Aureus

Com este blog pretendo mostrar os últimos acontecimentos científicos, de maneira a ficarmos à par do que pôde ser feito pelos científicos neste momento, e dos últimos descobrimentos, e ao mesmo tempo oferecer curiosidades, engraçadas ou simplesmente esquisitas, do âmbito da ciência. Isto sempre numa linguagem acessível para todos, sem grandes complicações.
Lembrem-se que eu escrevo a estrutura, mas a vida do blog, o movimento, são os vossos comentários. Façam-os. Qualquer coisa que queiram, fico à vossa disposição.

21 de maio de 2009

Nova tecnología 5D: O DVD de 1,6 Terabytes


O novo disco com gravação 5D deveria ser semelhante a este DVD actual

Um grupo de investigadores da Swinburne University of Technology, da Austrália, publicou recentemente na revista Nature um novo método de gravação óptica com o que conseguem guardar até 1,6 terabytes (1 terabyte são 1024 gigabytes) num disco com o mesmo tamanho que os actuais DVD. Os investigadores que desenvolveram o sistema chamam-lhe gravação óptica em 5 dimensões, e utilizam para a gravação partículas nanométricas de ouro, aproveitando as especiais propriedades luminosas deste metal.

A ideia é utilizar, para além das 2 dimensões do espaço dos DVD actuais, também outras 3 dimensões: A espectral, ou das cores, a polarização, e a terceira dimensão do espaço, utilizando 10 camadas de nano-partículas para gravar nelas.

Assim, utilizam diferentes comprimentos de onda (que correspondem a diferentes cores) para gravar diferente informação na mesma localização (ou seja, no mesmo ponto, poderia haver uma informação em azul e outra em verde, por exemplo). Ainda, como a quantidade de luz laser absorvida por uma nano-partícula depende da polarização, poderiam guardar também diferentes informações no mesmo ponto dependendo do ângulo de incidência do raio laser nesse ponto.


Imagem da Nature esquematizando o processo

O que se faz agora, com os actuais DVD, é guardar num ponto a informação de uma só cor (um comprimento de onda).

Segundo estes investigadores, já se tinham feito avanços tanto em luz polarizada como em diferentes cores (comprimentos de onda), mas esta é a primeira vez que se integra tudo numa única solução, conseguindo assim uma densidade de dados muito superior.

Neste momento estão a utilizar um disco composto por 10 finas camadas de material gravável, obtendo assim a capacidade indicada (que corresponde a mais de 300 DVD). Mas pensam que poderia reduzir-se a espessura das camadas (e portanto utilizar mais camadas no disco), e também utilizar mais ângulos de polarização diferentes (neste momento utilizam 2 ângulos), fazendo assim que a capacidade dos discos alcançasse os 10 terabytes ou mais.

Ainda, como indica James Chon, um dos autores, O sistema óptico para gravar e ler os discos 5-D é muito semelhante ao actual sistema de DVD, e acrescenta que isto simplifica a sua produção e comercialização a escala industrial, ao contrário do que acontece com outro tipo de aproximações, como os que utilizam métodos holográficos.

Superfície de um DVD actual: Os dados gravam-se em "2D"

Neste momento, encontram-se já a trabalhar com a Samsung no desenvolvimento de uma unidade que grave e leia num disco do tamanho de um DVD. Segundo Chon, o custe de um disco seria inferior a 4 cêntimos de euro, mas existe a possibilidade de fazer as placas de partículas de prata, o que implicaria uma redução do preço a um centésimo do assinalado.

Isso sim, por enquanto, o equipamento necessário para a gravação seria caro. Mas isso já aconteceu com outros sistemas, como recentemente com o blu-ray, no que alguns pensavam que seria demasiado caro, mas acabou por ser desenvolvido.

Ver mais no site da BBC.

19 de maio de 2009

O mais diabólico: diabo-da-tasmânia


diabo-da-tasmânia

O diabo-da-tasmânia (Sarcophilus harrisii) é um mamífero marsupial carnívoro que actualmente só existe na ilha da Tasmânia. É o maior carnívoro marsupial existente na actualidade, depois da extinção durante o século XX (1936) do tigre da Tasmânia

O diabo-da-tasmânia é um animal com o aspecto de um cão pequeno, mas muito forte, com a cabeça relativamente grande, orelhas arredondadas e focinho afiado com grandes bigodes muito sensíveis. Os músculos das mandíbulas são muito fortes, e, proporcionalmente ao seu tamanho, tem a mordida mais forte de todos os mamíferos. 

Tem uma só dentição, mas que cresce, de vagar, continuamente. Apresenta uma cauda que chega a medir a metade do comprimento do seu corpo, mas que varia: Como utiliza a cauda como armazém de energia (gordura), os indivíduos doentes apresentam normalmente caudas curtas.

Outra característica pouco comum entre os marsupiais é que as suas patas dianteiras são ligeiramente mais compridas do que as traseiras, o que também ajuda ao aspecto agressivo e pujante do animal.

O pêlo é habitualmente preto, podendo ser acastanhado, e é normal apresentarem manchas brancas no peito.

Os machos, com médias de 65 cm. de comprimento por 25 de altura e 8 quilos, são maiores que as fêmeas, que têm por volta de 57 cm de comprimento, 24 de altura e 6 quilos de peso. Calcula-se que vivam em liberdade por volta de 6 anos (em cativeiro podem viver mais tempo).

O diabo-da-tasmânia é um predador nocturno ou crepuscular, e caça wallabees (uma espécie de cangurus pequenos), coelhos, ovelhas, pássaros, insectos, sapos, serpentes, e todo animal que consiga apanhar, mas a maior parte das vezes come animais mortos que encontra (necrofágia). 

É muito voraz: come aproximadamente 15% do seu peso por dia, mas, se tiver oportunidade, pode chegar a comer 40% do seu peso em 30 minutos. Devora as presas completas: carne, ossos, órgãos internos e pele. 

Habitualmente é solitário, e, se se encontrarem vários junto a uma presa ou uma carcaça, ficam extremamente agressivos, ferindo-se profundamente uns aos outros, ao mesmo tempo que lançam fortes grunhidos, guinchos e latidos, assim como um forte e muito desagradável cheiro.
  
Este animal foi caçado na Tasmânia por causa do perigo para o gado (ovelhas), até 1941, em que passou a espécie protegida, e recuperou bastante. 

No entanto, nos últimos anos, tem havido um surto de uma doença específica deles, que causa tumores em volta da boca (o que os impede de comer e morrem a fome), que está a dizimar a espécie. Apesar das medidas que estão a tomar, é possível que ainda venha a ser declarada por este motivo espécie em perigo de extinção

Pode obter informação adicional em inglês no site de parques e vida selvagem da Tasmânia, onde pode ouvi-lo e ver um pequeno vídeo , ou no site da National Geographic, ou ainda ver um documento sobre o mesmo do governo australiano em formato PDF .

18 de maio de 2009

Cultivo anti-furacões e anti-seca: Quesungual


Típica cultura utilizando o método quesungual

Este é um método, patrocinado pela FAO, baseado na agricultura ancestral da zona (Honduras), que inclusive leva o nome da primeira comunidade que estudaram os agrónomos na que não cortavam as árvores nas zonas de cultivo, o que lhes deu a ideia original.

Os princípios básicos são simples: não se queima a cobertura vegetal, não se lavra a terra, semeia-se directamente, deve praticar-se a cobertura do solo e a rotação de culturas.

O processo consiste em, ao decidir utilizar uma nova zona para cultivar, não cortar as árvores, mas semear entre árvores dispersas, que são podadas para que passe a luz. A vegetação que se obtém da poda, do mato rasteiro e dos resíduos das colheitas anteriores não se queima como se fazia tradicionalmente, parte-se em bocadinhos e é utilizada para cobrir o solo.

Não se lavra a terra, semeia-se com o chuzo, uma ferramenta que serve para introduzir directamente a semente (milho ou feijão, geralmente) no chão.

A cobertura vegetal da terra serve como fertilização, ao mesmo tempo que evita a evaporação, mantendo a humidade. As árvores fixam o terreno, evitando a erosão: Em algumas zonas de Honduras nas que é utilizado o método quesungual, a FAO mediu a redução da erosão por causa da água das chuvas e furacões, que passou de 200 toneladas por hectare a 24 toneladas.

Existem problemas para implementar este método, especialmente em zonas muito pobres, porque apresenta algumas desvantagens de início: A queima produzia cinzas ricas em minerais que aumentavam a produção o primeiro ano, e com este método não obtêm essa ajuda e são necessários mais fertilizantes para a primeira colheita, até que a decomposição da cobertura vegetal faça mais fértil o terreno; ainda, a presença das árvores faz com que haja mais pássaros, que comem as sementes.

De todas as maneiras, as cinzas já não aumentavam o rendimento nos anos seguintes, e a terra nua era facilmente degradada pela erosão das chuvas perdendo a sua camada fértil, o que fazia com que os agricultores tivessem que realizar uma agricultura nómada, procurando novas superfícies cultiváveis cada ano.

Com este método, zonas muito pobres estão a melhorar o seu nível de vida ano após ano, não perdendo as colheitas por causa das secas nem por causa dos furacões, pelo que se vai estendendo em Honduras: o quesungual é utilizado já em 10.000 km quadrados aproximadamente, a décima parte do território. A FAO já levou também o método à Nicarágua e à Guatemala e inclusive membros seus já deram conferências sobre este sistema nos Camarões.

Ver mais em espanhol no site da BBC ou descarregar o documento PDF da FAO