Aureus

Com este blog pretendo mostrar os últimos acontecimentos científicos, de maneira a ficarmos à par do que pôde ser feito pelos científicos neste momento, e dos últimos descobrimentos, e ao mesmo tempo oferecer curiosidades, engraçadas ou simplesmente esquisitas, do âmbito da ciência. Isto sempre numa linguagem acessível para todos, sem grandes complicações.
Lembrem-se que eu escrevo a estrutura, mas a vida do blog, o movimento, são os vossos comentários. Façam-os. Qualquer coisa que queiram, fico à vossa disposição.

30 de abril de 2009

Aureus convidado em Tu Blog en mi Blog


Vocês sabem que o meu projecto de ciência na Net inclui dois blogs de ciência em simultâneo, com os mesmos posts, um em espanhol, a Lista de Aureus, e outro em português, este, a Ciência às Cores.

Há um novo projecto no mundo dos blogs em espanhol, Tu Blog en mi Blog, que achei interessante. Descobri-o em La Ciencia de la Vida, um dos blogs que acompanho e recomendo.

No entanto, pouco depois disso, recebi eu um convite de Cristina para participar no mesmo, coisa da que não estava à espera. Eu sou, suponho que sabem, bastante novo neste mundo digital (lamento dizer que no físico já não é bem assim), e não supunha que se fossem lembrar de mi... mas lembraram-se, coisa que me satisfaz e agradeço.

Obviamente aceitei o convite para explicar num post o quê que faço por estas bandas e porquê o faço. E aproveitei para dar umas palavrinha sobre este outro blog, Ciência às Cores, responsável pela metade do mérito (e do demérito, se for o caso) de Aureus. O post em Tu Blog en mi Blog é o que podem ver na fotografia, e este é o link para chegar até ele.

Espero que gostem, e que continuem a apreciar o meu trabalho. Faço-o com boa vontade, e o melhor que posso. O resto é decisão vossa.

Obrigado novamente, Cristina, pelo convite, e cumprimentos a todos.

28 de abril de 2009

A gripe (suína, humana, das aves), o que é?


O vírus da gripe, o Influenzavirus

Vou tentar dar uma explicação simples e acessível a todos sobre o que é este vírus. Quem queira aprofundar neste tema, tem informações científicas relevantes em outros sites, e recomendo começar pela wikipedia e seguir os seus links, e um muito bom artigo em espanhol que encontrei no Museo de la Ciencia. A quem quiser noticias sobre a actual epidemia no México, recomendo-lhe os jornais.

A gripe, ou influenza, é uma doença infecciosa causada por um vírus. Há três géneros de vírus que causam a gripe, o Influenzavirus A, o Influenzavirus B e o Influenzavirus C.

O B é pouco frequente e afecta quase só aos humanos, e de forma ligeira. O C é ainda menos frequente, encontra-se em humanos e porcos, e é muito leve para os humanos (para os porcos pode ser grave). Portanto, quando falamos de sérios problemas com a gripe, sempre estamos a falar de Influenzavirus A.

Este vírus supõe-se que se originou nas aves aquáticas selvagens, e depois foi-se transmitindo a alguns mamíferos (homem, porco, cavalo, cão…).

Existem duas grandes moléculas na parte exterior do vírus com una importância especial: a hemaglutinina (H) e a neuraminidasa (N). Ambas cobrem boa parte da superfície do vírus, e são muito importantes para ele, porque a H é a responsável de que o vírus se possa fixar às células do organismo, começando o processo de infecção, e a N é a responsável por, no fim do ciclo, libertar o novo vírus da célula hospedeira para ir à procura da seguinte.

São também muito importantes para nós porque são estas as moléculas que os anticorpos reconhecem, conseguindo assim destruir o vírus. Sempre que tenhamos anticorpos específicos para elas, claro.

Mas estas moléculas mudam muito, com muita facilidade, tendo várias formas reconhecíveis pelos científicos, que especificam assim o tipo de vírus: H1N1 é o actual da gripe suína, H5N1 foi o da última gripe das aves. A mais devastadora das epidemias até agora, a gripe espanhola, era também H1N1. Os números referem-se aos diferentes tipos de H e de N, e até agora conhecem-se do H1 ao H16 e do N1 ao N9.

E inclusive dentro destes subtipos, pequenas variações neles fazem que os anticorpos já não os reconheçam, fazendo necessária uma nova vacinação praticamente para cada nova gripe, mesmo que a nova apresente os mesmos subtipos H e N que a anterior.

Estes subtipos de vírus (e outras variações nos vírus) costumam estar bastante fixados a uma espécie animal específica, sendo que normalmente não são transmissíveis de uma espécie a outra. Ainda, só nas aves é que se encontram todos os subtipos H e N, enquanto que os mamíferos que também apanham gripe o fazem sempre com alguns subtipos específicos para cada espécie.

Mas existem as excepções: Há casos em que determinado vírus de uma espécie passa a outra espécie, infectando os elementos dessa espécie a partir do animal inicial (sem que haja contágios entre membros da mesma espécie). Há casos também, mais invulgares, em que o vírus que muda de espécie ainda pode ser contagiado entre membros da nova espécie. E ainda há casos, muito invulgares, em que não só acontece isto, mas ainda o seu poder de infecção é grande (este último também muda, e muito de uma gripe a outra, inclusive com os mesmos H e N).

Neste último caso, no México, o que se suspeita (sem confirmação por enquanto) é que um vírus de gripe de ave e um vírus de gripe humano contaminaram simultaneamente algum porco. E, dentro deste, ao reproduzirem-se os vírus, misturaram-se (recombinaram) umas partes de um vírus com outras do outro, obtendo um novo tipo que pelos vistos passou às pessoas, contagia-se entre elas, y produz infecções graves.

Não vale a pena ser alarmista. É uma gripe, e isso nos países à nossa volta não costuma ser grave (com excepções, claro. E em outros países, dependendo do seu nível sanitário e económico, pode ser de outra maneira). E, se considerar-mos a possibilidade de contágio ou se supomos a proximidade de afectados, convêm extremar a higiene e minimizar os contactos. E prestar atenção aos sintomas (os mesmos que todas as gripes habituais), e, no caso de ficar-mos com dúvidas, ir ao médico: o tratamento inicial, também neste caso, é muito mais efectivo do que o que se possa vir a realizar com a infecção avançada.

Qualquer dúvida ou comentário que queiram fazer, não duvidem, façam-no, tentarei responder.

27 de abril de 2009

Óculos de Sol instantâneos


Uma reacção química que muda a transparência quase instantaneamente

Um grupo de investigadores da Universidade Aoyama Gakuin do Japão desenvolveu um material que muda quase instantaneamente de azul claro a azul escuro quando se expõe à luz ultravioleta (UVA), e vice-versa. Este novo material fotocrómico poderia ser útil tanto no armazenamento óptico de dados, como em óculos de Sol.

O engenheiro químico Jiro Abe e os seus colegas estudaram desde há mais de uma década as propriedades dos materiais fotocrómicos em relação à sua sensibilidade luminosa, especialmente os derivados de um composto denominado hexaarylbi imidazole (HABI). No seu estado natural, HABI é incolor, mas quando a luz ultravioleta parte uma das uniões na molécula, produz-se uma versão azul escura da mesma. O problema até agora é que a transformação demorava bastantes segundos até ser completa, pelo que a única aplicação comercial era a produção de óculos de sol que se escurecem lentamente.

A través de simulações e experiências de laboratório, tentando a adição de diferentes substâncias, acabaram por encontrar uma, o ciclofano, que ao acrescenta-lo ao HABI faz que o processo se desenvolva completamente em perto de 30 milissegundos. E ainda, ao retirar a fonte de luz ultravioleta, reverte à mesma velocidade, ficando quase instantaneamente incolor outra vez. Para além disto, tal como publicaram no Journal of the American Chemical Society, o complexo é tão estável que podem ser repetidas milhares de vezes estas reacções sem que haja mudanças de funcionamento apreciáveis.

Sé é acrescentado a outros materiais, como plexiglas por exemplo, a versão modificada de HABI permitiria fazer óculos de Sol que ficassem escuros instantaneamente com a luz do Sol, e ficassem transparentes novamente com a mesma velocidade ao entrar numa casa. 

Outra possibilidade  para as propriedades de HABI, mesmo que menos evidente para já, é dar vida a uma nova geração de suportes ópticos (dispositivos de armazenagem de dados), na que a cor acesa / apagada poderia substituir à actual capacidade magnética de activação / desactivação dos interruptores. 

Vamos ver o que o futuro nos traz, mas podemos ir pensando na inclusão nele dos óculos de Sol e de não Sol, e inclusive o dos discos de computador ou sticks USB de cores… por dentro.

Mais informação em Science.