Aureus

Com este blog pretendo mostrar os últimos acontecimentos científicos, de maneira a ficarmos à par do que pôde ser feito pelos científicos neste momento, e dos últimos descobrimentos, e ao mesmo tempo oferecer curiosidades, engraçadas ou simplesmente esquisitas, do âmbito da ciência. Isto sempre numa linguagem acessível para todos, sem grandes complicações.
Lembrem-se que eu escrevo a estrutura, mas a vida do blog, o movimento, são os vossos comentários. Façam-os. Qualquer coisa que queiram, fico à vossa disposição.

5 de maio de 2009

As catacumbas romanas em 3D


Uma das gravuras que se podem ver na catacumba de Santa Domitila, em Roma

As catacumbas romanas, onde cristãos, judeus e pagãos enterravam os seus mortos no século segundo antes de Cristo, para fugir dos romanos que proibiam estes ritos, nunca foram expostas às multidões na sua totalidade. Só uma pequena parte, uns 500 metros, podem ser visitados, por questões de segurança.

No total, há mais de 40 catacumbas, com um cumprimento total de 170 quilómetros, das que até agora só se dispunha de mapas feitos à mão.

Agora, num projecto que já leva 3 anos, uma equipa de 10 arqueólogos, arquitectos e engenheiros informáticos italianos e austríacos, conseguiram imagens tridimensionais a partir de scanners laser.

Mesmo assim, por enquanto só conseguiram gravar a catacumba de Santa Domitila, nos arredores de Roma. Esta é a maior de todas, com 15 quilómetros de comprimento, repartidos em vários andares.

Isso sim, conseguiram um resultado espectacular: Juntando os dados obtidos pelo scanner com fotografias tomadas também ali (para obter as cores reais), o resultado é poder navegar no computador, passar de umas salas a outras, fazer zoom em qualquer ponto, para ampliar ou para diminuir... é quase como estar ali.

Por enquanto não têm planos para registar as outras catacumbas, mas tencionam disponibilizar boa parte do seu material actual ao público com brevidade.

Para já, podem apreciar o trabalho neste vídeo obtido do site da BBC, ou aceder ao mesmo para completar a notícia.





3 de maio de 2009

Youtube ajuda a parir


A feliz família Stephens, depois do parto ajudado pelo Youtube

Sucedeu na Inglaterra: Jo Stephens estava prestes a ter o seu quarto filho. O seu marido, Marc, como devem de fazer muitos outros, tinha procurado vídeos sobre partos no Youtube.

E aconteceu que o parto apresentou-se de repente, ao acordar Jo nota que tem contracções a cada cinco minutos. Tinham pensado ter o bebé em casa, e portanto chamam à parteira. Respondem-lhes que estão muito ocupados, e que devem chamar uma ambulância. Ligam, mas demora a chegar e apresenta-se o parto. O quê que podem fazer?

A solução: rever algum dos vídeos do Youtube, e pôr mãos à obra. Segundo Marc, Os vídeos tranquilizaram-me. Pode ser que conseguisse desenrascar, mas os vídeos fizeram que fosse muito mais fácil.

E o menino nasceu saudável e feliz ajudado a sair pelo seu pai.

Uma bonita história, quase anedótica, que no entanto nos deixa uma reflexão: Até onde é que chega a influência do Youtube, ou da Internet no geral? Quanta informação útil podemos obter para qualquer circunstância da nossa vida? É evidente que há muita informação, mais da que podemos assimilar, e muita dela de duvidosa qualidade. Mas não é menos certo que, como neste caso, se precisamos informação ou aconselhamento em relação a qualquer assunto, qualquer género de ciosa, seja o que for… podemos encontra-lo. Isto é o grande paradigma da Internet. E o facto de que a vida de qualquer pessoa possa, em determinada circunstância, ser diferente com ou sem acesso à Internet.

Deixo-vos um dos vídeos que ajudaram no parto, em inglês: Como ajudar a nascer a um menino num táxi.




A noticia obtive-a da BBC.


1 de maio de 2009

STEAM: 6.000.000 de fotografias por segundo


Funcionamento do STEAM: raio laser separando-se nas suas cores

Uma equipa de investigadores da Universidade de Califórnia em Los Angeles, dirigidos pelo catedrático Bahram Jalali, desenvolveu um sistema de fotografia por emissão de pulsos de raios laser dispersos no espaço, que obtêm uns resultados absolutamente surpreendentes, publicados em Nature.

Consegue um tempo de disparo de 0,44 nanossegundos (0,00000000044 segundos!), o que lhe permite registrar até 6 milhões de fotogramas por segundo, de maneira contínua. A máquina trabalha com um só sensor, e não aquece (pelo que não precisa dum sistema de arrefecimento adicional), nem faz barulho, nem precisa de muita luz.

De todas as maneiras, a equipa de investigadores pensa que o sistema ainda pode ser desenvolvido até alcançar os 10.000.000 de imagens por segundo (200.000 vezes mais do que una câmara de vídeo normal das actuais).

A STEAM (Serial Time-Encoded Amplified Microscopy) poderá ser utilizada em medicina e em biologia, uma vez que a sua grande velocidade e o disparo contínuo permitem-lhe observar em directo sucessos com baixa probabilidade de acontecer, e por tanto muito dificilmente fotografáveis em condições normais, como processos de comunicação entre neurónios, ou observação de células tumorais no fluxo sanguíneo.

Neste último caso, nos momentos iniciais da doença, as células precursoras da metástase podem ser umas poucas em milhões de células sadias, e a observação possível até agora, sem o STEAM, supõe obter uma pequena amostra de sangue e analisa-la com o microscópio. Obviamente, a possibilidade de que na pequena amostra não haja nenhuma tumoral é elevada. Com o STEAM, no entanto, podem-se fotografar individualmente as células directamente em circulação, evitando assim este problema.

Actualmente, estão a tentar melhorar a resolução até 100.000 pixeis por imagem, e adaptar esta técnica para obter imagens tridimensionais. Se conseguem melhorar a resolução o suficiente como para obter fotografias nítidas da estrutura interna das células, as possíveis aplicações na biologia e na medicina serão, segundo todos os pontos de vista, incontáveis.

Para obter pormenores técnicos do funcionamento do STEAM, explicado no vídeo a continuação, recomendo ler o artículo publicado sobre isto na BBC.