Aureus

Com este blog pretendo mostrar os últimos acontecimentos científicos, de maneira a ficarmos à par do que pôde ser feito pelos científicos neste momento, e dos últimos descobrimentos, e ao mesmo tempo oferecer curiosidades, engraçadas ou simplesmente esquisitas, do âmbito da ciência. Isto sempre numa linguagem acessível para todos, sem grandes complicações.
Lembrem-se que eu escrevo a estrutura, mas a vida do blog, o movimento, são os vossos comentários. Façam-os. Qualquer coisa que queiram, fico à vossa disposição.

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25 de fevereiro de 2010

Mammatus e Asperatus: As nuvens impossíveis


Nuvens do género Undulatus Asperatus, ou, abreviadamente, Asperatus

Toda a gente sabe o que são as nuvens. E também que há diferentes géneros de nuvens. Mas há alguns tipos especiais de nuvens, diferentes, engraçadas, especiais de alguma maneira, e não tão conhecidas. Destaco agora 2 tipos de nuvens, que não o são totalmente:

De inicio, as nuvens mammatus, que na realidade não são um tipo de nuvens, mas uma formação especial que pode acontecer nelas, devido a correntes de ar descendente. Descobri-as já há algum tempo, não me lembro de onde, e tinha-as um pouco esquecidas.




Diversas fotografias de Mammatus

Depois, um outro género recentemente catalogado, ou nem por isso, na realidade, porque ainda discutem se realmente é um novo género de nuvem ou não, as asperatus. Estas últimas tinha-as visto já em Ojo Científico, e quando recentemente La Aldea Irreductible lembrou-me delas, decidi compartir umas e outras com vocês também aqui.




Diversas fotografias de Asperatus

Por tanto aqui ficam. Todas as fotografias vieram da Appreciation Cloud Society, um lugar de culto para quem goste mesmo de nuvens, e que eu vos recomendo: Há centenas de fotografias espectaculares de todos os géneros e feitios. Passem por lá.

26 de maio de 2009

Novas espécies do 2008: As 10 mais destacadas


O Instituto Internacional para a Exploração de Espécies da Universidade Estatal do Arizona (Arizona State University, ASU) dos Estados Unidos, junto com um comité internacional de taxónomos (que são os científicos encarregados de catalogar as espécies), determinaram quais são para eles as 10 espécies mais estranhas, ou invulgares de alguma maneira, de entre as novas espécies (alguns milhares) descobertas no 2008. As espécies em causa, com fotografías obtidas da ASU, são:

1-Uma palmeira que floresce até a morte: Tahina spectabilis

Esta planta gigantesca só existe numa pequena zona do noroeste do Madagáscar, existindo menos de 100 indivíduos. Cresce, e depois forma uma inflorescência enorme, e depois seca e morre.

2-Um bicho-pau muito comprido: Phobaeticus chani

É o mais comprido de todos os insectos encontrados até agora. O seu corpo mede 35,6 centímetros, e, incluindo os pés, atinge os 56,7 cm.

3-Um cavalo (marinho) realmente pequeno: Hippocampus satomiae

Este cavalo marinho, encontrado nas águas da zona indonésia de Borneu, é o mais pequeno descoberto até agora, com 13,8 mm. de comprimento médio, e uns 11,5 mm. de altura normalmente.

4-Uma serpente minúscula: Leptotyphlops carlae

Esta serpente é a mais pequena encontrada até a data, medindo o exemplar adulto 104 mm. de comprimento.

5-A lesma fantasma: Selenochlamys ysbryda

Esta lesma foi encontrada em zonas densamente povoadas, no País de Gales, e o mais característico são os seus dentes com formato de folha, de meio milímetro de comprimento cada um.

6-Um caracol muito enrolado: Opisthostoma vermiculum

Este caracol não segue as espirais logarítmicas típicas, nem o facto de apresentar as espirais num máximo de três eixos, como os outros, mas retorce-se sobre quatro eixos, e ainda se enrola e desenrola várias vezes.

7-O peixe mais visto: Chromis abyssus

Este peixe baseia a sua originalidade em que fazia parte das primeiras novas espécies classificadas no 2008, o que fez com que seja a nova espécie do 2008 mais vista pelos internautas.

8-O vertebrado vivíparo mais antigo: Materpiscis attenboroughi

O fóssil deste peixe foi um raro achado, que permitiu descobrir a uma mãe a parir há uns 380 milhões de anos.

9-O descafeinado natural: Coffea charrieriana

Esta é a primeira planta de café conhecida que não tem cafeína. Já se está a estudar a possibilidade de cultiva-la para obter café descafeinado natural.

10-E, finalmente, a bactéria enlatada: Microbacterium hatanonis

Esta microbactéria extremófila foi descoberta por investigadores japoneses dentro de latas de spray para o cabelo.

Se querem aprofundar no tema, vejam (em inglês) o artigo da ASU.
Visto originalmente em El Mundo.
 

19 de maio de 2009

O mais diabólico: diabo-da-tasmânia


diabo-da-tasmânia

O diabo-da-tasmânia (Sarcophilus harrisii) é um mamífero marsupial carnívoro que actualmente só existe na ilha da Tasmânia. É o maior carnívoro marsupial existente na actualidade, depois da extinção durante o século XX (1936) do tigre da Tasmânia

O diabo-da-tasmânia é um animal com o aspecto de um cão pequeno, mas muito forte, com a cabeça relativamente grande, orelhas arredondadas e focinho afiado com grandes bigodes muito sensíveis. Os músculos das mandíbulas são muito fortes, e, proporcionalmente ao seu tamanho, tem a mordida mais forte de todos os mamíferos. 

Tem uma só dentição, mas que cresce, de vagar, continuamente. Apresenta uma cauda que chega a medir a metade do comprimento do seu corpo, mas que varia: Como utiliza a cauda como armazém de energia (gordura), os indivíduos doentes apresentam normalmente caudas curtas.

Outra característica pouco comum entre os marsupiais é que as suas patas dianteiras são ligeiramente mais compridas do que as traseiras, o que também ajuda ao aspecto agressivo e pujante do animal.

O pêlo é habitualmente preto, podendo ser acastanhado, e é normal apresentarem manchas brancas no peito.

Os machos, com médias de 65 cm. de comprimento por 25 de altura e 8 quilos, são maiores que as fêmeas, que têm por volta de 57 cm de comprimento, 24 de altura e 6 quilos de peso. Calcula-se que vivam em liberdade por volta de 6 anos (em cativeiro podem viver mais tempo).

O diabo-da-tasmânia é um predador nocturno ou crepuscular, e caça wallabees (uma espécie de cangurus pequenos), coelhos, ovelhas, pássaros, insectos, sapos, serpentes, e todo animal que consiga apanhar, mas a maior parte das vezes come animais mortos que encontra (necrofágia). 

É muito voraz: come aproximadamente 15% do seu peso por dia, mas, se tiver oportunidade, pode chegar a comer 40% do seu peso em 30 minutos. Devora as presas completas: carne, ossos, órgãos internos e pele. 

Habitualmente é solitário, e, se se encontrarem vários junto a uma presa ou uma carcaça, ficam extremamente agressivos, ferindo-se profundamente uns aos outros, ao mesmo tempo que lançam fortes grunhidos, guinchos e latidos, assim como um forte e muito desagradável cheiro.
  
Este animal foi caçado na Tasmânia por causa do perigo para o gado (ovelhas), até 1941, em que passou a espécie protegida, e recuperou bastante. 

No entanto, nos últimos anos, tem havido um surto de uma doença específica deles, que causa tumores em volta da boca (o que os impede de comer e morrem a fome), que está a dizimar a espécie. Apesar das medidas que estão a tomar, é possível que ainda venha a ser declarada por este motivo espécie em perigo de extinção

Pode obter informação adicional em inglês no site de parques e vida selvagem da Tasmânia, onde pode ouvi-lo e ver um pequeno vídeo , ou no site da National Geographic, ou ainda ver um documento sobre o mesmo do governo australiano em formato PDF .

17 de maio de 2009

Os mais vistosos: Lesmas do mar ou Nudibrânquios


Faça clique em qualquer uma das imagens para amplia-la

As lesmas do mar, ou nudibrânquios, são pequenos moluscos, da ordem dos opistobrânquios, parecidas às lesmas terrestres na sua forma, mas com grande quantidade de cores, especialmente as que vivem nos corais e outras zonas de águas cálidas (havendo no entanto lesmas do mar em todos os ambientes marinhos).


As suas vivas cores identificam-nos aos olhos dos outros como perigosos.


Conhecem-se mais de 2.500 espécies, sendo a maior a lebre do mar, que chega a medir um metro e pesar 60 quilos, mas habitualmente as lesmas do mar não ultrapassam os 10 cm.


O seu nome, nudibrânquios, faz referência às suas brânquias ou guelras desprotegidas, nuas. A maior parte apresenta as plumas das brânquias por fora do seu corpo.


Algumas espécies segregam ácidos, outras toxinas, e algumas inclusive se defendem com as armas do inimigo: Ingerem anémonas, neutralizam no estômago as células urticantes (nematocistos) maduras das mesmas, mas transferem as imaturas para sacos especiais que têm nas pontas das suas protuberâncias (ceratos), conseguindo que funcionem tal como o fariam na anémona original.


Mas a beleza destes moluscos é absolutamente excepcional, e o melhor é aprecia-la. Aqui estão.




12 de maio de 2009

A rã ultra-sónica


Fotografia (como todas as outras) de Huia cavitympanum, a rã ultra-sónica

Um grupo de científicos da Universidade da Califórnia – Los Ángeles (UCLA) descobriu uma rã, Huia cavitympanum, endémica de Bornéu, que é a primeira espécie de anfíbios conhecida que consegue emitir sinais vocálicos exclusivamente compostos por ultra-sons.

Os ultra-sons são sons com frequência superior a 20 kilohertz (kHz), que é o limite superior detectável pelo homem, e de todas as maneiras são frequências muito mais altas do que os 5 a 8 kHz, as frequências que a maior parte dos anfíbios, aves e répteis podem emitir ou ouvir.

Há determinadas partes fundamentais do ouvido que devem estar especialmente adaptadas para conseguir detectar os ultra-sons. Estas rãs podem escutar sons até 38 kilohertz, a frequência mais alta que se encontrou até agora em espécies de anfíbios, segundo o relatório dos científicos. Os humanos podemos perceber até aproximadamente 20 kHz e habitualmente falamos a entre 2 e 3 kHz.

Descobriram também que, mesmo que a maior parte das mais de 5.000 espécies de rãs de todo o mundo tenham os tímpanos fixos no lado da cabeça, os tímpanos de Huia cavitympanum se encontram encaixados na parte lateral do crânio, tal como acontece nos mamíferos.

Para comprovar que utilizam estes ultra-sons para se comunicarem com outros elementos da sua mesma espécie, os investigadores realizaram experiências de chamada com rãs macho nos seus lugares naturais. Encontraram que as outras rãs responderam com um aumento de chamadas que só continham ultra-sons.

Também fizeram gravações electro fisiológicas do mesoencéfalo auditivo (a parte do cérebro na que se registam os sons), e medições da resposta acústica no tímpano com um vibrómetro laser Doppler. Estas experiências revelaram que esta rã tem um sistema auditivo sensível aos ultra-sons.

Assim, fica demonstrado que H. cavitympanum é a primeira espécie conhecida de vertebrados não mamíferos capaz de se comunicar exclusivamente com sinais acústicos ultra-sónicos. Até agora, só se conhecia outra rã, Odorrana tormota, que produzia e recebia ultra-sons, mas nunca em exclusividade, mas misturados com sons de menor frequência.

Para chegar a este descobrimento, a equipa de científicos passou uma semana nas selvas de Bornéu, em tendas com mosquiteiras, e, segundo dizem, na semana toda só viram outras duas pessoas.

O estudo foi publicado recentemente na revista de divulgação científica PlosOne, que recomendo totalmente.

Ver mais sobre esta noticia em Bio-Medicine ou na UCLA.