Aureus

Com este blog pretendo mostrar os últimos acontecimentos científicos, de maneira a ficarmos à par do que pôde ser feito pelos científicos neste momento, e dos últimos descobrimentos, e ao mesmo tempo oferecer curiosidades, engraçadas ou simplesmente esquisitas, do âmbito da ciência. Isto sempre numa linguagem acessível para todos, sem grandes complicações.
Lembrem-se que eu escrevo a estrutura, mas a vida do blog, o movimento, são os vossos comentários. Façam-os. Qualquer coisa que queiram, fico à vossa disposição.

24 de abril de 2009

Encontraram o avô do T. rex


T. rex, o grande predador do Cretáceo

Em relação ao Tyrannosaurus rex, o gigantesco tiranossauro que foi o vértice da pirâmide alimentar, o depredador supremo, durante milhões de anos, sabemos bastante. Ou pelo menos temos muitos fósseis dessa época, há uns 65 milhões de anos, pouco (relativamente) antes do extermínio total dos grandes sáurios junto com o 60% das espécies de animais que existiam. De facto, eles foram os últimos animais dominantes antes dessa grande hecatombe.

Mas, em relação à sua procedência evolutiva, havia uma grande falta de fósseis nos 50 milhões de anos anteriores, e os únicos antecessores conhecidos do T. rex, muito mais pequenos, viveram no Barremiano, um período do Cretáceo inferior, há entre 130 e 125 milhões de anos.

Mas uma descoberta recente de fósseis na China poderia mudar isto: Perto da cidade de Jiayuguan, encontraram restos que pertencem a outra espécie de tiranossauro, baptizada como Xiongguanlong baimoensis, e que tem uns 105 milhões de anos de antiguidade.

Estes fósseis, tal como publicaram em Proceedings B, poderiam corresponder ao elo perdido na evolução do T. rex, o parente que o une aos seus antepassados muito mais pequenos.

Segundo os científicos, os fósseis mostram os primeiros sinais das características que se fizeram muito acentuadas nos tiranossauros posteriores: o crânio com formato de caixa, ossos reforçados nos parietais que podiam suportar grandes músculos mandibulares, dentes frontais modificados e uma coluna vertebral muito mais forte para suportar a cabeça.

Mas também mostra características que estão ausentes em outros tiranossauros mais antigos, como um focinho comprido e estreito.

Este avô do T. rex era bastante mais pequeno, mas não tanto como os fósseis do Barremiano: Um indivíduo adulto devia medir uns 1,5 metros de altura até ao quadril (é a maneira normal de medir a estes animais), e devia pesar perto de 250 quilos.

De todas as maneiras, o neto foi bastante mais crescido, chegando o T. rex aos 4 metros de altura até ao quadril e a mais de 5 toneladas.

Mais informação na BBC.

22 de abril de 2009

LCLS - Laser de raios X


"Onduladores", conjunto de ímans que conformam o coração do LCLS

Falar de um laser de raios X parece ficção científica, ou uma arma tipo 007, mas houve uns científicos que conseguiram desenvolve-lo: Um grupo de físicos do SLAC National Accelerator Laboratory em Melo Park, Califórnia, anunciou que conseguiram emitir um feixe de raios X coaxial desde o seu LCLS (Fonte de luz coerente Linac, Linac Coherent Light Source em inglês), o primeiro laser que trabalha com raios X de comprimentos de onda duros (os de mais energia, com entre 1 e 20 Angstroms de comprimento de onda).

Os raios X são utilizados para determinar a estrutura dos materiais na escala atómica. Nos últimos decénios, os físicos conseguiram obter fontes muito intensas de raios X, o que permitiu desenvolver a física da matéria condensada, a ciência dos materiais, e a biologia estrutural. Estes raios X obtêm-se em aceleradores de partículas circulares chamados síncrotrões, onde as partículas, ao circular neles a grande velocidade, irradiam fotões de raios X que giram à volta. O LCLS poderia ser uns mil milhões de vezes mais brilhante do que essas fontes.

Até agora, para conseguir determinar a estrutura duma molécula, a partir dos raios X obtidos num síncrotron, era necessário pôr muitas destas moléculas congeladas numa estrutura cristalina. O que se espera conseguir com este laser é que possa determinar a estrutura de uma proteína, por exemplo, emitindo um feixe deste raio sobre somente uma molécula.  

Ainda, espera-se também que o LCLS seja capaz de condensar a matéria até obter temperaturas e pressões suficientemente altas como para simular as condições existentes nos núcleos dos planetas.

No entanto, até agora só se realizaram as primeiras provas, mesmo que com muito bons resultados, e Alfonso Mondragón, biólogo estrutural da Northwestern University em Evanston, Illinois, diz que ainda falta saber se o laser de raios X se encontra à altura do esperado, nomeadamente no que diz respeito à realização de estudos sobre uma só molécula. A primeira coisa que precisam é que alguém demonstre que funciona tal como se explicou, diz, E isso não vai acontecer para a semana.

O SLAC planeia executar as suas primeiras experiências reais com o laser no próximo mês de Setembro. No entretanto, outros investigadores estão a construir fontes semelhantes de raios X na Alemanha e no Japão.

Obtido a partir de Science 

Quintas solares no espaço


Este poderia ser o futuro: energia solar captada no espaço e enviada à Terra por ondas

A NASA e o Pentágono estiveram a estudar a possibilidade de ter quintas solares orbitais desde os anos 60, e também desde essa altura muitos investigadores privados procuraram maneiras de viabilizar projectos de obtenção de energia solar desde o espaço, mas nenhuma se demonstrou viável até agora.

As vantagens deste tipo de empreendimento são evidentes: No espaço não há nuvens, nem ciclo de luz com dias e noites como na Terra, obtendo-se um fluxo de energia solar praticamente constante, pelo que os painéis espaciais poderiam fornecer energia continuamente.

As desvantagens seriam fundamentalmente enviar os painéis ao espaço e enviar a energia à Terra, tudo de maneira rentável.

Agora, una empresa recente, Solaren Corp, diz ter encontrado a solução, e vai pôr em órbita painéis solares com o intuito de comercializar a energia na Terra.

Pretendem transmitir à Terra a energia do Sol em ondas de radiofrequência, e depois converter na Terra a energia dessas ondas em electricidade. 

A perda energética na transmissão com estas ondas é menor do que a que existe nos fios terrestres que se usam agora. E, se juntarmos a isso a ausência de atmosfera, a estimativa é que a quantidade de energia obtida por um painel solar nestas circunstâncias seja 10 vezes maior do que a que obteria na Terra.

Neste momento, Solaren Corp. assinou já um acordo com a empresa Pacific Gas & Electric, abastecedora do norte da Califórnia, incluindo São Francisco, que contratou a compra de 200 MW. a partir do 2.016, que é quando pretendem ter começado a enviar a electricidade. 

De todas as maneiras, mesmo parecendo que entre a comunidade científica não há dúvida de que o projecto é factível, no entanto persistem bastantes dúvidas em relação à sua viabilidade económica, fundamentalmente por causa do investimento inicial necessário, para pagar os lançamentos dos foguetões que devem instalar os painéis solares no espaço, e que é qualquer coisa como alguns milhares de milhões de dólares.

Ver mais em The Guardian.