Aureus

Com este blog pretendo mostrar os últimos acontecimentos científicos, de maneira a ficarmos à par do que pôde ser feito pelos científicos neste momento, e dos últimos descobrimentos, e ao mesmo tempo oferecer curiosidades, engraçadas ou simplesmente esquisitas, do âmbito da ciência. Isto sempre numa linguagem acessível para todos, sem grandes complicações.
Lembrem-se que eu escrevo a estrutura, mas a vida do blog, o movimento, são os vossos comentários. Façam-os. Qualquer coisa que queiram, fico à vossa disposição.

20 de abril de 2009

Os homens aprenderam dos hobbits


Afinal, Tolkien devia ter alguma razão...

Na ilha de Flores, na Indonésia, habitavam os hobbits. Ou o Homo floresiensis, um hominídeo de aproximadamente um metro de altura, e com o cérebro do tamanho de uma toranja, aproximadamente, ao que muitos antropólogos chamam o hobbit.

Recentemente, Mark Moore, arqueólogo da Universidade de Nova Inglaterra em Armidale, Austrália, e os seus colegas estudaram 11.667 ferramentas de pedra recuperadas da cova Liang Bua em Flores. As escavações descobriram na cova ossos de hobbit em camadas de há entre 17.000 e 95.000 anos. Estes encontram-se todos por baixo de um sedimento de resíduos vulcânicos com 12.000 anos. E, por cima deste sedimento, a 11.000 anos e menos, os investigadores encontraram sepulturas do Holoceno do Homo sapiens junto com mais ferramentas.

A equipa de Moore analisou as formas e posições das lascas nas ferramentas, e as zonas dos golpes, tentando determinar como foram fabricadas as mesmas. E, tal como publicaram em Journal of Human Evolution, chegaram à surpreendente conclusão de que foi utilizada a mesma maneira simples e primitiva de produção de ferramentas durante os 100.000 anos representados nas escavações da cova.

Moore concluiu que provavelmente o hobbit, H. floresiensis, fez as ferramentas mais antigas, uma vez que se supõe que o homem moderno alcançou as ilhas da Indonésia há uns 45.000 anos ou pouco antes, e algumas das ferramentas têm até 100.000 anos. E sugere também, visto que são absolutamente semelhantes desde as mais antigas até as mais modernas, que deve ter havido contacto entre as duas espécies de hominídeos, e o Homo sapiens deve ter copiado o processo de fabrico das ferramentas ao hobbit.

Há outros antropólogos que discutem este ponto, especulando sobre a convergência fortuita entre o processo de fabrico de ferramentas duma e da outra espécies, mas Moore, depois do análise detalhado do processo de fabrico das ferramentas, diz que seria ainda mais surpreendente que, se não são processos copiados um do outro, fossem tão absolutamente idênticos.

Ver mais em Science.

19 de abril de 2009

Os cavalos foram domesticados há mais de 5.000 anos



Cavalo semi-salvagem nos Pirinéus



Um grupo de investigadores do Museu Carnegie de Historia Natural de Pittsburgh, Estados Unidos, e das universidades de Exeter e Bristol no Reino Unido, descobriram a evidência de que os cavalos foram domesticados no Cazaquistão, já há uns 5.500 anos, 2.000 antes do que na Europa e 1.000 antes do que se julgava até agora.




Estes cavalos deviam servir como médio de transporte, método de obtenção de leite (ordenhavam-nos) e de carne. No seu conjunto, o impacto social deve ter sido de grande importância, porque lhes dava grandes vantagens sobre os outros grupos sociais.



Cazaquistão, na Ásia Central, é o nono maior país do mundo, e o maior sem mar, com extensas e quase áridas estepes muito ricas em cavalos na zona norte do país. Os dados recolhidos pelos arqueólogos apoiam a hipótese de que a domesticação dos cavalos contribuiu em boa medida para o desenvolvimento das culturas Botai na região norte e central do Cazaquistão, e Tersek na oeste.


A equipa de investigação empregou varias técnicas para descobrir que os cavalos proporcionavam carne e leite, para demonstrar que os cavalos domésticos diferiam dos selvagens da mesma região, e para provar que os cavalos já eram montados no quarto milénio antes de Cristo nesta zona.


Entre outras técnicas, os investigadores utilizaram um novo método de análise de resíduos de gordura solúvel em lipídeos encontrados em antiga cerâmica Botai para encontrar rastos de gorduras do leite de cavalo, o que conduz à conclusão de que as pessoas consumiam o leite de cavalo já nos inícios da Idade de Cobre, há uns 5.500 anos.



O leite de égua continua a ser um alimento básico de consumo no Cazaquistão, onde geralmente é ligeiramente fermentado para fazer uma bebida alcoólica tradicional chamada «kumis»


Também estudaram os ossos para demonstrar que o formato dos cavalos domésticos da idade do bronze é igual ao dos actuais, mas diferente doutros selvagens, mais antigos.



E ainda investigaram nos ossos as possíveis marcas e pequenas lesões dos adereços nos cavalos, o que vêm a demonstrar que os montavam.


É obvio que a domesticação dos cavalos deve ter tido importantes repercussões sociais e económicas, introduzindo avances nas comunicações, no transporte, na produção de alimentos e na potência militar. Por isto, estes novos achados são especialmente importantes porque mudam a perspectiva que os arqueólogos tinham sobre como se desenvolveram estas sociedades.




18 de abril de 2009

Fotografia infinita da Natureza


Fotografia infinita da Natureza, um projecto da National Geographic

Muitos de vocês devem conhecer a fotocomposição que consiste em criar uma fotografia como um mosaico de muitas fotografias pequenas, situando, por exemplo, as pequenas de cores claros nas zonas claras da grande, ou utilizar as pequenas que têm mais zonas azuis para compor a parte azul da grande, etc.

Existem programas de tratamento fotográfico que fazem isto automaticamente, e até é bastante engraçado, pela minha experiência.

Mas agora acontece que a National Geographic decidiu utilizar este conceito à grande: A partir de milhares de fotografias da natureza, enviadas pelos utilizadores, conseguiu a fotografia infinita da natureza: Cada uma das fotografias é um mosaico feito com as outras fotografias.

A partir disso apresentam-nos uma fotografia inicial, na que, se seleccionarmos uma parte, vemos as pequenas fotografias que a compõem. E se voltamos a seleccionar, poderemos agora obter outra fotografia (a que nós escolhemos) que fica agora como inicio do ciclo, e assim tantas vezes como quisermos.

A mi, que gosto da natureza e da fotografia, pareceu-me uma ideia genial. O site da National Geographic onde se encontra isto é a guia verde.

Como exemplo do que podem fazer, deixo-vos este vídeo que publicaram no Youtube.



Esta noticia descobri-a em Ojo Científico.