Aureus

Com este blog pretendo mostrar os últimos acontecimentos científicos, de maneira a ficarmos à par do que pôde ser feito pelos científicos neste momento, e dos últimos descobrimentos, e ao mesmo tempo oferecer curiosidades, engraçadas ou simplesmente esquisitas, do âmbito da ciência. Isto sempre numa linguagem acessível para todos, sem grandes complicações.
Lembrem-se que eu escrevo a estrutura, mas a vida do blog, o movimento, são os vossos comentários. Façam-os. Qualquer coisa que queiram, fico à vossa disposição.

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14 de janeiro de 2010

Elysia chlorotica: A lesma do mar fotossintética


Elysia chlorotica, a lesma do mar que fotossintetiza. Fotografía: Nicholas E. Curtis y Ray Martinez 


Há uma lesma do mar verde, que vive na zona da Nova Inglaterra e Canadá, e que é parcialmente animal e parcialmente vegetal. É o primeiro animal multicelular conhecido capaz de produzir clorofila a (a mais habitual das clorofilas das plantas, e a única que existe em todas elas).


As plantas utilizam uns organelos celulares, os cloroplastos, para crescer, fixando o CO2 em moléculas orgânicas, graças à energia proveniente da luz captada pelas moléculas de clorofila presentes no dito organelo. Este processo chama-se fotossíntese.


Sydney Pierce, biólogo da Universidade da Florida do Sul, leva 20 anos a estudar estas lesmas, da espécie Elysia chlorotica, e apresentou há pouco os seus más recentes descobrimentos.


Estas lesmas do mar chupam as algas, preferentemente da espécie Vaucheria litorea, e conseguem fazer um processo de endossimbiose, incorporando os cloroplastos das algas dentro do citoplasma das células do seu próprio corpo, e mantendo-os em funcionamento, ou seja, fotossintetizando.


Este facto já era conhecido há algum tempo, mas os cloroplastos precisam de novas moléculas de clorofila para poder funcionar, e portanto só deveriam funcionar durante um tempo, até que se acabasse a clorofila proporcionada pela ingestão das algas.


Mas o surpreendente descobrimento actual, é que a relação das lesmas do mar com as algas vai mais além da incorporação de cloroplastos: Incorporaram também a capacidade de sintetizar clorofila, incluindo os genes responsáveis disso no seu próprio DNA. E o fizeram tão bem que inclusive transmitem estes genes aos seus filhos.


O único que ainda não conseguem fazer é sintetizar os próprios cloroplastos. Mas, quando já ingeriram os suficientes, sempre que haja suficiente quantidade de luz, estas lesmas podem viver e crescer normalmente sem nenhuma comida, a partir da energia que obtêm pela fotossíntese.

Ver mais em Science

30 de março de 2009

Um vírus incorporado no genoma, é um vírus?


A vespa parasita Cotesia preparando-se para depositar os seus ovos na lagarta Manduca caterpillar

O que é um vírus? Alguns científicos repensam a pergunta agora, devido a um trabalho apresentado por Donald Stoltz, professor de microbiologia e imunologia na Universidade Dalhousie em Halifax, Nova Escócia, Canadá, e James Whitfield, professor de entomologia na Universidade de Illinois, no que falam das diferentes maneiras nas que os vírus operam dentro e entre os organismos com os que interactuam, demonstrando novos tipos de relações.

A interacção entre uma vespa parasita, uma lagarta parasitada, e um vírus que passa de uma à outra, criou uma nova série de questões sobre a definição de vírus.

Este análise baseia-se nos resultados também recentes de um estudo dirigido desde a Universidade François Rabelais, em Tours, França, no que se comprovou que os genes que codificam o vírus que ajuda à vespa a parasitar de maneira eficaz às lagartas, existem também nos cromossomas das vespas. Estes genes, relacionados com os de outros vírus conhecidos, são uma parte indivisível da herança genética das vespas, sendo por isso transmitidos de uma geração de vespas à seguinte.

O mais assombroso sobre estes vírus é que o organismo no que se encontram incorporados no seu ADN os seus genes não é o mesmo organismo sobre o que tais genes actuarão. Desta maneira, é como se o vírus tivesse dois organismos receptores, mesmo sem que o vírus siga em nenhum deles um ciclo de vida completo: O vírus beneficia à vespa e depende dela para a sua própria sobrevivência, sugerindo com isso um género de mutualismo obrigatório que é pouco comum nos vírus. Ainda, nenhum deles poderia viver sem a lagarta.

Há mais de 40 anos que a comunidade científica sabe que algumas espécies de vespas parasitas injectam vírus deste género nas cavidades corporais das lagartas ao mesmo tempo que depositam os seus ovos nestas.

Como estes vírus se converteram numa parte essencial do genoma das vespas, alguns investigadores sugeriram que não devem seguir sendo considerados como tais. Os estudos futuros que se realizem na linha de investigação seguida por este recente análise poderiam ajudar a responder de maneira concludente a questão sobre se é correcta a maneira de definir os vírus.

A relação estreita entre varias espécies, mais conhecida com bactérias, não era até agora aplicada aos vírus. Mas não podemos esquecer a importante função que muitos destes minúsculos seres realizam, como a degradação da celulosa pelos ruminantes (são bactérias, fungos e protozoos, não os herbívoros, quem a realiza), ou, no caso extremo (e de fusão absoluta), os produtores de energia por excelência dos seres vivos eucariotas: as mitocondrias, antigas bactérias segundo as actuais teorias.

Por tanto, não devemos desprezar os seres microscópicos, nem esquecer que os prejudiciais para nos são uma parte ínfima das espécies existentes, e que são, geralmente, muito mais antigos, e eficientes, do que nos.