Aureus

Com este blog pretendo mostrar os últimos acontecimentos científicos, de maneira a ficarmos à par do que pôde ser feito pelos científicos neste momento, e dos últimos descobrimentos, e ao mesmo tempo oferecer curiosidades, engraçadas ou simplesmente esquisitas, do âmbito da ciência. Isto sempre numa linguagem acessível para todos, sem grandes complicações.
Lembrem-se que eu escrevo a estrutura, mas a vida do blog, o movimento, são os vossos comentários. Façam-os. Qualquer coisa que queiram, fico à vossa disposição.

16 de maio de 2009

Novo computador ecológico: é reciclável e utiliza energía solar


iUnika Gyy, o novo ultraleve ecológico

A empresa espanhola iUnika apresentou o 13 de Maio no encontro Libremeeting 2009, organizado pela Free Knowledge Foundation (FKF) em Madrid, o Gyy, um computador portátil, ecológico e barato até onde é possível.

Entre as características do computador podemos destacar as suas 700 gramas, 4 horas de autonomia ou as 25 cores diferentes em que se apresenta. É um computador ultraleve, como outros que estão a ficar na moda, com 22 x 16 cm. de tamanho e ecrã de 8 polegadas.

Mas o que é verdadeiramente especial neste é que tem, nalgumas das suas versões, placas solares para recarregar a bateria enquanto se está a trabalhar, aumentando muito a sua autonomia, e que a sua estrutura foi construída com materiais totalmente biodegradáveis: amido, farinha de milho e celulose, formando um bioplástico que suporta até 85 graus de temperatura.

Ainda, fazem finca-pé no facto de ser livre, ou seja, de que não utiliza software comercial, só utiliza software livre com licença GNU, desenvolvido no seu laboratório de Madrid.

A empresa, dirigida por Ángel Blanco e Pablo Machón, desenvolve em Madrid o software, fabrica na China os computadores, e tem a sua sede e o departamento comercial em Hong Kong.

E, finalmente, o que tal vez seja o mais atractivo deste novo computador, que vai ser posto à venda em Junho se tudo correr bem, por um preço de 130 euros.

Segundo Ángel e Pablo, a margem de lucro é mínima, mas neste momento é mais importante para eles potenciar a marca, faze-la conhecida no mercado.

15 de maio de 2009

Curam macacos diabéticos com pâncreas de porco


Macaco comedor de caranguejos (Macaca fascicularis), espécie na que se fez a investigação

Um grupo de científicos do Instituto Científico Weizmann de Israel transplantou com êxito pâncreas de embriões de porcos em macacos diabéticos, e quatro meses depois os macacos estavam curados.

O grande feito foi evitar a rejeição aguda típica dos xenotransplantes (transplantes de órgãos doutra espécie), e a maneira na que o conseguiram foi precisamente a utilização de pâncreas embrionários.

Segundo Yair Reisner, imunologista que chefiava a equipa, A possibilidade de uma rejeição é muito menor com embriões.

A ideia surgiu a partir da observação evidente de que o feto não é rejeitado geralmente no útero materno. A partir desse dado desenvolveram a investigação.

Segundo publicaram recentemente na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), o processo foi o que segue: Obtiveram embriões de porco com 42 dias, dos que extraíram tecido pancreático, que implantaram em dois macacos comedores de caranguejos (primatas da espécie Macaca fascicularis), uns 60 fragmentos de perto de um milímetro de tamanho no abdómen de cada um. A estes primatas previamente tinha-lhes sido induzida diabetes.

Desenvolvimento de vasos sanguíneos à volta dos implantes (foto de PNAS)

Os investigadores assinalam que, como se trata de tecido embrionário, o organismo dos macacos desenvolveu vasos sanguíneos próprios para regar estes órgãos, o que diminuiu muito a habitual reacção de rejeição.

Mesmo assim, a possibilidade de rejeição existia, pelo que foram-lhes administradas grandes quantidades de imunossupresores. Este foi, segundo os investigadores, o motivo da morte dos dois macacos aos três meses do início do experimento, pelo que o repetiram com outros dois, mas reduzindo a dose, e funcionou: Os macacos continuaram a viver perfeitamente até um ano depois do transplante, e a partir do quarto mês deixaram de precisar que lhes administrassem insulina, uma vez que já a conseguiam produzir eles.

O pâncreas, o produtor da insulina. A sua falta provoca diabetes.

Evidentemente são técnicas novas que precisam de aperfeiçoamento, mas há muitas esperanças de que este tipo de intervenção possa chegar a ser aplicada em humanos, solucionando ou atenuando algumas doenças ou transplantes que não se chegam a efectuar por falta de doadores.


12 de maio de 2009

A rã ultra-sónica


Fotografia (como todas as outras) de Huia cavitympanum, a rã ultra-sónica

Um grupo de científicos da Universidade da Califórnia – Los Ángeles (UCLA) descobriu uma rã, Huia cavitympanum, endémica de Bornéu, que é a primeira espécie de anfíbios conhecida que consegue emitir sinais vocálicos exclusivamente compostos por ultra-sons.

Os ultra-sons são sons com frequência superior a 20 kilohertz (kHz), que é o limite superior detectável pelo homem, e de todas as maneiras são frequências muito mais altas do que os 5 a 8 kHz, as frequências que a maior parte dos anfíbios, aves e répteis podem emitir ou ouvir.

Há determinadas partes fundamentais do ouvido que devem estar especialmente adaptadas para conseguir detectar os ultra-sons. Estas rãs podem escutar sons até 38 kilohertz, a frequência mais alta que se encontrou até agora em espécies de anfíbios, segundo o relatório dos científicos. Os humanos podemos perceber até aproximadamente 20 kHz e habitualmente falamos a entre 2 e 3 kHz.

Descobriram também que, mesmo que a maior parte das mais de 5.000 espécies de rãs de todo o mundo tenham os tímpanos fixos no lado da cabeça, os tímpanos de Huia cavitympanum se encontram encaixados na parte lateral do crânio, tal como acontece nos mamíferos.

Para comprovar que utilizam estes ultra-sons para se comunicarem com outros elementos da sua mesma espécie, os investigadores realizaram experiências de chamada com rãs macho nos seus lugares naturais. Encontraram que as outras rãs responderam com um aumento de chamadas que só continham ultra-sons.

Também fizeram gravações electro fisiológicas do mesoencéfalo auditivo (a parte do cérebro na que se registam os sons), e medições da resposta acústica no tímpano com um vibrómetro laser Doppler. Estas experiências revelaram que esta rã tem um sistema auditivo sensível aos ultra-sons.

Assim, fica demonstrado que H. cavitympanum é a primeira espécie conhecida de vertebrados não mamíferos capaz de se comunicar exclusivamente com sinais acústicos ultra-sónicos. Até agora, só se conhecia outra rã, Odorrana tormota, que produzia e recebia ultra-sons, mas nunca em exclusividade, mas misturados com sons de menor frequência.

Para chegar a este descobrimento, a equipa de científicos passou uma semana nas selvas de Bornéu, em tendas com mosquiteiras, e, segundo dizem, na semana toda só viram outras duas pessoas.

O estudo foi publicado recentemente na revista de divulgação científica PlosOne, que recomendo totalmente.

Ver mais sobre esta noticia em Bio-Medicine ou na UCLA.