Aureus

Com este blog pretendo mostrar os últimos acontecimentos científicos, de maneira a ficarmos à par do que pôde ser feito pelos científicos neste momento, e dos últimos descobrimentos, e ao mesmo tempo oferecer curiosidades, engraçadas ou simplesmente esquisitas, do âmbito da ciência. Isto sempre numa linguagem acessível para todos, sem grandes complicações.
Lembrem-se que eu escrevo a estrutura, mas a vida do blog, o movimento, são os vossos comentários. Façam-os. Qualquer coisa que queiram, fico à vossa disposição.

20 de setembro de 2009

A mosca que aprende das mais velhas


A mosca da fruta (Drosophila melanogaster) mantém relações sociais de aprendizagem

Segundo uma recente investigação da Universidade de McMaster, no Canadá, a habitual (e chata) mosca da fruta, Drosophila melanogaster, tem capacidades de aprendizagem social desconhecidas até agora.

O estudo, publicado muito recentemente (o 16/09/2009) na revista Proceedings of the Royal Society B, demonstrou que as moscas fêmeas inexperientes podem aprender das suas companheiras com mais experiência, as moscas da fruta já acasaladas.

Este estudo investigava as raízes evolutivas da aprendizagem social em insectos, e descobriram que as moscas que pela primeira vez iam pôr ovos, se viam ovos já postos por moscas mais experientes em frutas maduras, escolhiam estes mesmos lugares para pôr os seus próprios ovos em vez de procurar novas frutas maduras.

No entanto, quando as fêmeas observadas foram expostas a comida com informação social mais ambígua fornecida pela presença de moscas da fruta virgens, os investigadores não encontraram aprendizagem social como resposta.

Esta investigação sugere que inclusive os insectos habitualmente solitários podem mostrar aprendizagem social, o que põe na mesa a possibilidade de que a aprendizagem mútua possa ter promovido a evolução da socialização entre os insectos como mecanismo de sobrevivência.

Assim, parece que a mosca da fruta é muito mais sofisticada do que se achava.

Este estudo abre ainda novas vias de investigação sobre a evolução e neuro-genética da aprendizagem social.

Lido em Bio-Medicine

16 de setembro de 2009

A estrada eléctrica

Aspecto das estradas de paineis solares


Ouve-se falar neste assunto há já algum tempo. Há uns meses um amigo, o Alberto, falou-me de uma ideia que tinha tido em relação a estradas com painéis solares, aproveitando a superfície, bastante grande e (quase) sempre perfeitamente descoberta e recebendo raios solares, e como tinha ele pensado que se poderiam fazer viáveis, e inclusive um pequeno diagrama incluindo conceitos de magnetismo para recarregar carros eléctricos em andamento. Tudo isto obviamente em conversa informal, discutindo alguns dos aspectos e passando um bom bocado.


Alguns meses depois, vejo esta noticia da que agora falo, e acho engraçada a semelhança. Isso sim, neste caso é um projecto sério e em andamento. Claramente, o que faz falta para evoluir é, fundamentalmente, ideias.


E a noticia, lida na BBC, y reproduzida também no iOnLine e outros lugares, é a seguinte: Há uma empresa nos Estados Unidos, Solar Roadways, que apresentou um projecto para construir estradas com painéis solares de 4 x 4 metros. Estes painéis, para além de obter a energia solar, teriam ainda integrados LEDs para visualizar sinalização horizontal na estrada, ou os riscos separadores, assim como um sistema de aquecimento que faria com que a própria estrada derretesse a neve e o gelo no inverno. Ainda, evidentemente, não se utilizaria o betume para as estradas, sendo este um derivado do petróleo muito contaminante.


Cada painel teria a capacidade de produzir 7,6 quilovátios / dia, o que vem a supor que se fossem implementados em todo o país, a electricidade gerada seria 3 vezes superior ao consumo total dos Estados Unidos (e bastante próxima ao consumo mundial total). O problema, como sempre, é o custo: cada painel actualmente vai custar uns 10.000 dólares, e para cobrir as estradas dos Estados Unidos iam fazer falta uns 5.000 milhões de painéis, logo, façam a conta.


Mas o director do projecto acha que, apesar do elevadíssimo custo inicial, a rentabilidade está assegurada a longo prazo, pelo que o considera viável. E 
o Departamento de Transporte dos Estados Unidos realizou um contrato com esta empresa atribuindo-lhe  100.000 dólares para que continue a desenvolver o protótipo do painel solar, que deve ser resistente à circulação de veículos, pelo que parece que a empresa demonstra credibilidade suficiente. Segundo a empresa responsável, a primeira fábrica produtora destes painéis entrará em funcionamento de aqui a 2 anos, e produzirá painéis que serão instalados em estacionamentos, numa primeira fase, de forma experimental.

15 de setembro de 2009

O cão também é "made in China"



As diferentes raças de cães devem ter tido um antecessor comum, um lobo, na China


A discussão sobre a origem do cão é longa e controvertida, mas o último estudo sobre o tema sugere que foi originado a partir de lobos domesticados, no Sudeste Asiático (China), há uns 16.000 anos.


Parece que os investigadores concordam em que os cães descendem dos lobos, mas quando e onde surgiram é mais controvertido. 


Para o poder determinar, a equipa de Peter Savolainen do KTH-Real Instituto de Tecnologia de Estocolmo investigou as linhas genéticas, estudando o DNA mitocondrial de lobos e cães.



Os estudos genéticos sobre o DNA mitocondrial são melhores para estudar as linhas evolutivas, porque as mitocôndrias são transmitidas exclusivamente por linha maternal (não há misturas dos reprodutores) e apresentam relativamente poucas mutações.


Os estudos realizados por esta equipa em 2002 determinaram que os cães surgiram da domesticação de lobos no Sudeste Asiático, e num só momento (pelo que todos os cães do mundo devem ter tido origem nesses progenitores).


No mês passado, no entanto, surgiu um novo estudo, realizado em cães de aldeias africanas, que indiciava uma diversidade genética entre eles semelhante à que tinha sido observada no Sudeste Asiático. Uma maior diversidade genética implica geralmente uma maior antiguidade da população, mas neste caso não pensaram que a origem do cão estivesse na África, uma vez que lá não há lobos cinzentos, que supostamente são os antecessores dos cães. Mas sim acreditaram que a teoria do Sudeste Asiático, surgida a partir do estudo de muitos menos exemplares, poderia estar enganada.


Recentemente, uma equipa liderada por Savolainen e Ya-Ping Zhang, do Instituto de Zoologia de Kunming da Academia Chinesa de Ciências, realizaram um estudo muito mais exaustivo de DNA mitocondrial de cães e lobos, a partir de mais de 1.500 animais provenientes da Europa, África e Ásia, e chegaram à mesma anterior conclusão de Savolainen: A origem deve ser única e estar localizada numa pequena região ao sul do rio Yang-tsé, na China.


De todas as maneiras, ainda restam muitos críticos a estas conclusões, e provavelmente deverão surgir novas teorias sobre a origem do nosso inseparável companheiro, nomeadamente em relação ao quando e ao onde da sua aparição. Ficaremos atentos.


Visto em Science