Aureus

Com este blog pretendo mostrar os últimos acontecimentos científicos, de maneira a ficarmos à par do que pôde ser feito pelos científicos neste momento, e dos últimos descobrimentos, e ao mesmo tempo oferecer curiosidades, engraçadas ou simplesmente esquisitas, do âmbito da ciência. Isto sempre numa linguagem acessível para todos, sem grandes complicações.
Lembrem-se que eu escrevo a estrutura, mas a vida do blog, o movimento, são os vossos comentários. Façam-os. Qualquer coisa que queiram, fico à vossa disposição.

15 de setembro de 2009

O cão também é "made in China"



As diferentes raças de cães devem ter tido um antecessor comum, um lobo, na China


A discussão sobre a origem do cão é longa e controvertida, mas o último estudo sobre o tema sugere que foi originado a partir de lobos domesticados, no Sudeste Asiático (China), há uns 16.000 anos.


Parece que os investigadores concordam em que os cães descendem dos lobos, mas quando e onde surgiram é mais controvertido. 


Para o poder determinar, a equipa de Peter Savolainen do KTH-Real Instituto de Tecnologia de Estocolmo investigou as linhas genéticas, estudando o DNA mitocondrial de lobos e cães.



Os estudos genéticos sobre o DNA mitocondrial são melhores para estudar as linhas evolutivas, porque as mitocôndrias são transmitidas exclusivamente por linha maternal (não há misturas dos reprodutores) e apresentam relativamente poucas mutações.


Os estudos realizados por esta equipa em 2002 determinaram que os cães surgiram da domesticação de lobos no Sudeste Asiático, e num só momento (pelo que todos os cães do mundo devem ter tido origem nesses progenitores).


No mês passado, no entanto, surgiu um novo estudo, realizado em cães de aldeias africanas, que indiciava uma diversidade genética entre eles semelhante à que tinha sido observada no Sudeste Asiático. Uma maior diversidade genética implica geralmente uma maior antiguidade da população, mas neste caso não pensaram que a origem do cão estivesse na África, uma vez que lá não há lobos cinzentos, que supostamente são os antecessores dos cães. Mas sim acreditaram que a teoria do Sudeste Asiático, surgida a partir do estudo de muitos menos exemplares, poderia estar enganada.


Recentemente, uma equipa liderada por Savolainen e Ya-Ping Zhang, do Instituto de Zoologia de Kunming da Academia Chinesa de Ciências, realizaram um estudo muito mais exaustivo de DNA mitocondrial de cães e lobos, a partir de mais de 1.500 animais provenientes da Europa, África e Ásia, e chegaram à mesma anterior conclusão de Savolainen: A origem deve ser única e estar localizada numa pequena região ao sul do rio Yang-tsé, na China.


De todas as maneiras, ainda restam muitos críticos a estas conclusões, e provavelmente deverão surgir novas teorias sobre a origem do nosso inseparável companheiro, nomeadamente em relação ao quando e ao onde da sua aparição. Ficaremos atentos.


Visto em Science 

14 de setembro de 2009

Uma língua especial



Cymothoa exigua, parasita que substitui a língua nos peixes


Há um isópode, Cymothoa exigua, que é um parasita de peixes, mas de maneira bastante especial:


Este parasita é o único caso conhecido de um parasita que substitui com êxito e sem dano aparente para o hospedeiro um órgão do mesmo: Entra pelas guelras, segura-se à língua do peixe e bebe da artéria que fornece a alimentação à mesma. Assim, a língua vai-se atrofiando pela falta de alimento, até que chega a desaparecer completamente e o isópode a substitui, ligando-se aos músculos da boca (tal como estava a língua). 


O parasita não compete pelo alimento do peixe, pelo contrario, alimenta-se do seu rego sanguíneo e das suas mucosidades, pelo que pode funcionar, sem danos para o peixe, como a sua própria e original língua.


É só isso: Um organismo vivo, faz de "órgão" (língua) de outro, mantendo-se tudo a funcionar correctamente. Que se saiba, não há parasitas de humanos semelhantes. Ainda bem, não é?


O Cymothoa exigua é típico do Golfo da Califórnia, mas está a expandir-se agora por outros mares, tendo sido já encontrado em pargos do norte da Europa (e, segundo alguns pescadores, não só...).


Lido em Muy Interesante

24 de julho de 2009

Tucano: O bico refrigerador



O bico do tucano, um "ar condicionado" da natureza


Os tucanos, como toda a gente sabe, possuem um bico grande, muito grande. Aliás, é, proporcionalmente, o maior bico de todas as aves, podendo atingir um terço do tamanho do animal todo.


Já se tinha investigado o motivo, a utilidade do bico. Poderia servir para atrair aos elementos do outro sexo, como alertas visuais, para descascar frutos...  


Uns investigadores, da Universidade Estadual de São Paulo, no Brasil, e da Universidade Brock, em St. Catharines, Ontário, no Canadá, descobriram o motivo real do tamanho do bico do tucano: Serve para manter a temperatura corporal.


Filmando tucanos com câmaras de infravermelhos (onde se pode "ver" a temperatura) descobriram que os tucanos podem variar a temperatura do seu bico entre 10º e 35º centígrados, graças à rede de vasos sanguíneos que percorre interiormente a grande superfície do bico. Ao aquecer o ambiente exterior, o bico demora poucos minutos em aquecer também. Ao arrefecer o exterior, também o bico arrefece, para não perder tanto calor, bastando para isso diminuir o fluxo sanguíneo nessa zona.


Assim, tal como as nossas glândulas sudoríparas, ou a língua dos cães, ou mais precisamente como as orelhas dos elefantes e dos coelhos, serve para perder calor quando é necessário.


E, agora, graças a este estudo, publicado em Science, sabemos que não só serve para estabilizar a temperatura corporal, como que o faz de uma maneira extremamente eficiente.


Esta noticia foi inicialmente lida em Hypescience, e pode ser ampliada também na BBC.