecer a função de 12 destes genes. Pode fazer até 1000 experiências por dia, e, mercê è sua inteligência artificial, é capaz de estabelecer hipóteses, fazer experiências para as comprovar, utilizar o equipamento do laboratório, interpretar os resultados e repetir todo o ciclo uma e outra vez.

De todas as maneiras, o professor King especifica que o desenvolvimento do robô ainda se encontra nas suas primeiras etapas, e neste momento não é rentável economicamente: Se gastássemos todo o dinheiro que gastamos em Adam empregando biólogos humanos, provavelmente o robô não resultaria ser uma opção rentável. Mas o mesmo aconteceu quando se fabricou o primeiro carro. Inicialmente o investimento na tecnologia não era tão rentável como as carruagens de cavalos, afirma o científico.

Será este o princípio de uma nova época, na que os robôs trabalham para que os humanos vivam gozando, tal como anuncia há tanto a ficção científica? E, será isso tão mau como o descrevem nos livros e filmes?

2 de abril de 2009

O animal mais venenoso: Rã dardo venenoso dourada


Rã dardo venenoso dourada, Phyllobates terribilis, o animal mais venenoso do mundo

Se falamos de animais venenosos, lembrámo-nos rapidamente de
serpentes, aranhas e escorpiões.

Temos exemplos claros disso mesmo, como a serpente taipan, da Austrália, a mais venenosa do mundo: uma mordidela sua tem suficiente veneno para matar até 100 pessoas.

Outro exemplo é a aranha armadeira ou aranha da banana, que mata em
poucas horas, ou o escorpião perseguidor da morte, africano, que causa a morte com bastante probabilidade.

No entanto, outros animais não tão relacionados por nos com o veneno podem concorrer com estes, como o
um bonito animal com neurotoxinas mortais, cuja mordedura quase não se nota, até sentirmos os músculos relaxados, e deixarmos de respirar...

Ou a vespa-do-mar, uma alforreca ou medusa, do Pacífico, mais fácilmente encontrada perto da Australia, com tentáculos de até 3 metros, e que mata a uma pessoa em... 2 minutos!

Ou o peixe pedra, sempre escondido, mal se vê, na costa australiana onde mora, entre os corais, mas com 13 espinhas
que, por contacto, matam qualquer animal que se aproxime o suficiente. Incluídos os humanos. Parece que de facto Australia é um bom lugar para animais venenosos. Este peixinho é o segundo mais venenoso dos apresentados até agora, só superado pela taipan.


Mas, em primeiro lugar, mais venenosa que os outros todos, temos uma rãzinha, a dardo venenoso dourada, da América central e do Sul, com um venenozinho na pele que é obra: duas microgramas, que cabem na cabeça de um alfinete, matam por contacto (por contacto, não é necessário ingerir) um mamífero médio o grande. Ou seja, uma vaca, ou uma pessoa.

Fala-se de casos de cães e galinhas que morreram por ter passado por cima de folhas pelas que tinha passado a nossa rã. Com 2 centímetros e meio de tamanho, calcula-se que tem veneno suficiente para matar 1.500 pessoas. Sabem de onde vem o seu nome? Os indígenas passam as pontas das suas setas ou dardos por cima dela, pela sua pele, para depois caçar com estas setas envenenadas.

É pequena e bonita, mas, quem namora com ela?



Amortecedores que produzem electricidade


Amortecedor com reaproveitamento energético

Uma equipa de estudantes do MIT inventou um amortecedor que aproveita a energia dos solavancos e protuberâncias das estradas, gerando electricidade ao mesmo tempo que desempenha, com maior eficácia do que os amortecedores convencionais, a sua função de suavizar as sacudidelas do percurso.

O projecto surgiu a partir de uma investigação sobre as perdas energéticas dos veículos.

Começaram por alugar automóveis de vários modelos, equipando com sensores diversas partes dos veículos, para calcular o potencial de energia aproveitável, e andaram com os mesmos levando com eles um computador portátil para registrar os dados dos sensores. As provas realizadas demonstraram-lhes que é desperdiçada uma quantidade significativa de energia na travagem, e também nos sistemas convencionais de suspensão, particularmente nos veículos pesados. Como alguns automóveis híbridos recuperam já parte da energia da travagem, a equipa decidiu concentrar-se na suspensão.

Quando compreenderam as possibilidades, dedicaram-se a construir um protótipo do sistema para redireccionar a energia desperdiçada. O seu protótipo de amortecedor utiliza um sistema hidráulico que conduz um fluido através duma turbina ligada a um gerador. O mecanismo é controlado por um sistema electrónico activo que optimiza o amortecimento, proporcionando assim um andamento mais suave que o que se obtém com os amortecedores convencionais, e ainda gerando ao mesmo tempo electricidade para recarregar as baterias ou para fazer funcionar o equipamento eléctrico.

Até ao momento, nas suas provas, a equipa do projecto já descobriu que num camião pesado com 6 amortecedores, poderia gerar numa estrada normal energia suficiente para, em alguns casos, alimentar acessórios tais como as unidades de refrigeração de camiões de transportes refrigerados.

Shakeel Avadhany e os sus colaboradores, que apresentaram o ano passado um pedido de patente para este sistema, dizem que podem conseguir uma melhora de até um 10 por cento no consumo de combustível dos veículos, com a utilização dos seus amortecedores regeneradores, no modelo definitivo, que deverá estar pronto durante este verão.

Esperam encontrar os primeiros clientes entre as empresas que operam com grandes parques de veículos pesados, e de facto encontram-se agora realizando provas com veículos Humvee (os grandes todoterrenos do exército dos Estados Unidos), uma vez que a empresa que os faz mostrou-se muito interessada.

Só falta dizer que, se a estimativa para uma estrada normal na circulam estes investigadores é de 10% de poupança de combustível, nas nossas estradas, com os buracos e o mau estado geral que padecemos, quanto íamos poupar?

Aqui podem ver ou descarregar em formato PDF a revista do MIT que publicou este artigo, em inglês.