Aureus

Com este blog pretendo mostrar os últimos acontecimentos científicos, de maneira a ficarmos à par do que pôde ser feito pelos científicos neste momento, e dos últimos descobrimentos, e ao mesmo tempo oferecer curiosidades, engraçadas ou simplesmente esquisitas, do âmbito da ciência. Isto sempre numa linguagem acessível para todos, sem grandes complicações.
Lembrem-se que eu escrevo a estrutura, mas a vida do blog, o movimento, são os vossos comentários. Façam-os. Qualquer coisa que queiram, fico à vossa disposição.

19 de abril de 2009

Os cavalos foram domesticados há mais de 5.000 anos



Cavalo semi-salvagem nos Pirinéus



Um grupo de investigadores do Museu Carnegie de Historia Natural de Pittsburgh, Estados Unidos, e das universidades de Exeter e Bristol no Reino Unido, descobriram a evidência de que os cavalos foram domesticados no Cazaquistão, já há uns 5.500 anos, 2.000 antes do que na Europa e 1.000 antes do que se julgava até agora.




Estes cavalos deviam servir como médio de transporte, método de obtenção de leite (ordenhavam-nos) e de carne. No seu conjunto, o impacto social deve ter sido de grande importância, porque lhes dava grandes vantagens sobre os outros grupos sociais.



Cazaquistão, na Ásia Central, é o nono maior país do mundo, e o maior sem mar, com extensas e quase áridas estepes muito ricas em cavalos na zona norte do país. Os dados recolhidos pelos arqueólogos apoiam a hipótese de que a domesticação dos cavalos contribuiu em boa medida para o desenvolvimento das culturas Botai na região norte e central do Cazaquistão, e Tersek na oeste.


A equipa de investigação empregou varias técnicas para descobrir que os cavalos proporcionavam carne e leite, para demonstrar que os cavalos domésticos diferiam dos selvagens da mesma região, e para provar que os cavalos já eram montados no quarto milénio antes de Cristo nesta zona.


Entre outras técnicas, os investigadores utilizaram um novo método de análise de resíduos de gordura solúvel em lipídeos encontrados em antiga cerâmica Botai para encontrar rastos de gorduras do leite de cavalo, o que conduz à conclusão de que as pessoas consumiam o leite de cavalo já nos inícios da Idade de Cobre, há uns 5.500 anos.



O leite de égua continua a ser um alimento básico de consumo no Cazaquistão, onde geralmente é ligeiramente fermentado para fazer uma bebida alcoólica tradicional chamada «kumis»


Também estudaram os ossos para demonstrar que o formato dos cavalos domésticos da idade do bronze é igual ao dos actuais, mas diferente doutros selvagens, mais antigos.



E ainda investigaram nos ossos as possíveis marcas e pequenas lesões dos adereços nos cavalos, o que vêm a demonstrar que os montavam.


É obvio que a domesticação dos cavalos deve ter tido importantes repercussões sociais e económicas, introduzindo avances nas comunicações, no transporte, na produção de alimentos e na potência militar. Por isto, estes novos achados são especialmente importantes porque mudam a perspectiva que os arqueólogos tinham sobre como se desenvolveram estas sociedades.




18 de abril de 2009

Fotografia infinita da Natureza


Fotografia infinita da Natureza, um projecto da National Geographic

Muitos de vocês devem conhecer a fotocomposição que consiste em criar uma fotografia como um mosaico de muitas fotografias pequenas, situando, por exemplo, as pequenas de cores claros nas zonas claras da grande, ou utilizar as pequenas que têm mais zonas azuis para compor a parte azul da grande, etc.

Existem programas de tratamento fotográfico que fazem isto automaticamente, e até é bastante engraçado, pela minha experiência.

Mas agora acontece que a National Geographic decidiu utilizar este conceito à grande: A partir de milhares de fotografias da natureza, enviadas pelos utilizadores, conseguiu a fotografia infinita da natureza: Cada uma das fotografias é um mosaico feito com as outras fotografias.

A partir disso apresentam-nos uma fotografia inicial, na que, se seleccionarmos uma parte, vemos as pequenas fotografias que a compõem. E se voltamos a seleccionar, poderemos agora obter outra fotografia (a que nós escolhemos) que fica agora como inicio do ciclo, e assim tantas vezes como quisermos.

A mi, que gosto da natureza e da fotografia, pareceu-me uma ideia genial. O site da National Geographic onde se encontra isto é a guia verde.

Como exemplo do que podem fazer, deixo-vos este vídeo que publicaram no Youtube.



Esta noticia descobri-a em Ojo Científico.



15 de abril de 2009

A mão de Deus


A mão de Deus (Pulsar PSR B1509-58)

Já tinha escrito um artigo sobre o olho de Deus. Parece que estamos a encontrar partes d´Ele pela Galáxia: neste caso, foi o telescópio espacial Chandra da NASA, o que encontrou a mão de Deus (ou, se preferirem, uma nebulosa criada pelo jovem mas energético pulsar PSR B1509-58).


Nebulosa vista com infravermelhos, raios X e ondas de radio em simultâneo

Esta nebulosa tem todo o aspecto, como podem ver, duma mão azul tentando alcançar uma nuvem vermelha. Até nas cores coincide com o esperado: uma mão azul (divina) tentando agarrar o fogo do Inferno. Só que esta mão tem 150 anos-luz de diâmetro.

As cores apresentadas dependem da energia dos raios X: os mais energéticos aparecem azuis, os intermédios verdes e os de menor energia, vermelhos.

O pulsar é uma estrela de neutrões, pequena e muito densa, que vira muito rapidamente sobre si própria, emitindo tanta energia nas voltas que da lugar a uma nebulosa com estruturas complexas, como esta fotografia de raios X demonstra.

Neste caso, o B1509 (nome abreviado), tem uns 32 quilómetros de diâmetro, enquanto que a nebulosa que cria, como já dissemos, tem 150 anos-luz, o que nos fala da magnitude da energia desprendida pela estrela.

A velocidade de giro estimada do pulsar é de 7 rotações por segundo (a estrela da 7 voltas sobre si própria em cada segundo), e supõem que com isto cria um campo electromagnético que é 1.000.000.000.000 de vezes (1 bilião português ou trilião saxónico de vezes) mais forte do que o da Terra.

O B1509 encontra-se a uns 17.000 anos-luz da Terra.

No vídeo a continuação, também da NASA, observa-se essa zona do espaço com luz infravermelha, luz visível, raios X e ondas de rádio. Podem apreciar os diferentes formatos e colorações dependendo do tipo de observação:



Fonte inicial: El Mundo.