Aureus

Com este blog pretendo mostrar os últimos acontecimentos científicos, de maneira a ficarmos à par do que pôde ser feito pelos científicos neste momento, e dos últimos descobrimentos, e ao mesmo tempo oferecer curiosidades, engraçadas ou simplesmente esquisitas, do âmbito da ciência. Isto sempre numa linguagem acessível para todos, sem grandes complicações.
Lembrem-se que eu escrevo a estrutura, mas a vida do blog, o movimento, são os vossos comentários. Façam-os. Qualquer coisa que queiram, fico à vossa disposição.

24 de junho de 2010

Vantagens do parto natural: A cesariana pode prejudicar o sistema imunológico

Parto natural: As bactérias vaginais colonizam o bebé


Parece que a via do nascimento pode ter influência no desenvolvimento do sistema imunológico do bebé. E isto por causa das bactérias que colonizam inicialmente o recém nascido.


Lactobacillus
Num estudo recente, demonstrou-se que as bactérias da pele, nariz, boca e recto dos meninos nascidos por cesariana são claramente diferentes das que aparecem nos meninos nascidos vaginalmente.


Já se tinha sugerido que os nascidos por cesariana pareciam desenvolver alergias, asma e outras doenças associadas ao sistema imunológico com mais facilidade do que os nascidos por parto natural. Este novo estudo, publicado online o dia 22 de Junho em Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), explica a colonização inicial do bebé pelos micróbios, e como isto afecta ao sistema imunológico, à extracção de nutrientes a partir dos alimentos ou a ter ou não mais micróbios nocivos.


Os nascidos naturalmente possuem muitos Lactobacillus, provenientes da vagina da mãe, que ajudam na digestão do leite, junto com uma mistura de bactérias muito específica de cada mãe. Os nascidos por cesariana, pelo contrário, são colonizados inicialmente por um conjunto de bactérias genéricas e potencialmente prejudiciais, como Staphylococcus e Acinetobacter, típicas da pele da mãe e também habituais nos hospitais.
Cesariana


Esta colonização inicial, que rapidamente se expande, vai determinar a população bacteriana inicial do individuo, influindo também no desenvolvimento do sistema imunológico da criança, segundo os investigadores que apresentaram o artigo.


Diz Gary Huffnagle, da Universidade de Michigan, um dos autores, que este estudo vai permitir avançar na compreensão do desenvolvimento inicial do sistema imunológico nos bebés, o qual pode também ser influído pela amamentação, podendo assim ajudar a determinar as melhores práticas médicas no sentido de propiciar o desenvolvimento de um ecossistema microbiano mais saudável no bebé.


Staphylococcus
Resumindo, as bactérias vaginais da mãe que cobrem o corpo do bebé no parto natural são saudáveis, ajudam na alimentação e propiciam um bom desenvolvimento do sistema imunológico do bebé. Na cesariana, as bactérias que colonizam o bebé são fundamentalmente as da pele da mãe e outras habituais dos hospitais, todas elas menos saudáveis e até potencialmente prejudiciais para o mesmo.


Portanto, mesmo sendo a cesariana muitas vezes medicamente indispensável, ou muito recomendada, também tem os seus inconvenientes, sendo mais saudável para o recém nascido o parto vaginal.


Visto inicialmente em ScienceNews

23 de junho de 2010

TanDEM-X e TerraSAR-X: Novo mapa da Terra em 3D

Simulação de funcionamento do TanDEM-X e TerraSAR-X


O 21 de Junho lançou-se o TanDEM-X, um satélite de observação da Terra que, conjuntamente com o seu gémeo, TerraSAR-X, lançado em 2007, vão obter um mapa em 3 dimensões da Terra com uma precisão muito superior às que anteriormente existiam.


Entre os dois satélites, que circularão a 514 quilómetros de altitude e separados tão só por umas centenas de metros (entre 250 e 500 metros), obterão um mapa 3D da Terra homogéneo, com uma precisão inferior a 2 metros. Durante 3 anos, vão percorrer várias vezes a superfície completa da Terra, obtendo um mapa 3D dos 150 milhões de quilómetros quadrados que compõem a superfície do nosso planeta, com o detalhe indicado, muito superior a qualquer outro existente anteriormente.




Ainda, a tecnologia utilizada, interferómetro radar de alta resolução de abertura sintética (SAR), permite obter imagens da superfície independentemente das circunstâncias climatológicas, perpassando através das nuvens e gases, e sendo independentes da luz ambiente.


Para conseguir estas imagens, os dois satélites devem estar muito próximos um do outro (o que é um grande repto para os controladores), e um deles a enviar pulsos de micro-ondas constantemente à superfície da Terra, ao mesmo tempo que os dois funcionam como receptores do sinal repelido, para obter assim as imagens com a resolução indicada.


Este projecto foi desenvolvido pelo Instituto de Micro-ondas e Radar do Centro Aeroespacial Alemão (DLR) em Oberpfaffenhofen, Baviera, em parceria com a empresa espacial europeia Astrium GmbH, e prevê-se que a utilização científica dos dados seja gerida pelo DLR, enquanto que a comercialização a terceiros interessados deve ser encomendada a Infoterra, uma filial de Astrium especializada no processamento de dados de satélites e aviões.


As possíveis aplicações são muitas, desde o apoio ao voo ultra baixo de aviões militares até a ajuda na verificação de danos em terramotos, entre outras.


O custo total da missão ascendeu até 165 milhões de euros, dos quais o centro DLR investiu 125 milhões e Astrium 40 milhões.


Podem-se ver aqui e aqui dois vídeos e mais explicações.


Visto inicialmente na BBC

11 de junho de 2010

Toyota Auris HSD: O híbrido funcional e ecológico

Toyota Auris HSD, o novo híbrido da Toyota

A Toyota experimentou com o Prius, investigou, desenvolveu a tecnologia, e agora, uma vez madura, dá o salto a outros segmentos de mercado, lançando o Auris HSD.


O carro não resulta, evidentemente, o mais ecológico do mercado, porque não é puramente eléctrico, mas sim resulta funcional, porque mantém as prestações dos carros de gasolina ou gasóleo, sendo parcialmente eléctrico, e tendo portanto consumos muito inferiores aos tradicionais (3,8 l/100 Km., tanto urbano como estrada ou misto). Assim, não há que sacrificar a potência: prometem 10,4 segundos dos 0 aos 100 Km./h, conseguidos com os seus 136 cv, provenientes em parte do seu motor de gasolina (1.8 de 99 cv) e em parte do eléctrico (83 cv).


Ainda, poupa-se na manutenção, porque a mesma não é necessária nos componentes híbridos.


Em cidade, pode inclusive funcionar como puramente eléctrico, durante um máximo de 2 quilómetros, sempre que não se ultrapasse os 50 Km./h, o que vai permitir fazer uma boa parte do trajecto urbano. E este funcionamento puramente eléctrico surpreende também pela sua potência, especialmente nas arrancadas de semáforos ou stops.


A comodidade é semelhante à dos outros modelos Auris, destacando o conforto acústico: O barulho praticamente não existe, podendo chegar-se a pensar que o carro é totalmente eléctrico.


As baterias são carregadas durante o processo de travagem: cada vez que se trava, o motor eléctrico funciona como gerador, carregando as baterias.



Convêm salientar também dois factores que induzem a ter uma maior confiança no veículo: O seu construtor, a Toyota, o maior fabricante de veículos do mundo, que detêm um índice de fiabilidade muito elevado, e os anos de investigação e aperfeiçoamento da tecnologia híbrida: Já não é uma tecnologia experimental, muito pelo contrario, depois do prius, apresenta-se agora como una tecnologia madura e contrastada, que não só vai surgir no novo Auris HSD como que, em poucos anos, a Toyota a vai introduzir em diferentes veículos abrangendo todos os segmentos do mercado.


Finalmente, o preço previsto é bastante acessível, semelhante ao do diesel equivalente na gama, o que indica que para a Toyota também não é uma experiência, mas um modelo mais no mercado, perfeitamente funcional, com prestações e preço semelhantes aos outros modelos, mas menos barulhento, mais ecológico e com custos de manutenção inferiores.


O seu lançamento está previsto para Setembro deste ano. Podem ver aqui um vídeo promocional:

4 de março de 2010

Onde o Google não é o rei: Yahoo, Baidu, Yandex, Naver e Seznam



São estes nomes pouco conhecidos nesta zona do planeta (exceptuando o Yahoo), mas todos eles são líderes nos seus respectivos países, a frente (ou muito a frente) do Google


Os motivos são vários, mas principalmente é a sua adaptação ao respectivo país, à sua maneira de pensar e aos seus costumes, o que os faz mais atractivos para os seus utilizadores.




No Japão, o Yahoo (na sua adaptação japonesa) é o líder com mais de 50% do mercado, e falamos do segundo mercado de publicidade mundial, com mais de 90 milhões de pessoas ligadas com banda larga. A versão japonesa do Yahoo é propriedade de uma empresa japonesa no 65%, e está muito adaptada à realidade do país.




O Baidu é o rei num só país, mas este país é a China, o que o transforma num dos sites da Internet mais vistos do mundo (segundo Alexa está no 8º lugar). Tem dois grandes motivos para dominar o mercado: A indexação nos diferentes idiomas chineses e as correspondentes pesquisas não funcionam tão bem com o Google como com o Baidu, criado para fazer isso, e ainda o controlo do governo é mais fácil neste motor "próprio" do que no gigante americano.




O Yandex (Yet Another Index) é o principal motor de pesquisas na Rússia. E ainda é também um portal, que oferece outros serviços populares aos seus utilizadores. Também executa as pesquisas mais eficazmente do que o Google em cirílico, e ainda utiliza a localização geográfica do utilizador para diferenciar os resultados.




O Naver é o rei na Coreia do Sul, e isto acontece fundamentalmente por motivos culturais: Os coreanos baseiam-se muito mais em redes sociais (são enormes e muito utilizadas) do que em pesquisas puras, confiam mais nas pessoas do que nas máquinas. E o Naver consegue gerir estas redes melhor do que ninguém.




E na República Checa o motor de pesquisa mais utilizado é o Seznam, que também possui outros serviços, e que faz índices e filtragens também de imagens relevantes. Ainda, as diferenças culturais, mais uma vez, fazem com que muitos utilizadores checos prefiram este motor.


De todas as maneiras, como é evidente, o Google continua a ser o rei a nível mundial, e mesmo com os avanços do jovem Bing, ainda está muito à frente. Mas nada é definitivo, e ainda menos neste mercado.


Visto originalmente na BBC



2 de março de 2010

A serpente que comia dinossauros



Reconstrução da situação encontrada, desenhada por Tyler Keillor, da Universidade de Chicago


Em Gujarat, no Oeste da Índia, encontrou-se um extraordinário fóssil, em sedimentos com 67 milhões de anos de antiguidade. Trata-se dos restos quase completos duma serpente num ninho de dinossauro saurópode. Estes dinossauros são uns dos maiores animais que pisaram alguma vez a Terra.


A serpente encontrava-se enrolada à volta de um ovo de dinossauro, e ao lado de um bebé recém nascido.


No mesmo sitio geológico encontraram-se outros ninhos de dinossauros junto a restos de serpente, o que vem a indicar o género de alimentação destas serpentes.


Este descobrimento foi realizado por uma equipa paleontologista internacional dirigida por Jeff Wilson, da Universidade de Michigan, e Dhananjay Mohabey, do Serviço Geológico da Índia, e a investigação de campo foi financiada pela National Geographic Society. Foi publicado na prestigiosa revista PLoS Biology.


Esta nova espécie de serpente, baptizada Sanajeh indicus, proporciona informação também sobre a diversificação das serpentes. Actualmente as serpentes possuem características mandíbulas montadas sobre partes móveis do crânio o que lhes permite ingerir grandes animais. No entanto, a Sanajeh indicus só apresenta parcialmente estas características, mesmo podendo ingerir o bebé de saurópode (de meio metro de cumprimento), sendo o seu próprio corpo de uns 3,5 metros. 


Especulam os paleontólogos se as serpentes terão seguido como linha evolutiva o aumento do tamanho do seu próprio corpo para poder ingerir animais de maiores dimensões, uma vez que devem ingeri-las sempre inteiras (as serpentes não possuem mecanismos, como dentes ou garras, capazes de partir as presas em partes menores).


Os parentes mais próximos desta serpente encontram-se na Austrália, o que vem a confirmar mais uma vez a origem da Índia no antigo continente sul de Gondwana.


Podem ver aqui um vídeo da Universidade de Michigan onde explicam o descobrimento.


Visto inicialmente em Eurekalert 





1 de março de 2010

Formigas do deserto cheiram a paisagem em estéreo

Formigas Cataglyghis fortis

Há umas formigas, no deserto da Tunísia, que cheiram em estéreo: Recebem os cheiros nas suas antenas, e com isso conseguem reproduzir de alguma maneira o espaço à sua volta, uma paisagem de odores, que lhes permite situar-se e encontrar o seu formigueiro.

O doutor Markus Knaden e colegas seus, do Instituto Max-Planck para a Ecologia Química em Jena, Alemanha, investigaram a orientação olfactiva da formiga do deserto Cataglyphis fortis, e publicaram os seus resultados na revista Animal Behaviour, editada on-line por ScienceDirect.

Conseguem fazê-lo fundamentalmente determinando as direcções das que provêm os diferentes odores, em simultâneo com as suas duas antenas, o que lhes confere a distribuição espacial, criando uma espécie de mapa mental da área envolvente.

Já era conhecido que outros animais (pombos, ratos e o ser humano) podem também cheirar em estéreo, mas estas formigas são o primeiro animal conhecido que consegue usar os odores para a orientação espacial.

Estas formigas afastam-se do seu formigueiro até 100 metros, e depois conseguem encontrar a entrada do mesmo num ambiente como o deserto, no que é difícil encontrar referências de paisagem visual na sua escala.

Com diferentes experiências, os científicos determinaram que as formigas o conseguem graças aos odores (especificamente a 4 diferentes odores que colocam à volta da entrada do formigueiro), e que precisam das 2 antenas para poder localiza-lo. Portanto, não só detectam os 4 cheiros, mas também as posições relativas de maneira que coincida com a imagem olfactiva da entrada do formigueiro.

Ver mais na BBC.

25 de fevereiro de 2010

Mammatus e Asperatus: As nuvens impossíveis


Nuvens do género Undulatus Asperatus, ou, abreviadamente, Asperatus

Toda a gente sabe o que são as nuvens. E também que há diferentes géneros de nuvens. Mas há alguns tipos especiais de nuvens, diferentes, engraçadas, especiais de alguma maneira, e não tão conhecidas. Destaco agora 2 tipos de nuvens, que não o são totalmente:

De inicio, as nuvens mammatus, que na realidade não são um tipo de nuvens, mas uma formação especial que pode acontecer nelas, devido a correntes de ar descendente. Descobri-as já há algum tempo, não me lembro de onde, e tinha-as um pouco esquecidas.




Diversas fotografias de Mammatus

Depois, um outro género recentemente catalogado, ou nem por isso, na realidade, porque ainda discutem se realmente é um novo género de nuvem ou não, as asperatus. Estas últimas tinha-as visto já em Ojo Científico, e quando recentemente La Aldea Irreductible lembrou-me delas, decidi compartir umas e outras com vocês também aqui.




Diversas fotografias de Asperatus

Por tanto aqui ficam. Todas as fotografias vieram da Appreciation Cloud Society, um lugar de culto para quem goste mesmo de nuvens, e que eu vos recomendo: Há centenas de fotografias espectaculares de todos os géneros e feitios. Passem por lá.

26 de janeiro de 2010

Um mofo engenheiro de comunicações


Mapa de crescimento por horas de Physarum polycephalum sobre o mapa ferroviário de Tokio.


A rede ferroviária de Tokio, no Japão, esta desenhada de maneira muito eficiente, ligando todas as cidades com suficiente redundância como para que uma falha numa linha não suponha o colapso da rede, e não tanta redundância como para que seja incomportável economicamente.
Esta rede foi desenvolvida por várias equipas de engenheiros a trabalhar durante vários anos.


Uma equipa de investigadores conseguiu que um mofo unicelular a reproduzisse quase exactamente em aproximadamente um dia.



Crescimento de Physarum polycephalum na natureza, com a sua estrutura de rede.


A noticia, publicada recentemente em Science, indica que um grupo de investigadores das universidades de Hokkaido, no Japão, e de Oxford, na Inglaterra, chefiado pelo biólogo matemático Toshiyuki Nakagaki, desenvolveu uma ideia: Num mapa do Japão puseram flocos de aveia nos lugares correspondentes às cidades da rede ferroviária de Tokio, e puseram numa ponta uma célula de Physarum polycephalum, um mofo gelatinoso bastante estudado pelas suas especiais características. Em 26 horas o mofo tinha reconstruído um modelo muito semelhante ao que realmente existe, e igualmente funcional.



Representação do mapa real das linhas de comboio em Tokio e do obtido pelo mofo.


Este mofo é um organismo unicelular ameboide, suficientemente grande como para ser observado a olho nu, e multinucleado (tem vários núcleos dispersos pelo seu citoplasma). A sua forma de crescimento implica uma procura de alimento (e a sua preferência vai para os flocos de aveia), expandindo-se para isso formando tubos em todas as direcções. Ao encontrar nutrientes, envolvem e digerem os mesmos, e os enviam através dos próprios tubos, fazendo que os mesmos se alarguem e fortaleçam. Se não encontram nutrientes, vão ficando mais finos até que eventualmente desaparecem. Assim, em pouco tempo, conseguem explorar todo o seu entorno, aproveitando todo o alimento disponível.



Crescimento de P. polycephalum numa placa no laboratório, mantendo a sua característica rede. 


Este organismo já tinha sido investigado, em parte pela sua facilidade de crescimento no laboratório, e Toshiyuki Nakagaki já tinha publicado um artigo em Nature , no ano 2000, sobre a capacidade deste mofo para conseguir resolver um labirinto graças à sua maneira de crescer à procura de alimentos (o que, coisas que acontecem, valeu-lhe o prémio IgNobel  na categoria de ciências do conhecimento no 2008).



Demonstração da resolução do labirinto publicada em Nature (prémio IgNóbel)


Agora os investigadores estão a extrair novos algoritmos matemáticos a partir do método de expansão de Physarum polycephalum, com o intuito de utiliza-los em redes tanto de transportes como de comunicações ou informáticas, uma vez que este fungo unicelular demonstra ser muito mais rápido e eficiente do que os nossos melhores científicos para desenhar redes redundantes.


Mais uma vez, demonstra-se que ainda temos muito que aprender da natureza, e que existem muitos sistemas e processos biológicos que podem ser (e cada vez são mais) copiados pela nossa tecnologia.


Ver mais em ScienceNow, New York Times, Wired, BBC ou Science News

25 de janeiro de 2010

Staphylococcus aureus: Propagação de bactérias resistentes


Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA)


Um novo estudo, levado a cabo por Simon Harris, um filogenetista bacteriano do Instituto Wellcome Trust Sanger em Hinxton, Inglaterra, e seus colegas, e que foi publicado recentemente em Science, revela que o Staphylococcus aureus resistente à meticilina, ou MRSA pelas siglas em inglês, como é mais conhecido, muta muito mais rapidamente do que pensavam até agora.



Esta bactéria, habitual nas infecções hospitalares, consegue mudar pelo menos uma letra (nucleótido) no seu genoma cada seis semanas, e a maior parte deles nos genes envolvidos na resistência aos antibióticos. Esta taxa de mutação nestes genes é muito superior à que se poderia esperar de mutações ao acaso, e o que propõem é que há uma muito forte pressão selectiva nestas bactérias para desenvolver a sua resistência aos antibióticos.



Estes investigadores recolheram amostras da mesma estirpe em 63 hospitais à volta do mundo, e chegaram à conclusão de que todas elas tinham alguma letra do código genético alterada em relação às outras.


A técnica empregue, sequenciação completa dos seus genomas, pode ser utilizada para obter uma melhor compreensão de como é que se propagam as infecções. Por enquanto, já determinaram que esta estirpe provavelmente surgiu na Europa nos anos 60, e desde então extendeu-se, sendo actualmente a estirpe predominante de MRSA na Ásia, enquanto continua a ser uma das principais na Europa e já é muito comum também na América do Sul.


Neste último caso, América do Sul, comprovou-se também que as diferentes amostras estão muito relacionadas geneticamente, o que provavelmente indica que uma só variante de MRSA deve ter invadido recentemente o continente, expandindo-se rapidamente.


Os estudos filo-genéticos sobre estas bactérias devem contribuir com novos dados que permitam limitar a expansão de las infecciones, mesmo tendo em conta que esta linha de investigação ainda se encontra nos seus primórdios. Não é suposto que possa mudar o tratamento de doentes em concreto, mas sim que permita obter uma imagem completa das mutações que podem provocar uma epidemia, e esperam que assim seja possível tomar as medidas apropriadas para a evita-la.


Em tom humorístico, para os distraídos, e antes de ser acusado de alguma coisa, esclareço que o meu nome, Aureus, não provem de Staphylococcus aureus mas de Canis aureus.


Mais informação em Science News

21 de janeiro de 2010

Respiração externa: Bactérias que respiram pedras


Bactérias da familia Shewanella, algumas das estudadas


Existem muitos ambientes na Terra nos que não há oxigénio, e, no entanto, vivem bactérias neles, as bactérias anaeróbias.


A respiração, a nível celular, consiste fundamentalmente na ruptura de ligações químicas obtendo a célula dessa maneira a energia necessária para o seu funcionamento. Neste processo produz-se uma libertação de electrões, que devem ser aceites por alguma molécula para que o mesmo fique finalizado.


O processo de redução mais conhecido, a respiração aeróbia, utiliza oxigénio molecular (O2) e glucose (da que a fórmula resumida é C6H12O6), e acaba libertando água (H2O) e dióxido de carbono (CO2). Este é o processo que nós utilizamos, e nele é imprescindível o oxigénio.


As bactérias anaeróbias vivem em ambientes sem oxigénio, pelo que têm que reduzir outros elementos, nomeadamente (mas não só) o ferro (Fe) e o manganésio (Mn).


Mas o recente descobrimento do Professor David Richardson, da Escola de Ciências Biológicas da Universidade de East Anglia, e a sua equipa, é um mecanismo pelo que muitas destas bactérias conseguem utilizar minérios com estes elementos para respirar, mas externamente, emitindo os electrões sobrantes fora do seu corpo através da parede bacteriana, para que sejam aceites por pedras ricas nestes compostos, ou seja, emitem descargas eléctricas ao exterior. Este descobrimento foi publicado recentemente na prestigiosa revista PNAS.



Segundo indicam os investigadores, isto poderia supor um grande avanço nas investigações sobre pilhas de combustível (utilizando como combustível resíduos humanos ou agrícolas, e as bactérias como produtoras de electricidade), assim como na limpeza de meios contaminados com petróleo ou com urânio radioactivo (utilizando o petróleo como alimento das bactérias, ou o urânio como possível aceitador de electrões), ou em muitas outras linhas de investigação que apareçam.


Ver mais em Scitech News ou no comunicado de imprensa da Universidade de East Anglia.

14 de janeiro de 2010

Elysia chlorotica: A lesma do mar fotossintética


Elysia chlorotica, a lesma do mar que fotossintetiza. Fotografía: Nicholas E. Curtis y Ray Martinez 


Há uma lesma do mar verde, que vive na zona da Nova Inglaterra e Canadá, e que é parcialmente animal e parcialmente vegetal. É o primeiro animal multicelular conhecido capaz de produzir clorofila a (a mais habitual das clorofilas das plantas, e a única que existe em todas elas).


As plantas utilizam uns organelos celulares, os cloroplastos, para crescer, fixando o CO2 em moléculas orgânicas, graças à energia proveniente da luz captada pelas moléculas de clorofila presentes no dito organelo. Este processo chama-se fotossíntese.


Sydney Pierce, biólogo da Universidade da Florida do Sul, leva 20 anos a estudar estas lesmas, da espécie Elysia chlorotica, e apresentou há pouco os seus más recentes descobrimentos.


Estas lesmas do mar chupam as algas, preferentemente da espécie Vaucheria litorea, e conseguem fazer um processo de endossimbiose, incorporando os cloroplastos das algas dentro do citoplasma das células do seu próprio corpo, e mantendo-os em funcionamento, ou seja, fotossintetizando.


Este facto já era conhecido há algum tempo, mas os cloroplastos precisam de novas moléculas de clorofila para poder funcionar, e portanto só deveriam funcionar durante um tempo, até que se acabasse a clorofila proporcionada pela ingestão das algas.


Mas o surpreendente descobrimento actual, é que a relação das lesmas do mar com as algas vai mais além da incorporação de cloroplastos: Incorporaram também a capacidade de sintetizar clorofila, incluindo os genes responsáveis disso no seu próprio DNA. E o fizeram tão bem que inclusive transmitem estes genes aos seus filhos.


O único que ainda não conseguem fazer é sintetizar os próprios cloroplastos. Mas, quando já ingeriram os suficientes, sempre que haja suficiente quantidade de luz, estas lesmas podem viver e crescer normalmente sem nenhuma comida, a partir da energia que obtêm pela fotossíntese.

Ver mais em Science