Aureus

Com este blog pretendo mostrar os últimos acontecimentos científicos, de maneira a ficarmos à par do que pôde ser feito pelos científicos neste momento, e dos últimos descobrimentos, e ao mesmo tempo oferecer curiosidades, engraçadas ou simplesmente esquisitas, do âmbito da ciência. Isto sempre numa linguagem acessível para todos, sem grandes complicações.
Lembrem-se que eu escrevo a estrutura, mas a vida do blog, o movimento, são os vossos comentários. Façam-os. Qualquer coisa que queiram, fico à vossa disposição.

19 de maio de 2009

O mais diabólico: diabo-da-tasmânia


diabo-da-tasmânia

O diabo-da-tasmânia (Sarcophilus harrisii) é um mamífero marsupial carnívoro que actualmente só existe na ilha da Tasmânia. É o maior carnívoro marsupial existente na actualidade, depois da extinção durante o século XX (1936) do tigre da Tasmânia

O diabo-da-tasmânia é um animal com o aspecto de um cão pequeno, mas muito forte, com a cabeça relativamente grande, orelhas arredondadas e focinho afiado com grandes bigodes muito sensíveis. Os músculos das mandíbulas são muito fortes, e, proporcionalmente ao seu tamanho, tem a mordida mais forte de todos os mamíferos. 

Tem uma só dentição, mas que cresce, de vagar, continuamente. Apresenta uma cauda que chega a medir a metade do comprimento do seu corpo, mas que varia: Como utiliza a cauda como armazém de energia (gordura), os indivíduos doentes apresentam normalmente caudas curtas.

Outra característica pouco comum entre os marsupiais é que as suas patas dianteiras são ligeiramente mais compridas do que as traseiras, o que também ajuda ao aspecto agressivo e pujante do animal.

O pêlo é habitualmente preto, podendo ser acastanhado, e é normal apresentarem manchas brancas no peito.

Os machos, com médias de 65 cm. de comprimento por 25 de altura e 8 quilos, são maiores que as fêmeas, que têm por volta de 57 cm de comprimento, 24 de altura e 6 quilos de peso. Calcula-se que vivam em liberdade por volta de 6 anos (em cativeiro podem viver mais tempo).

O diabo-da-tasmânia é um predador nocturno ou crepuscular, e caça wallabees (uma espécie de cangurus pequenos), coelhos, ovelhas, pássaros, insectos, sapos, serpentes, e todo animal que consiga apanhar, mas a maior parte das vezes come animais mortos que encontra (necrofágia). 

É muito voraz: come aproximadamente 15% do seu peso por dia, mas, se tiver oportunidade, pode chegar a comer 40% do seu peso em 30 minutos. Devora as presas completas: carne, ossos, órgãos internos e pele. 

Habitualmente é solitário, e, se se encontrarem vários junto a uma presa ou uma carcaça, ficam extremamente agressivos, ferindo-se profundamente uns aos outros, ao mesmo tempo que lançam fortes grunhidos, guinchos e latidos, assim como um forte e muito desagradável cheiro.
  
Este animal foi caçado na Tasmânia por causa do perigo para o gado (ovelhas), até 1941, em que passou a espécie protegida, e recuperou bastante. 

No entanto, nos últimos anos, tem havido um surto de uma doença específica deles, que causa tumores em volta da boca (o que os impede de comer e morrem a fome), que está a dizimar a espécie. Apesar das medidas que estão a tomar, é possível que ainda venha a ser declarada por este motivo espécie em perigo de extinção

Pode obter informação adicional em inglês no site de parques e vida selvagem da Tasmânia, onde pode ouvi-lo e ver um pequeno vídeo , ou no site da National Geographic, ou ainda ver um documento sobre o mesmo do governo australiano em formato PDF .

18 de maio de 2009

Cultivo anti-furacões e anti-seca: Quesungual


Típica cultura utilizando o método quesungual

Este é um método, patrocinado pela FAO, baseado na agricultura ancestral da zona (Honduras), que inclusive leva o nome da primeira comunidade que estudaram os agrónomos na que não cortavam as árvores nas zonas de cultivo, o que lhes deu a ideia original.

Os princípios básicos são simples: não se queima a cobertura vegetal, não se lavra a terra, semeia-se directamente, deve praticar-se a cobertura do solo e a rotação de culturas.

O processo consiste em, ao decidir utilizar uma nova zona para cultivar, não cortar as árvores, mas semear entre árvores dispersas, que são podadas para que passe a luz. A vegetação que se obtém da poda, do mato rasteiro e dos resíduos das colheitas anteriores não se queima como se fazia tradicionalmente, parte-se em bocadinhos e é utilizada para cobrir o solo.

Não se lavra a terra, semeia-se com o chuzo, uma ferramenta que serve para introduzir directamente a semente (milho ou feijão, geralmente) no chão.

A cobertura vegetal da terra serve como fertilização, ao mesmo tempo que evita a evaporação, mantendo a humidade. As árvores fixam o terreno, evitando a erosão: Em algumas zonas de Honduras nas que é utilizado o método quesungual, a FAO mediu a redução da erosão por causa da água das chuvas e furacões, que passou de 200 toneladas por hectare a 24 toneladas.

Existem problemas para implementar este método, especialmente em zonas muito pobres, porque apresenta algumas desvantagens de início: A queima produzia cinzas ricas em minerais que aumentavam a produção o primeiro ano, e com este método não obtêm essa ajuda e são necessários mais fertilizantes para a primeira colheita, até que a decomposição da cobertura vegetal faça mais fértil o terreno; ainda, a presença das árvores faz com que haja mais pássaros, que comem as sementes.

De todas as maneiras, as cinzas já não aumentavam o rendimento nos anos seguintes, e a terra nua era facilmente degradada pela erosão das chuvas perdendo a sua camada fértil, o que fazia com que os agricultores tivessem que realizar uma agricultura nómada, procurando novas superfícies cultiváveis cada ano.

Com este método, zonas muito pobres estão a melhorar o seu nível de vida ano após ano, não perdendo as colheitas por causa das secas nem por causa dos furacões, pelo que se vai estendendo em Honduras: o quesungual é utilizado já em 10.000 km quadrados aproximadamente, a décima parte do território. A FAO já levou também o método à Nicarágua e à Guatemala e inclusive membros seus já deram conferências sobre este sistema nos Camarões.

Ver mais em espanhol no site da BBC ou descarregar o documento PDF da FAO

17 de maio de 2009

Os mais vistosos: Lesmas do mar ou Nudibrânquios


Faça clique em qualquer uma das imagens para amplia-la

As lesmas do mar, ou nudibrânquios, são pequenos moluscos, da ordem dos opistobrânquios, parecidas às lesmas terrestres na sua forma, mas com grande quantidade de cores, especialmente as que vivem nos corais e outras zonas de águas cálidas (havendo no entanto lesmas do mar em todos os ambientes marinhos).


As suas vivas cores identificam-nos aos olhos dos outros como perigosos.


Conhecem-se mais de 2.500 espécies, sendo a maior a lebre do mar, que chega a medir um metro e pesar 60 quilos, mas habitualmente as lesmas do mar não ultrapassam os 10 cm.


O seu nome, nudibrânquios, faz referência às suas brânquias ou guelras desprotegidas, nuas. A maior parte apresenta as plumas das brânquias por fora do seu corpo.


Algumas espécies segregam ácidos, outras toxinas, e algumas inclusive se defendem com as armas do inimigo: Ingerem anémonas, neutralizam no estômago as células urticantes (nematocistos) maduras das mesmas, mas transferem as imaturas para sacos especiais que têm nas pontas das suas protuberâncias (ceratos), conseguindo que funcionem tal como o fariam na anémona original.


Mas a beleza destes moluscos é absolutamente excepcional, e o melhor é aprecia-la. Aqui estão.