Aureus

Com este blog pretendo mostrar os últimos acontecimentos científicos, de maneira a ficarmos à par do que pôde ser feito pelos científicos neste momento, e dos últimos descobrimentos, e ao mesmo tempo oferecer curiosidades, engraçadas ou simplesmente esquisitas, do âmbito da ciência. Isto sempre numa linguagem acessível para todos, sem grandes complicações.
Lembrem-se que eu escrevo a estrutura, mas a vida do blog, o movimento, são os vossos comentários. Façam-os. Qualquer coisa que queiram, fico à vossa disposição.

1 de outubro de 2009

Bioenergia contra biodiversidade


Pradarias como esta podem ser substituídas por milho para produção de etanol (biodiesel)


Cada vez mais há grandes plantações para a obtenção de biodiesel , entre as que destaca o milho para produção de etanol.



As superfícies utilizadas para estas plantações são enormes, e são subtraídas em muitos casos das zonas ainda virgens, ainda não cultivadas, que ficam. Noutros, utilizam-se zonas que antes eram usadas para a produção de alimentos, uma vez que resulta mais lucrativa a produção de biodiesel, o que deve supor um encarecimento do preço dos alimentos.


Estas plantações afectam a biodiversidade, reduzindo ou eliminando os ecossistemas de outras plantas e dos animais selvagens, e para além disso precisam de grandes quantidades de fertilizantes, que contaminam o solo, e muitas vezes a cultura de espécies exóticas na zona pode levar consigo invasões sobre as espécies indígenas.


Um estudo recente, publicado na edição de Outubro de BioScience, expõe uma maneira de poder fazer jogar a produção de biodiesel e a manutenção da biodiversidade. Neste estudo, Joseph E. Fargione, da Nature Conservancy , e 9 colegas, verificam a diminuição de pastagens selvagens e a sua substituição por milho para etanol nos Estados Unidos, chegando já a valores alarmantes. Ao mesmo tempo, o Congresso dos Estados Unidos já indicou que se deve aumentar bastante a produção de biodiesel, o que certamente virá a agravar o problema.


Propõem neste estudo, como alternativas, a utilização para produção de biodiesel de matérias primas como desperdícios, restos agrícolas e culturas com cobertura, colheita de plantas perenes nativas (mesmo que seja prejudicial para a fauna nativa, o seria muito menos do que substituir estas plantas por outras), ou a utilização de culturas de algas.



Concluem dizendo que é urgente que se façam estudos das produções e rendimentos, com comparações pormenorizadas, das diferentes matérias primas possíveis, para poder conceber estratégias de produção bioenergética favoráveis para a vida selvagem.


Portanto, o biodiesel pode ser, para além de parte da solução dos problemas ambientais, também uma parte do problema. Como tudo, deverá ser utilizado com moderação e com cuidado.


Lido em Bio-Medicine

28 de setembro de 2009

Os gorilas de Facebook


Podes ser amigo de um gorila em Facebook, e ajudar a proteger a espécie


É outra maneira de aproveitar as redes sociais, em continua expansão no mundo todo: como financiamento para projectos ambientais.


Neste caso, o governo da Uganda criou uma página em Facebook, friend a gorilla, na que poderão fazer-se amigos, mas de gorilas. De gorilas de montanha reais, que existem, dos quais, ao se fazer amigo, terá direito a uma fotografia que vai aparecer na lista de amigos, e a vídeos de câmaras que o governo instalou na selva de Bwindi, onde vivem, pudendo vê-los na sua vida normal: a comer, a brincar, ou a fazer outra coisa qualquer. 


Para se poder fazer amigo virtual de um gorila, deve-se primeiro pagar um dólar via paypal


Mas um dólar não parece de mais, para muitos dos utilizadores de Facebook. E é evidente que amostrar o gorila amigo no seu próprio perfil também será algo de muito agradável para muitos.


Ao escolher o gorila, a partir da página criada para esse efeito, friendagorilla, poder-se-á escolher entre os membros de 5 diferentes famílias de gorilas, cada um com o seu perfil personalizado, segundo Lillian Nsubuga, da Autoridade para a Conservação da Vida Selvagem na Uganda


Pode ser uma agradável jovem muito obediente à sua mãe, um bonito jovem muito popular entre as raparigas, um rapazinho tímido, ou outros.


O dinheiro obtido será destinado, como previsível, a projectos de conservação da natureza na Uganda. Vejam lá se aderem, como já fizeram muitas estrelas de Holliwood.


Visto na BBC



23 de setembro de 2009

Rebuçado de alforreca gigante


Echizen Kurage (Nemopilema nomurai), a alforreca para fazer rebuçados



Japão tem há alguns anos um problema com uma espécie de alforrecas, a alforreca de Nomura, ou, como lhe chamam os japoneses, echizen kurage (Nemopilema nomurai). Esta alforreca é uma das maiores do mundo, pode chegar a pesar 200 quilos e medir mais de 2 metros de diâmetro, e ultimamente converteu-se num verdadeiro problema para os pescadores japoneses, ao aparecer em grandes quantidades nas redes de pesca, contaminando os peixes com as toxinas dos seus tentáculos.




Entre as medidas tomadas para paliar esta praga, destaca a ideia de alguns estudantes do Instituto das Pescas de Obama (cidade do Japão) (o site está em japonês, mas quem perceba e queira ir ver...). Estes estudantes desenvolveram um rebuçado a partir destas alforrecas: Açúcar, amido e pó de alforreca, obtido de cozinhar as alforrecas até obter uma pasta espessa, que secam e moem. Segundo dizem, apresenta um sabor doce e salgado em simultâneo.


Para obter os primeiros rebuçados, utilizaram as echizen kurage que ficaram retidas nas redes dos pescadores da baía de Wakasa, na zona de Fukui, uma das mais afectadas pela praga.



E, como alguém tem de os comer, não há melhor do que procurar a quem não tem alternativas: Ofereceram-os à Agência de Exploração Aeroespacial Japonesa (JAXA), para que os incluam como aperitivo nos menus dos astronautas. A proposta pareceu-lhe curiosa à agência, e decidiu enviar um representante ao instituto para avaliar os rebuçados.


Talvez cheguemos ainda a ver que as alforrecas passam de praga a espécie protegida, se os rebuçados têm muito êxito.


Visto em Muy Interesante e no Tentáculo cor-de-rosa