Aureus

Com este blog pretendo mostrar os últimos acontecimentos científicos, de maneira a ficarmos à par do que pôde ser feito pelos científicos neste momento, e dos últimos descobrimentos, e ao mesmo tempo oferecer curiosidades, engraçadas ou simplesmente esquisitas, do âmbito da ciência. Isto sempre numa linguagem acessível para todos, sem grandes complicações.
Lembrem-se que eu escrevo a estrutura, mas a vida do blog, o movimento, são os vossos comentários. Façam-os. Qualquer coisa que queiram, fico à vossa disposição.

21 de julho de 2009

Libélulas migratórias: 15.000 Quilómetros de viagem

Pantala flavescens, a libélula que realiza a maior migração dos insectos


Foi encontrada a maior rota de migração de insectos conhecida até agora: Milhões de libélulas Pantala flavescens (também há representantes de outras espécies, mas quase todas são desta) migram desde o sul da Índia até África, passando pelas Maldivas e pelas Seychelles.


O biólogo Charles Anderson publicou informação sobre esta migração recentemente em Journal of Tropical Ecology, uma prestigiosa revista científica.


Segundo as suas investigações, estes insectos aproveitam os ventos dominantes na época imediatamente anterior ao monção (os habitantes das Maldivas interpretam a chegada das libélulas como o anúncio da iminência dos monções) para  iniciar uma grande migração procurando zonas húmidas onde se poderem reproduzir.


Durante a viagem chegam a atingir altitudes superiores aos 6 quilómetros (mais do que nenhuma outra espécie conhecida), e a viagem completa de ida e volta supõe 4 gerações de libélulas.


É extraordinário o facto de que, tendo havido registos anuais da aparição das libélulas nessas zonas, no entanto desconhecia-se e nunca se tinha estudado a sua procedência, porque não parecia credível uma viagem transoceânica dessa magnitude para as libélulas.


Noticia desenvolvida na BBC.



3 de julho de 2009

A planta mentirosa

Folha comida por larvas (esquerda) e outra variegada pela própria planta (direita)


Encontraram no Equador uma planta, Caladium steudneriifolium, que finge estar doente para enganar os seus predadores.


Os insectos cujas larvas comem as suas folhas preferem as folhas saudáveis e verdes para pôr os seus ovos, uma vez que as folhas variegadas (com aspecto de doentes, com manchas e riscos) devem ter menos nutrientes, porque já devem ter sido comidas por outras larvas(as manchas produzidas pelas larvas quando comem as folhas são muito parecidas a esta variegação).


Na teoria isto é mesmo assim. Na prática, esta planta simula a doença, apresentando variegação nas folhas, conseguindo assim não sofrer o ataque dos insectos.


Sigrid Liede-Schumann e os seus colegas Ulf Soltau e Stefan Dotterl, da Universidade de Bayreuth na Alemanha, estavam a investigar a vegetação nessa zona do Equador quando repararam que algumas Caladium steudneriifolium verdes viam-se muito atacadas pelos insectos, enquanto outras da mesma espécie, que apresentavam variegação, apenas estavam infectadas.


Fizeram experimentos para comprovar isto, como pintar algumas folhas simulando variegação, e, após 3 meses de estudo, chegaram a este surpreendente resultado: Apesar de que na teoria a variegação é desfavorável para a planta, uma vez que reduz a superfície disponível para fazer a fotossíntese, na realidade, o dano produzido pelos insectos nas folhas verdes é mais prejudicial ainda, sendo que portanto a variegação representa uma vantagem evolutiva nas zonas onde existam estes insectos.


Este descobrimento foi publicado no número de Março da revista Evolutionary Ecology.


Ver mais na BBC

27 de junho de 2009

A origem da vida: Agua e... lava

Vulcões, a outra fonte de vida


Os astrónomos procuravam novos planetas habitáveis tendo em conta o seu tamanho e temperatura. O que era fundamental era que se dessem as condições como para que houvesse água em estado líquido.


Mas, segundo o científico Rory Barnes da Universidade de Washington, em Seattle, o problema não é tão simples. No próximo número de The Astrophysical Journal Letters, ele e a sua equipa indicam que terão de ser introduzidos os vulcões na equação.


O excesso de actividade vulcânica, tanto como a sua falta, podem impedir que existam as condições para a vida. Nos primórdios da Terra, as erupções vulcânicas expulsaram à atmosfera CO2 e vapor de água que se encontravam no subsolo profundo, e que foi fundamental para que pudesse haver, por exemplo, fotossíntese.


Marte, por exemplo, excessivamente inactivo, não consegue suportar vida por falta desses elementos na atmosfera (mesmo que tivesse água). Io, a lua de Júpiter, também não poderia, pelo motivo contrário: A atracção gravitacional ou força de mareia do seu gigante planeta e dos satélites vizinhos, faz com que os seus vulcões se encontrem praticamente em constante erupção, de maneira que aproximadamente cada milhão de anos a superfície completa do satélite se encontra coberta de lava fresca. Evidentemente, a vida não se pode desenvolver nestas condições.


A equipa de investigadores aplicou esta teoria a um planeta extra-solar que estavam a investigar: o GJ 581 d, descoberto em 2007, e que se encontra a uns 20 anos-luz da Terra. Seguindo a teoria tradicional, poderia ter desenvolvido vida: É um planeta rochoso com uma distância aceitável até a sua estrela como para possuir água líquida. Mas estudando a sua órbita descobriram que está influenciada por forças de mareia, provavelmente de planetas vizinhos para além da sua estrela, mas estas forças não devem ser suficientemente fortes como para provocar a actividade vulcânica necessária para o aparecimento da vida.


Assim, existe agora mais uma variável na definição de habitável para qualquer exoplaneta. E, segundo Barnes:
"É interessante descobrir como, sem ter dados da sua composição, começamos a perceber o interior dos exoplanetas."
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