Aureus

Com este blog pretendo mostrar os últimos acontecimentos científicos, de maneira a ficarmos à par do que pôde ser feito pelos científicos neste momento, e dos últimos descobrimentos, e ao mesmo tempo oferecer curiosidades, engraçadas ou simplesmente esquisitas, do âmbito da ciência. Isto sempre numa linguagem acessível para todos, sem grandes complicações.
Lembrem-se que eu escrevo a estrutura, mas a vida do blog, o movimento, são os vossos comentários. Façam-os. Qualquer coisa que queiram, fico à vossa disposição.

17 de junho de 2009

Morte doce para as Térmitas


Espectacular fotografia de térmitas com a sua rainha. Faça clic para ampliar.

O sistema imunológico activa-se quando o corpo de alguma maneira nota que foi invadido. Isto é verdade tanto nos seres humanos, como em outros animais, incluindo os insectos. E no caso específico dos insectos, o sistema imunológico põe-se em andamento quando umas enzimas (proteínas de união de bactérias Gram-negativas, GNBPs, pelas suas iniciais em inglês) unem-se às moléculas de açúcar das paredes celulares das bactérias e fungos.

Os ninhos de térmitas deveriam ser um paraíso para os agentes patogénicos, dadas as suas características específicas: São húmidos, quentes, e recheados de seres vivos amontoados (as térmitas). No entanto, as colónias destes insectos devoradores de madeira raramente sucumbem às epidemias, e agora uns investigadores descobriram uma razão para isto: As térmitas produzem uma enzima antibiótica que espalham pelos seus corpos e pelas paredes dos seus ninhos. Esta equipa encontrou uma maneira simples de bloquear esta defesa, um descobrimento que pode ser útil para controlar "naturalmente" as pragas de térmitas.

Enquanto estudava a evolução das GNBPs nas térmitas, o ecologista molecular Marcos Bulmer, da Universidade Towson em Maryland, pensou que a função destas proteínas poderia não ser só a de activar o alarme imunológico. E apercebeu-se de que, de acordo com a sua estrutura, a GNBP das térmitas deveria ser capaz de digerir as moléculas de açúcar (glucanos, ou polímeros de glucose) dos invasores, destruindo ou danificando directamente os próprios micróbios, para além de activar a resposta do sistema imunológico.

Investigou esta ideia em conjunto com um grupo de científicos, e purificaram uma GNBP da térmita tropical Nasutitermes corniger, e conseguiram demonstrar que, diferentemente das GNBPs encontradas até agora em outros insectos, esta é uma enzima que degrada o glucano. As GNBPs das térmitas atacaram as paredes celulares de bactérias e fungos, deixando-as mais permeáveis e susceptíveis aos ataques doutros agentes anti-microbianos (a restante resposta imune). O efeito foi tão potente que o extracto de um só insecto foi suficiente para matar a centenas de esporos de fungos, segundo publicaram estes investigadores recentemente na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Analisando a estrutura da GNBP, os investigadores demonstraram que uma molécula simples, o GDL, um derivado de açúcar, poderia inibir o seu funcionamento: Com a GNBP inibida com GDL, as térmitas adoeciam e morriam com muita mais facilidade perante qualquer infecção.

O GDL é barato e não é tóxico - inclusive é utilizado como aditivo alimentar - e os investigadores estão agora à procura da maneira de o introduzir em tintas, ou na madeira, ou criar iscos para o poder proporcionar às térmitas.

De todas as maneiras, há científicos que, mesmo pensando que a ideia é muito positiva, dizem que serão necessárias mais provas antes de considerar que o GDL seja um praguicida viável.

Ver mais em Science

16 de junho de 2009

Descobertos novos fósseis de equinodermos na Saragoça (Espanha)


Dois dos fósseis de Gogia encontrados em Murero

Já falamos aqui algumas vezes da Pangeia, o supercontinente único, o qual se foi separando em grandes blocos até chegar aos actuais continentes, por deriva continental. Mas a Pangeia era a situação no Mesozóico, há 200 milhões de anos.

O mundo fóssil atinge muito mais tempo, falando-nos de seres que viviam num mundo anterior a este, quando existiam outros continentes diferentes, dos quais ficam ainda algumas partes que continuam à superfície, ou que estão agora fora do mar e nessa época eram fundos submarinos. Os fósseis dessas zonas são os mais antigos, logicamente. E em sedimentos desse tipo, com mais de 500 milhões de anos, encontraram-se agora novos fósseis, na jazida de Murero, em Saragoça (Espanha).

Esta jazida já é muito conhecida pela quantidade e qualidade de fósseis de trilobites (animais típicos do Cambriano) que possuem. Os fósseis encontrados agora, por uma equipa de investigadores da Universidade de Saragoça, pertencem ao filo dos equinodermos (dos que os mais destacados membros actuais são as estrelas e os ouriços de mar), e encontraram-se representantes de duas novas espécies num estado de conservação excelente. Estas espécies, da família Gogia, baptizaram-se como Gogia parsleyi e Gogia sp. (esta última ainda em investigação).

Ambas pertencem à classe eocrinoidea (classe extinta), extremamente raros no registo fóssil do Cambriano, e que ainda são os mais antigos encontrados no que era o continente de Gondwana até este momento, o que faz supor que pode ter havido uma rápida migração desde o desaparecido continente de Laurentia (onde sim se encontraram mais antigos). Parecem ter um corpo globular, mas com uma grande coroa de braços flexíveis.

Os investigadores supõem que estes seres viviam em alto mar, em zonas com águas tranquilas com alguma trovoada ocasional, em solos de lamas, e colados a bocados de trilobites para não se afundar.

Este descobrimento considera-se muito importante dentro da investigação geral sobre o grande e rápido aumento de seres vivos deste período.

Este achado foi publicado na revista Acta Paleontologica Polonica.

Ver mais em El Mundo

15 de junho de 2009

Fato de tarântula: leve, flexível e muito resistente


Ninho de tarântula, no que se podem apreciar os seus fios

A teia das aranhas é leve, muito elástica e mais resistente do que o aço. Mas até agora não se conseguiu produzir artificialmente, nem manter grandes grupos de aranhas juntas em cativeiro para aproveitar o fio, como se faz com os bichos-da-seda.

Isto acontece em boa medida por causa da agressividade das aranhas, que começam a se comer umas às outras quando se encontram próximas umas das outras.

Agora, há um grupo de investigadores ingleses que pretende estudar especificamente um grupo de aranhas, as tarântulas, para ver se obtêm melhores resultados, uma vez que este grupo ainda não foi estudado.

As tarântulas, animais que vivem na sua maioria na América Central e do Sul, separaram-se evolutivamente das restantes aranhas há algumas centenas de milhões de anos, pelo que é provável, consideram os investigadores, que a sua teia e / ou o seu processo de fabrico sejam diferentes dos das aranhas comuns, com as que os científicos não conseguiram resultados até agora.

As tarântulas são as maiores aranhas conhecidas, e o seu grupo, com mais de 900 espécies descobertas, distingue-se, para além do tamanho e forte veneno, por causa do seu ritual de acasalamento no que as fêmeas comem os machos.

Podem ver na BBC um vídeo que visa demonstrar a táctica utilizada pelos investigadores para tentar descobrir os secretos da teia de tarântula. Se o conseguissem, as suas aplicações iniciais seriam provavelmente o fio médico de sutura e telas para roupas, mas haveria muitas outras aplicações para este tecido com tantas propriedades positivas.

Ainda, podem apreciar a estes animais neste pequeno vídeo da National Geographic sobre a tarântula gigante:




4 de junho de 2009

O imperio (Microsoft) contra-ataca


O imperio Microsoft contra-ataca...

A Google apresenta o Wave no Google I/O 2009, nos dias 27 e 28 de Maio, no Moscone Center de San Francisco. É um novo conceito de unificação de pesquisas, e-mail e mensagens instantâneas, com o que a Google quer dominar (ainda mais) este mercado.

Por outro lado, a Nintendo vende 50 milhões de consolas WII enquanto a Microsoft vende 30 milhões de xBox.

Alguém fica nervoso em Redmond, e num só dia, o 2 de Junho, da parte da manhã, a Microsoft lança (tinha-o anunciado somente uns dias antes) o Bing, o seu novo motor de pesquisa, substituindo o triste Live Search, que nunca funcionou demasiado bem. E no mesmo dia, da parte da tarde, no E3, o maior congresso de videojogos do mundo, anuncia o seu novo projecto de consola: o projecto Natal.

E com isto tudo, não se sabe se vai conseguir superar à Google ou à Nintendo, mas pelo menos já conseguiu obter publicidade quando menos se estava a falar dela.

O Bing (supostamente o som da campainha quando se encontra alguma coisa) vai permitir, segundo a Microsoft, uma melhor toma de decisões, mais organizadas e focadas em compras, viagens, saúde e informação local.

Para isso tem uma série de opções que fazem que o seu funcionamento seja diferente do da Google. No entanto, ainda não temos a certeza de como vai ser o Google Wave. Mas a Microsoft já decidiu gastar 100 milhões de dólares em publicidade para o Bing, segundo algumas fontes, o que necessariamente lhe vai dar pelo menos visibilidade inicial.

O projecto Natal, por outro lado, é um sistema, adaptado à xBox 360, que cria uma nova realidade, para além do comando interactivo da WII: desaparece o comando.

Instala-se perto da televisão um aparelho, ligado à xBox 360, que inclui uma câmara de vídeo de alta definição, microfone com selecção múltipla, sensores e um processador, e este aparelho vai permitir reconhecer os movimentos e inclusive a voz dos jogadores (identificando a de cada um por separado), fazendo assim com que os próprios movimentos do jogador sejam replicados no jogo (ou seja, no ecrã da televisão).

Podem apreciar esta nova plataforma (por enquanto sem data prevista de lançamento) no vídeo a continuação.


3 de junho de 2009

Tomates encapsulados para o colesterol


Cápsulas de Ateronon, tomate contra o colesterol

A empresa de biotecnologia britânica Cambridge Theranostics desenvolveu uma pílula feita com extractos de tomate, que parece ser extremamente benéfica na redução do colesterol LDL (Low-density Lipoprotein, o que normalmente conhecemos como colesterol mau).

Estas pílulas, baptizadas com o nome de Ateronon, são comercializadas como suplemento alimentar, indicando que contém um ingrediente activo da dieta mediterrânica.

Este ingrediente na realidade é o licopeno, um carotenóide responsável pela cor vermelha do tomate e da melancia, que também existe em outros vegetais, mas em menores quantidades. No caso, é extraído do tomate.

Já se sabia que o licopeno é um forte antioxidante, muito benéfico para a saúde também por outros motivos, como a sua importância contra alguns cancros, ou retrasando o envelhecimento das células. Ainda, é usado como corante na indústria alimentar, sendo apreciado por não se diluir em água e ser natural (na União Europeia é o E-160d).

A explicação que dão para o êxito da sua fórmula, é que o licopeno em estado natural encontra-se formando grandes cristais, que não podem ser absorvidos pelo nosso organismo. E os científicos de Cambridge Theranostics encontraram uma maneira de quebrar esses cristais, fazendo com que o licopeno das pílulas seja facilmente absorvido, podendo assim beneficiar-nos dos seus saudáveis efeitos.

A recomendação do fabricante é uma cápsula por dia, e, segundo os resultados obtidos até agora nos estudos, a sua eficácia é superior à das estatinas, as substâncias normalmente recomendadas até agora para reduzir o colesterol 

Ver mais no Jornal da Ciência

2 de junho de 2009

O espermatozóide artificial: Nanotransportador magnético


Fotografía do nanotransportador magnético, que permite comparar o seu tamanho com o do espermatozóide por baixo

Para muitas aplicações biomédicas, como a administração selectiva de fármacos ou a microcirurgia, é muito importante conseguir um transportador eficaz, suficientemente pequeno e propulsado externamente, sem fios.

Este é o trabalho desenvolvido por Peer Fischer e Ambarish Gosh, do Instituto Rowland da Universidade de Harvard, e publicado na revista de nanotecnología Nano Letters.

Primeiro, decidiram que para que um minúsculo objecto nadase num meio de grande viscosidade, o formato adequado devia ser semelhante aos flagelos celulares, uma estrutura helicoidal, uma coisa semelhante a um saca-rolhas. Depois, devia ser propulsado e dirigido de alguma maneira externa ao próprio transportador.

Os líquidos normais para os que se prevê a sua utilização, como o sangue, possuem grande viscosidade na escala nanométrica. Segundo Fischer, mexer-se neles é como tentar nadar numa piscina de asfalto num dia de muito calor.

A solução à que chegaram foi cobrir uma pequena bolacha de silício com pérolas de vidro, tudo em tamanhos nanométricos, e depois depositar vapor de dióxido de silício por cima, enquanto giravam a bolacha, formando assim a comprida cauda espiral que podemos ver na fotografia.

Finalmente, uma vez que o dióxido de silício solidificou, cobre-se uma das pontas do nanopropulsor com cobalto, para ter depois o metal magnético necessário para poder propulsa-lo mediante campos magnéticos (com íman).

Aplicando campos magnéticos e fazendo-os girar, faz-se girar a hélice, e movendo os campos magnéticos tridimensionalmente pode-se conduzir eficazmente o nanopropulsor.

Estes transportadores, com aspecto de espermatozóide, têm uma cabeça esférica de entre 0,2 e 0,3 micrómetros de diâmetro, e a cauda helicoidal mede entre 1 e 2 micrómetros de comprimento, ou seja, um espermatozóide é mais de 10 vezes maior do que o transportador (um micrómetro é a milésima parte de um milímetro, e corresponde a 1000 nanómetros).

No entanto, estes transportadores já conseguiram transportar um bocado de silício de 1000 vezes o seu tamanho e mover-se a uma velocidade de até 40 micrómetros por segundo.

A alternativa são os nanobots como o da fotografía, com a sua própria fonte de energía, mas muito maiores

A investigação agora se vai desenvolver com o objectivo de conseguir que efectivamente possa transportar produtos químicos, empurrar cargas, e actuar como sonda local nas medidas reologicas (medidas de viscosidade e fluidez dos líquidos).

Ver mais em New Scientist

1 de junho de 2009

A pele: ecossitema bacteriano

A pele: ecossistema para diferentes espécies de bactérias

Temos 10 vezes mais bactérias a viver no nosso corpo do que células ele tem. De todas as maneiras, as bactérias que vivem na nossa pele estão pouco e mal catalogadas, só havia estudos realizados a partir de raspados e culturas de pele de voluntários, mas estes estudos obtinham resultados alterados, dependendo da capacidade de cada tipo de bactéria de crescer no ambiente do laboratório.

Depois, com o desenvolvimento de novas técnicas de sequenciação genética, conseguiu-se identificar uma grande variedade de bactérias na nossa pele. Mas, até agora, não se tinha investigado sistematicamente a variabilidade bacteriana na pele das diferentes zonas do corpo.

E a maior diversidade bacteriana na nossa pele foi encontrada na parte externa do antebraço, não noutras zonas que consideraríamos mais evidentes, o que surpreendeu os investigadores.

O estudo agora realizado por investigadores do National Human Genome Research Institute (NHGRI) de Bethesda, Maryland, Estados Unidos, consistiu em observar 10 voluntários, que deviam lavar-se com um sabão suave durante uma semana, e depois passar 24 horas sem se lavar e apresentar-se no laboratório.

Foram recolhidas amostras deles, de 20 diferentes partes do corpo, para proceder à análise ribosómica das mesmas, técnica muito mais eficaz do que as antigos culturas de laboratório, que classifica os grupos bacterianos segundo diferenciações genéticas.

Este estudo encontrou umas 1000 espécies no total (uma variedade semelhante ou superior à que mantemos no intestino, entre 500 e 1000 espécies), sendo mais ou menos as mesmas e nas mesmas zonas em todos os voluntários, mas diferentes entre umas zonas e outras. Descobriu-se também que zonas mais gordurosas, como a testa ou o couro cabeludo, mantêm uma diversidade menor, sendo a zona com menor variedade bacteriana a zona por trás da orelha, e a de maior diversidade, como já tinha sido dito, a parte externa do antebraço.

O seguimento de alguns dos voluntários levou também à conclusão de que as espécies presentes mudam muito pouco no tempo (são sempre mais ou menos as mesmas).

Não se conhece ainda o motivo pelo que há zonas com mais ou menos diversidade, supondo-se que tenha a ver com características da pele como o cabelo ou a gordura, mas do que não ficam dúvidas é de que a nossa pele conforma para as bactérias um ecossistema com distribuição diferenciada por zonas.

A intenção dos científicos é aprofundar na investigação, com o intuito de encontrar a relação que possa haver entre determinadas espécies bacterianas e doenças da pele como o eczema ou a psoríase.
Ver mais em Science

29 de maio de 2009

O cemitério solar: aproveitamento de novos espaços


Cemitério de Santa Coloma, com os painéis solares

Não se trata de uma notícia recente, mas por acaso li-a recentemente na BBC, e achei o conceito muito interessante.

A energia solar é uma energia limpa, que já se produz de maneira rentável, mas que tem o inconveniente de encontrar um espaço adequado onde colocar os painéis. Numa zona tão urbanizada como Santa Coloma del Gramenet, perto de Barcelona, Espanha, não é fácil encontrar este espaço. E segundo Esteban Serret, responsável de Live Energy, empresa que gere o projecto, lembraram-se duma ideia: O cemitério.

A câmara gostou da ideia, por causa da falta de espaços abertos na cidade, e puseram-na em prática.

É evidente que todo o processo foi desenvolvido com grandes cuidados, tentado não incomodar os visitantes, e procurando o mínimo impacto visual, uma vez que estamos a falar de um local sumamente sensível.

Segundo Begoña Bellete, encarregada do Meio Ambiente da Câmara de Santa Coloma, como há que levar em conta a situação na que se encontram as pessoas que visitam o lugar, houve que sacrificar uma orientação mais ideal das placas por uma que não incomodara os seus utilizadores.

Desenharam-se ainda painéis solares especificamente para que se integrassem em harmonia com a arquitectura do recinto, de maneira que quase não se notam no cemitério, e nem sequer são visíveis desde fora.

Segundo a empresa instaladora, que demorou 3 anos a finalizar o projecto (esta a funcionar desde Novembro do 2008), poderiam ter chegado a obter até 600 Kw, mas devido à disposição dos nichos, e para não levantar mais (e fazer mais visíveis) os painéis solares, o máximo que prevêem obter é 400 Kw. As 462 placas que entraram em funcionamento no último Novembro produzem uns 100 Kw.

A empresa estima que devem amortizar o investimento inicial de 740.000 euros em 10 anos aproximadamente, e Serret indica que a produção actual supõe ainda a poupança de umas 65 toneladas de CO2 por ano (umas 4.600 árvores), ou, visto de outra maneira, o consumo energético de umas 60 famílias de nível médio.


28 de maio de 2009

Relações genéticas entre o infarto e as gengivas


Gingivitis, uma doença que pode provocar um infarto

Um grupo de investigadores da Universidade de Kiel, na Alemanha, descobriu um vínculo genético entre a gengivite (inflamação das gengivas)  e os ataques ao coração. Conhecia-se já uma relação entre ambos, mas desconhecia-se o fundamento da mesma. Os factores de risco (tabagismo, diabetes e obesidade) eram também conhecidos e semelhantes. 

Esta investigação evidenciou também as semelhanças entre as bactérias que se encontram nas cavidades orais infectadas e as das placas coronárias, e que ambas as doenças se caracterizam por um desequilíbrio na reacção do sistema imunitário e por uma inflamação crónica. 

Segundo os investigadores, pode ser que as bactérias que participam na doença das gengivas desencadeiem uma resposta inflamatória ligeira generalizada em todo o corpo, impulsionado mudanças nas principais artérias que dão azo a acidentes vasculares cerebrais (AVC) e a ataques cardíacos. Outra possibilidade que consideram é que as bactérias alterem directamente a maneira em que os vasos sanguíneos se dilatam, visto que algumas destas bactérias podem entrar na corrente sanguínea.

Ainda, estes investigadores encontraram também uma variação genética comum a doentes de doenças periodontais (gengivas, alvéolos dentários e dentes) e a doentes com infartes.

Na sua intervenção na conferência anual da Sociedade Europeia de Genética Humana  na Viena, o líder do estudo, Dr. Arne Schaefer, disse que a sua equipa descobriu o gene que determina as condições de surgimento destas doenças no cromossoma 9. Já antes se tinha associado com ataques de coração, mas neste último estudo encontrou-se a mesma variação genética neste gene tanto num grupo de 1.097 pacientes com cardiopatias coronárias como em 151 doentes com as mais agressivas formas de periodontite (gengivite ou outras doenças dos dentes e zonas à volta). 

Para confirmar estes dados, analisaram este gene num novo grupo de 1.100 doentes com doenças coronárias e 180 com periodontite, obtendo os mesmos resultados.

Já é sabido qual é a proteína codificada por este gene, mas mesmo assim ainda não se conseguiu determinar a ligação entre esta proteína e o aparecimento das doenças, ou a sua relação com os factores de risco.

Agora que sabemos que existe uma forte ligação genética, os doentes com periodontitis deveriam tratar de reduzir os seus factores de risco e tomar medidas preventivas desde as etapas iniciais, disse o Dr. Schaefer, Esperamos que as nossas conclusões facilitem o diagnóstico mais cedo, e que no futuro um maior conhecimento da fisiopatologia possa contribuir para desenvolver uma terapia eficaz antes de que a doença se estabeleça. Entretanto, devido à sua associação com as doenças do coração, pensamos que a periodontitis deve ser levada muito a sério pelos dentistas, e diagnosticada e tratada tão cedo quanto possível, acrescentou.

Ver mais na BBC 

26 de maio de 2009

Novas espécies do 2008: As 10 mais destacadas


O Instituto Internacional para a Exploração de Espécies da Universidade Estatal do Arizona (Arizona State University, ASU) dos Estados Unidos, junto com um comité internacional de taxónomos (que são os científicos encarregados de catalogar as espécies), determinaram quais são para eles as 10 espécies mais estranhas, ou invulgares de alguma maneira, de entre as novas espécies (alguns milhares) descobertas no 2008. As espécies em causa, com fotografías obtidas da ASU, são:

1-Uma palmeira que floresce até a morte: Tahina spectabilis

Esta planta gigantesca só existe numa pequena zona do noroeste do Madagáscar, existindo menos de 100 indivíduos. Cresce, e depois forma uma inflorescência enorme, e depois seca e morre.

2-Um bicho-pau muito comprido: Phobaeticus chani

É o mais comprido de todos os insectos encontrados até agora. O seu corpo mede 35,6 centímetros, e, incluindo os pés, atinge os 56,7 cm.

3-Um cavalo (marinho) realmente pequeno: Hippocampus satomiae

Este cavalo marinho, encontrado nas águas da zona indonésia de Borneu, é o mais pequeno descoberto até agora, com 13,8 mm. de comprimento médio, e uns 11,5 mm. de altura normalmente.

4-Uma serpente minúscula: Leptotyphlops carlae

Esta serpente é a mais pequena encontrada até a data, medindo o exemplar adulto 104 mm. de comprimento.

5-A lesma fantasma: Selenochlamys ysbryda

Esta lesma foi encontrada em zonas densamente povoadas, no País de Gales, e o mais característico são os seus dentes com formato de folha, de meio milímetro de comprimento cada um.

6-Um caracol muito enrolado: Opisthostoma vermiculum

Este caracol não segue as espirais logarítmicas típicas, nem o facto de apresentar as espirais num máximo de três eixos, como os outros, mas retorce-se sobre quatro eixos, e ainda se enrola e desenrola várias vezes.

7-O peixe mais visto: Chromis abyssus

Este peixe baseia a sua originalidade em que fazia parte das primeiras novas espécies classificadas no 2008, o que fez com que seja a nova espécie do 2008 mais vista pelos internautas.

8-O vertebrado vivíparo mais antigo: Materpiscis attenboroughi

O fóssil deste peixe foi um raro achado, que permitiu descobrir a uma mãe a parir há uns 380 milhões de anos.

9-O descafeinado natural: Coffea charrieriana

Esta é a primeira planta de café conhecida que não tem cafeína. Já se está a estudar a possibilidade de cultiva-la para obter café descafeinado natural.

10-E, finalmente, a bactéria enlatada: Microbacterium hatanonis

Esta microbactéria extremófila foi descoberta por investigadores japoneses dentro de latas de spray para o cabelo.

Se querem aprofundar no tema, vejam (em inglês) o artigo da ASU.
Visto originalmente em El Mundo.
 

21 de maio de 2009

Nova tecnología 5D: O DVD de 1,6 Terabytes


O novo disco com gravação 5D deveria ser semelhante a este DVD actual

Um grupo de investigadores da Swinburne University of Technology, da Austrália, publicou recentemente na revista Nature um novo método de gravação óptica com o que conseguem guardar até 1,6 terabytes (1 terabyte são 1024 gigabytes) num disco com o mesmo tamanho que os actuais DVD. Os investigadores que desenvolveram o sistema chamam-lhe gravação óptica em 5 dimensões, e utilizam para a gravação partículas nanométricas de ouro, aproveitando as especiais propriedades luminosas deste metal.

A ideia é utilizar, para além das 2 dimensões do espaço dos DVD actuais, também outras 3 dimensões: A espectral, ou das cores, a polarização, e a terceira dimensão do espaço, utilizando 10 camadas de nano-partículas para gravar nelas.

Assim, utilizam diferentes comprimentos de onda (que correspondem a diferentes cores) para gravar diferente informação na mesma localização (ou seja, no mesmo ponto, poderia haver uma informação em azul e outra em verde, por exemplo). Ainda, como a quantidade de luz laser absorvida por uma nano-partícula depende da polarização, poderiam guardar também diferentes informações no mesmo ponto dependendo do ângulo de incidência do raio laser nesse ponto.


Imagem da Nature esquematizando o processo

O que se faz agora, com os actuais DVD, é guardar num ponto a informação de uma só cor (um comprimento de onda).

Segundo estes investigadores, já se tinham feito avanços tanto em luz polarizada como em diferentes cores (comprimentos de onda), mas esta é a primeira vez que se integra tudo numa única solução, conseguindo assim uma densidade de dados muito superior.

Neste momento estão a utilizar um disco composto por 10 finas camadas de material gravável, obtendo assim a capacidade indicada (que corresponde a mais de 300 DVD). Mas pensam que poderia reduzir-se a espessura das camadas (e portanto utilizar mais camadas no disco), e também utilizar mais ângulos de polarização diferentes (neste momento utilizam 2 ângulos), fazendo assim que a capacidade dos discos alcançasse os 10 terabytes ou mais.

Ainda, como indica James Chon, um dos autores, O sistema óptico para gravar e ler os discos 5-D é muito semelhante ao actual sistema de DVD, e acrescenta que isto simplifica a sua produção e comercialização a escala industrial, ao contrário do que acontece com outro tipo de aproximações, como os que utilizam métodos holográficos.

Superfície de um DVD actual: Os dados gravam-se em "2D"

Neste momento, encontram-se já a trabalhar com a Samsung no desenvolvimento de uma unidade que grave e leia num disco do tamanho de um DVD. Segundo Chon, o custe de um disco seria inferior a 4 cêntimos de euro, mas existe a possibilidade de fazer as placas de partículas de prata, o que implicaria uma redução do preço a um centésimo do assinalado.

Isso sim, por enquanto, o equipamento necessário para a gravação seria caro. Mas isso já aconteceu com outros sistemas, como recentemente com o blu-ray, no que alguns pensavam que seria demasiado caro, mas acabou por ser desenvolvido.

Ver mais no site da BBC.

19 de maio de 2009

O mais diabólico: diabo-da-tasmânia


diabo-da-tasmânia

O diabo-da-tasmânia (Sarcophilus harrisii) é um mamífero marsupial carnívoro que actualmente só existe na ilha da Tasmânia. É o maior carnívoro marsupial existente na actualidade, depois da extinção durante o século XX (1936) do tigre da Tasmânia

O diabo-da-tasmânia é um animal com o aspecto de um cão pequeno, mas muito forte, com a cabeça relativamente grande, orelhas arredondadas e focinho afiado com grandes bigodes muito sensíveis. Os músculos das mandíbulas são muito fortes, e, proporcionalmente ao seu tamanho, tem a mordida mais forte de todos os mamíferos. 

Tem uma só dentição, mas que cresce, de vagar, continuamente. Apresenta uma cauda que chega a medir a metade do comprimento do seu corpo, mas que varia: Como utiliza a cauda como armazém de energia (gordura), os indivíduos doentes apresentam normalmente caudas curtas.

Outra característica pouco comum entre os marsupiais é que as suas patas dianteiras são ligeiramente mais compridas do que as traseiras, o que também ajuda ao aspecto agressivo e pujante do animal.

O pêlo é habitualmente preto, podendo ser acastanhado, e é normal apresentarem manchas brancas no peito.

Os machos, com médias de 65 cm. de comprimento por 25 de altura e 8 quilos, são maiores que as fêmeas, que têm por volta de 57 cm de comprimento, 24 de altura e 6 quilos de peso. Calcula-se que vivam em liberdade por volta de 6 anos (em cativeiro podem viver mais tempo).

O diabo-da-tasmânia é um predador nocturno ou crepuscular, e caça wallabees (uma espécie de cangurus pequenos), coelhos, ovelhas, pássaros, insectos, sapos, serpentes, e todo animal que consiga apanhar, mas a maior parte das vezes come animais mortos que encontra (necrofágia). 

É muito voraz: come aproximadamente 15% do seu peso por dia, mas, se tiver oportunidade, pode chegar a comer 40% do seu peso em 30 minutos. Devora as presas completas: carne, ossos, órgãos internos e pele. 

Habitualmente é solitário, e, se se encontrarem vários junto a uma presa ou uma carcaça, ficam extremamente agressivos, ferindo-se profundamente uns aos outros, ao mesmo tempo que lançam fortes grunhidos, guinchos e latidos, assim como um forte e muito desagradável cheiro.
  
Este animal foi caçado na Tasmânia por causa do perigo para o gado (ovelhas), até 1941, em que passou a espécie protegida, e recuperou bastante. 

No entanto, nos últimos anos, tem havido um surto de uma doença específica deles, que causa tumores em volta da boca (o que os impede de comer e morrem a fome), que está a dizimar a espécie. Apesar das medidas que estão a tomar, é possível que ainda venha a ser declarada por este motivo espécie em perigo de extinção

Pode obter informação adicional em inglês no site de parques e vida selvagem da Tasmânia, onde pode ouvi-lo e ver um pequeno vídeo , ou no site da National Geographic, ou ainda ver um documento sobre o mesmo do governo australiano em formato PDF .